"O que eu vi não foi um acidente, foi um crime", diz mulher sobre atropelamento de ciclista em Porto Alegre   - Polícia

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Orla do Guaíba 28/10/2020 | 09h17Atualizada em 28/10/2020 | 09h18

"O que eu vi não foi um acidente, foi um crime", diz mulher sobre atropelamento de ciclista em Porto Alegre  

Funcionária pública corria na Avenida Beira-Rio na manhã de domingo, quando Matheus Kowalski, 37 anos, foi atingido por um veículo 

"O que eu vi não foi um acidente, foi um crime", diz mulher sobre atropelamento de ciclista em Porto Alegre   Niege Onofre/Arquivo Pessoal
Matheus passou por cirurgia nesta terça-feira Foto: Niege Onofre / Arquivo Pessoal
Leticia Mendes

Funcionária pública, uma moradora de Porto Alegre afirma ter presenciado o atropelamento do ciclista Matheus Kowalski, 37 anos, no último domingo (25), na orla do Guaíba. Betânia Braun, 43, que costuma frequentar a Avenida Edvaldo Pereira Paiva, a Beira-Rio, para se exercitar, descreve o que viu como “um crime”. Após atingir o fisioterapeuta, que teve fratura em um dos braços e segue hospitalizado, o condutor fugiu sem prestar socorro.  

Betânia diz que saiu de casa para praticar corrida por volta das 7 horas e seguiu em direção à orla do Guaíba. A funcionária pública conta que costuma frequentar o local quase todo fim de semana. O lado onde ela estava correndo, em direção à Zona Sul, estava fechado para o tráfego de veículos. Havia movimento de outras pessoas correndo e de ciclistas, mas o trânsito estava calmo.  

— Estava sozinha e ele foi atropelado no lado oposto do qual eu estava correndo. Vi de frente. Foi surreal. O que eu vi não foi um acidente. Foi um crime. Me senti assim, presenciando um crime. O ciclista estava sozinho, ele já tinha passado a sinaleira do Beira-Rio, e o carro vinha sozinho na pista, não tinha fluxo de carros. Tinha muito espaço para andar. Ele simplesmente veio a mil e freou, mas parecia que estava freando para assustar. E ele arrebatou o ciclista. O ciclista caiu e começou a gritar de dor. E o carro fugiu — relata.  

Betânia conta que conseguiu identificar o veículo como um Fox vermelho, mas não tinha celular com ela no momento para gravar o carro. Ela também não sabe precisar quantas pessoas havia dentro do veículo. A funcionária pública diz que atravessou a via e foi prestar socorro para Kowalski. O ciclista teve fratura no braço esquerdo — ele passou por cirurgia nesta terça-feira (27) e deve permanecer hospitalizado até o fim desta semana. A estimativa é de que sejam necessários seis meses para sua recuperação.  

— Nunca havia presenciado nada assim. É muito chocante ver uma pessoa fazer isso e fugir. Não foi o caso de ele não ver o que fez. Ele foi na direção do ciclista, atropelou, viu tudo e saiu. É muito triste presenciar isso. Atravessei a rua e fui até ele, até para ver se estava vivo. Não conhecia ele, não conheço ele. Fico pensando em como ele vai se restabelecer, o tempo que vai ficar sem trabalhar. Mas eu estou na torcida para que a justiça seja feita. E que essa pessoa seja identificada e nunca mais faça isso com ninguém. Friso: isso não foi um acidente e não pode ficar impune — diz Betânia.  

A testemunha diz que deixou seu contato de telefone no local, com outros ciclistas. Mas até a tarde desta terça-feira (27) não havia sido chamada para prestar depoimento na polícia. A vítima deverá ser ouvida após deixar o hospital.  

— Ele estava com uma arma que pode matar, que é o carro. Não tinha porque fazer aquilo. O ciclista não estava no meio da pista. Ele procurou o Matheus para fazer aquilo. Isso foi chocante. A gente se coloca no lugar, imagina sair de casa para fazer exercício, acordar cedo, pensando na tua saúde, indo num local que é de fazer exercício. De repente vem alguém e te arrebata. Ainda estou com aquela cena na minha cabeça — diz.  

Investigação 

Segundo o delegado Carlo Butarelli, da Divisão de Delitos de Trânsito do Departamento de Homicídios, foram solicitadas imagens de câmeras do trajeto. A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) informou que está prestando apoio à Polícia Civil com o rastreamento das câmeras de monitoramento do cercamento eletrônico da Capital. 

As imagens são consideradas essenciais pela polícia para chegar à identificação do veículo e de quem estava conduzindo o carro. Essa pessoa será intimada para prestar depoimento. A polícia também deve ouvir outras pessoas que testemunharam o atropelamento.   


 
 
 
 
 
 
 
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