PM da reserva vira réu por feminicídio de advogada em Porto Alegre - Polícia

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Crime04/06/2020 | 09h22Atualizada em 04/06/2020 | 09h22

PM da reserva vira réu por feminicídio de advogada em Porto Alegre

Denúncia contra José Pedro da Rocha Tavares foi aceita pelo assassinato da presidente da Agergs, Maria Elizabeth Rosa Pereira, 65 anos

PM da reserva vira réu por feminicídio de advogada em Porto Alegre Guerreiro/Agência ALRS
Maria Elizabeth foi morta em 17 de abril, no bairro Partenon Foto: Guerreiro / Agência ALRS
Leticia Mendes

A Justiça aceitou a denúncia contra o policial militar da reserva José Pedro da Rocha Tavares, 49 anos, preso pela morte da companheira, Maria Elizabeth Rosa Pereira, 65 anos. A vítima era advogada e presidente da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs). O crime aconteceu no início da manhã de 17 de abril na casa do investigado, no bairro Partenon, zona leste de Porto Alegre.

Foi o irmão do policial, que vive em uma residência no mesmo terreno, quem ouviu os disparos. Ele chamou socorro, mas Maria Elizabeth não resistiu ao ferimento e morreu no local. Na casa do PM, foi encontrada e apreendida uma pistola 9 milímetros. A arma era de propriedade do policial da reserva. O homem foi encontrado ferido com um tiro na cabeça e foi levado ao hospital — ele continua internado e preso de forma preventiva.

O Ministério Público denunciou Tavares pelo crime de homicídio triplamente qualificado, devido ao motivo torpe, uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e pelo feminicídio — ou seja, pela morte acontecer em contexto de gênero. Tavares estava aposentado há quatro anos por tempo de serviço e, segundo consta na decisão da Justiça, fazia uso de remédios antidepressivos e para epilepsia.

Maria Elizabeth chegou à casa do companheiro por volta das 20 horas de 16 de abril, para visitá-lo. Em torno das 4h, ela teria ido até a casa do cunhado, nos fundos do mesmo pátio, informando que o companheiro teria concordado em tomar a medicação. O homem chegou a ir até a residência do irmão e disse que ele parecia estar tranquilo. No início da manhã, no entanto, após retornar para sua moradia, ouviu os disparos.

Durante a investigação, realizada pela Delegacia da Mulher da Capital, os motivos do crime não ficaram totalmente esclarecidos e, portanto, deverão ser elucidados na fase processual. Tavares, conforme testemunhas ouvidas pelos investigadores, possui problemas neurológicos e necessita de medicamentos. Ainda assim, a conclusão da polícia foi de feminicídio, seguido de tentativa de suicídio. O casal mantinha relação, mas cada um morava na sua residência.

A denúncia foi recebida pela juíza Karen Luise Vilanova Batista de Souza Pinheiro. GaúchaZH tenta contato com a defesa de Tavares, mas ainda não conseguiu contato com os advogados que representam o réu.

Em nota, a criminalista Karla Sampaio, que atua como assistente de acusação no caso, afirmou que o recebimento da denúncia já era esperado e classificou a morte de Maria Elizabeth como um caso "chocante" para quem convivia com ela.

Confira a manifestação na íntegra

"O recebimento da denúncia é um dos momentos mais importantes de um processo, pois é a partir de agora que passamos a ter uma acusação formal, aceita pelo Poder Judiciário. Já esperávamos por isso. A morte da Maria Elizabeth foi chocante para todos que a conheciam, era uma pessoa muito alegre, de bem com a vida, uma mãe carinhosa e uma profissional exemplar, todos gostavam muito dela. Tenho mais de 70 atuações em plenário do júri, praticamente em todas elas exerci a defesa. Dessa vez vamos atuar na condição de assistentes de acusação, com certeza a justiça será feita."

 
 
 
 
 
 
 
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