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Investigação13/03/2020 | 08h01Atualizada em 13/03/2020 | 08h01

Polícia Civil identifica adolescentes que planejavam ataque a escola em Porto Alegre

Na casa de um deles, foram apreendidos réplicas de pistola, fuzil, foguetes e uma arma de airsoft

Polícia Civil identifica adolescentes que planejavam ataque a escola em Porto Alegre Polícia Civil/Divulgação
Réplicas de armas e material apreendido na casa de um dos adolescentes investigados Foto: Polícia Civil / Divulgação

Três adolescentes são investigados pela Polícia Civil por planejar um ataque a uma escola estadual em Porto Alegre. Na casa de um deles, foram apreendidos réplicas de pistola, fuzil, foguetes e uma arma de airsoft que estavam escondidas sem o conhecimento dos pais. O trio, dois adolescentes de 15 anos e um de 14 anos, está em casa e sendo monitorado pelos investigadores.

Em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (12) no Palácio da Polícia, o diretor do Departamento de Grupos Vulneráveis, Thiago Albeche esclareceu que inicialmente chegou à polícia, no início desta semana, a informação de que um adolescente estaria arregimentando outros colegas para realizar um ataque de intimidação dentro da sua escola.

A ação não se concretizou, o menino foi identificado e ouvido pela polícia. A partir deste depoimento, os investigadores chegaram a um segundo nome: um outro adolescente que estaria sucedendo o primeiro nas ações.  

— Ele dizia que o que primeiro não tinha conseguido fazer, ele mesmo faria. Este segundo dispunha de um leque de opções para atuarem em conjunto.

Foi então que a polícia identificou que a atuação na escola poderia pertencer a um determinado grupo que pretendia levar medo aos alunos. O planejamento ocorria pelas redes sociais. Ao entender melhor o contexto da ameaça, Albeche conta que a polícia chegou a um terceiro adolescente que tinha artefatos de maior potencial intimidativo:

— Conseguimos cumprir uma diligência, na residência do adolescente, com autorização dos pais, e lá foram identificadas estas armas. Não são letais, mas são réplicas perfeitas de armas, com alto poder intimidatório.

"Não deixaremos a escola sem resposta", diz delegado

Na apreensão, também foram recolhidos celulares e cadernos que estão sendo analisados. O delegado reforçou que atitudes de intimidação que tornem o ambiente escolar conturbado não serão toleradas:

— Pela relevância que este tema tem, nós não concebemos qualquer tipo de brincadeira ou de suposição com relação a este assunto. Toda e qualquer brincadeira, ou indicativo que isso possa acontecer, terá consequências, porque a polícia está atenta. Conseguimos fazer essa apreensão e continuaremos as investigações para identificar outros adolescentes. Não deixaremos a escola sem resposta.

De acordo com o delegado, as investigações estão sendo aprofundadas para que haja uma definição do ato infracional cometido pelos adolescentes. A polícia ainda não esclareceu como um deles teve acesso às réplicas de armas.

Os pais dos adolescentes foram alertados para a necessidade de acompanhamento psicológico dos filhos. Albeche afirma que não há um padrão que desencadeie este comportamento, mas muitos deles possuem algum problema familiar, sentimento de solidão e começam a alimentar ideias autodestrutivas a partir disto:

— Muitas vezes um problema familiar que o adolescente vivencia pode desencadear um problema na escola, especialmente quando dentro da instituição existe um contexto de bullying.

A polícia colheu relatos de colegas que estariam realizando atitudes semelhantes ao bullying, afirma o delegado. Para a diretora-geral do Grupos Vulneráveis, delegada Shana Luft Hartz, o fato é grave:

— No momento que eles conseguissem uma arma verdadeira a possibilidade de efetivação era alta. Quando a gente consegue iniciar uma investigação antes de qualquer ataque é o ideal parta evitar que o crime aconteça.

A delegada frisa que é importante que pais e professores fiquem atentos aos sinais dos estudantes.

— Conseguimos evitar que fosse concretizado algo mais grave, identificamos o plano na preparação — afirmou Shana.

No entendimento da delegada, além do poder intimidatório, a réplica das armas servia para incentivar que outros jovens, com a mesma ideia, participassem do grupo. Os alunos inclusive citavam o massacre que aconteceu em Suzano (SP), há um ano, quando dois ex-alunos entraram na Escola Raul Brasil com revólver, arco e flechas e machado, assassinaram seis estudantes, duas funcionárias e se suicidaram.

O planejamento, identificado também pelos canais de inteligência da Polícia Civil, se restringe a uma escola da Capital e que não há fatos concatenados com outras instituições.

— Decidimos fazer esse chamamento para que a população se mantenha em alerta, as escolas e, principalmente, os pais. A Polícia Civil está a disposição para receber qualquer tipo de denúncia — reforçou a chefe de Polícia, Nadine Anflor.

À frente da Comissão Interna de Prevenção a Acidentes e Violência Escolar (Cipave) na Rede estadual, a delegada Patrícia Sanchotene afirma que acompanha o caso junto a Polícia Civil. Após a elucidação do fato, passarão a trabalhar com ações de prevenção de novas ocorrências.

 
 
 
 
 
 
 
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