Amigo de jovem que teria arquitetado a morte dos pais em Jaguarão é o segundo suspeito preso por crime  - Polícia

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CASAL ASSASSINADO16/09/2020 | 08h46Atualizada em 16/09/2020 | 08h46

Amigo de jovem que teria arquitetado a morte dos pais em Jaguarão é o segundo suspeito preso por crime 

Polícia acredita que rapaz de 19 anos, detido na segunda-feira, tenha sido um dos executores

Amigo de jovem que teria arquitetado a morte dos pais em Jaguarão é o segundo suspeito preso por crime  Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
Paulo Adão Almada Moraes, 50, e a esposa Manoela Renata Araújo Chagas, 40, foram vítimas de crime Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal
Leticia Mendes

Segundo suspeito preso em um crime que estarreceu o município de Jaguarão, no sul do Estado, um rapaz de 19 anos era amigo do jovem que confessou ter arquitetado a morte dos pais. Iuri Chagas, 20 anos, já havia sido preso na madrugada de domingo, quando relatou à polícia como planejou o assassinato de Paulo Adão Almada Moraes, 50, e Manoela Renata Araújo Chagas, 40. O casal foi executado, cada um com um tiro na cabeça, enquanto dormia, na madrugada da última sexta-feira.  

Amigo de Iuri, o jovem, que não teve o nome divulgado pela polícia, foi preso na tarde de segunda-feira. Na casa dele, localizada no centro de Jaguarão, os policiais encontraram três estojos deflagrados de calibre 22. A munição é compatível com o revólver que teria sido usado no crime. Embora a arma não tenha sido localizada, a investigação apurou que o próprio filho do casal teria sido o responsável por adquiri-la, dias antes do crime.  

O jovem preso na segunda-feira costumava frequentar a casa das vítimas. Da mesma forma, Iuri também tinha o hábito de visita-lo em sua residência. Em depoimento à polícia, o suspeito negou que tenha cometido o crime. Mas disse que chegou a ser convidado pelo amigo para matar os pais.  

— Ele disse que topou participar, mas que depois desistiu. Em relação aos estojos, não soube explicar — detalhou a delegada Juliana Garrastazu Ribeiro.  

A polícia acredita que o preso tenha sido um dos executores do crime, senão o único executor. A investigação ainda apura quantas pessoas efetivamente participaram do crime. Segundo a delegada, a polícia ainda está ouvindo pessoas próximas das vítimas e aguarda o resultado de perícias. Uma delas deverá esclarecer se o casal foi realmente sedado pelo filho. Essa é uma das hipóteses apuradas, já que eles aparentemente não reagiram aos tiros.  

— Ainda estamos buscando esclarecer melhor se há envolvimento de outra pessoa no crime — disse.  

O rapaz preso também foi encaminhado para o Presídio Estadual de Jaguarão, assim como o filho do casal. Iuri confessou que há dois anos planejava assassinar os pais. O rapaz alegou que a relação deles era conflituosa e que os pais eram controladores. Mas os investigadores ainda apuram se essa foi realmente a motivação do crime.  

"Eram pais exemplares", diz familiar 

Após sepultarem o casal acreditando que eles tinham sido mortos durante um assalto — versão que foi alegada inicialmente por Iuri — os familiares lidam agora com a incredulidade. Depararam com o desfecho de um crime brutal. Antes de ser descoberto pela polícia, o jovem chegou a acompanhar o velório e o enterro dos pais, no Cemitério Municipal de Jaguarão. Durante a cerimônia, manteve a versão de que dois criminosos haviam invadido a casa, assassinado os pais durante o roubo e fugido levando o veículo da família. Segundo familiares, ele abraçou os parentes e chorou algumas vezes.

— Estão todos abalados. Não conseguimos acreditar. É muito difícil de entender. No início, pensamos que tivesse sido um assalto, nunca imaginamos isso. Se fosse um assalto, já seria terrível. Mas saber que foi o filho, foi ainda mais chocante — diz Dulce Araújo, 29 anos, sobrinha do casal, que também reside em Jaguarão.  

Paulo e Manoela são descritos como pessoas alegres, humildes e trabalhadoras. Formada em Pedagogia há dois anos, na Universidade Federal do Pampa, a mulher cursava atualmente especialização em Gestão da Educação Básica. A representação discente do campus de Jaguarão emitiu nota sobre a perda. Nela, Manoela é descrita como alguém que estava sempre sorridente e era muito prestativa. Paulo trabalhava com montagem de móveis e estava empregado em uma loja da cidade. Além do serviço, também frequentava os jogos de futebol de salão, que adorava.  

O casal sempre residiu em Jaguarão, município onde também nasceram os dois filhos: Iuri e a caçula, atualmente com 13 anos. A adolescente, que estava em casa dormindo na madrugada do crime, está sob os cuidados da avó materna.  

Eram pais exemplares. Davam tudo que podiam para os filhos. Queriam o bem deles. Dedicados. Era primeiro os filhos, depois eles — afirma Dulce.

Em publicação no Facebook, há seis anos, como legenda para uma fotografia junto ao filho, Manoela citou um poema sobre maternidade e escreveu "mãe briga mesmo, mas não é porque não gosta e sim por precaução, que nunca vá te machucar. És o amor do mais profundo do meu coração". 

 
 
 
 
 
 
 
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