Cinco pessoas são presas por envolvimento em golpe do bilhete no qual idosa da Capital perdeu R$ 30 mil - Polícia

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Estelionato06/11/2020 | 10h03Atualizada em 06/11/2020 | 10h03

Cinco pessoas são presas por envolvimento em golpe do bilhete no qual idosa da Capital perdeu R$ 30 mil

Estelionatários também sacaram R$ 2 mil e fizeram compra de R$ 2,6 mil no cartão de crédito de mulher de 68 anos do bairro Higienópolis 

Cinco pessoas são presas por envolvimento em golpe do bilhete no qual idosa da Capital perdeu R$ 30 mil Polícia Civil/Divulgação
Foto: Polícia Civil / Divulgação

Duas mulheres e três homens de Passo Fundo foram presos na noite desta quarta-feira (4) em um hotel de Porto Alegre por suspeita de envolvimento no golpe do bilhete. A vítima, uma idosa de 68 anos, depositou R$ 30 mil aos golpistas. 

A investigação da 1ª Delegacia de Polícia de Repressão a Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) revelou que duas mulheres abordaram a vítima no bairro Higienópolis, na Zona Norte, por volta das 8h de quarta-feira. Uma delas disse que tinha um bilhete premiado de R$ 2,2 milhões.

A vítima havia saído de casa para ir até uma farmácia quando deparou com uma mulher procurando uma lotérica. Na descrição da idosa, a golpista tinha aspecto de pessoa do interior, humilde, e estava pedindo ajuda por não ser da Capital. De imediato, outra mulher chegou oferecendo auxílio, mais esperta e demonstrando compreensão com a que pedia orientação.

A golpista mostrou um bilhete para retirar uma televisão e R$ 12 mil em dinheiro, mas argumentou que ao ligar para o banco foi informada de que na verdade o bilhete valeria R$ 2,2 milhões. 

Em depoimento, a idosa conta que a mulher aparentava nervosismo. A vítima então ofereceu ajuda e recebe uma carona no carro da segunda mulher para buscar seu cartão e documentos. Combinaram que a vítima iria transferir R$ 30 mil para a suposta ganhadora do prêmio, que  dizia pertencer a religião que não aceitaria dinheiro de jogo. A promessa era de que assim que a mulher sacasse o prêmio, reembolsaria a idosa.

As golpistas ficaram com a idosa até as 14h, quando a vítima retornou para casa. Durante cinco horas, além da transferência, foi feito saque de R$ 2 mil e uma compra no cartão de crédito de R$ 2,6 mil. A família da vítima chegou a fazer registro de desaparecimento e desconfiou da possibilidade de sequestro ao identificar a movimentação na conta.

— Deslocamos equipes para vários locais e tentamos reconstituir o último momento em que ela foi vista. Fomos aos dois bancos, conseguimos identificar um veículo envolvido, a pessoa que a acompanhou no local do saque, também fizemos o bloqueio para tentar o ressarcimento dos R$ 30 mil. Identificamos toda dinâmica. Às 14h ela aparece em casa e, envergonhada, confirma o que aconteceu. Estava muito chateada por ter caído no golpe — afirma o delegado João Paulo de Abreu.

A transferência foi feita na Caixa Econômica Federal para uma conta no banco Santander, de onde o valor foi transferido para uma casa de câmbio de Porto Alegre. Ali a quantia foi sacada — evitando que a retirada do dinheiro em espécie ocorresse dentro de uma agência bancária. Ao identificar a titular da conta do depósito, os investigadores a localizaram em casa, na Zona Norte. Questionada, admitiu que cedeu sua conta bancária para receber os depósitos, em troca de dinheiro, e disse que os demais envolvidos estavam em um hotel no centro de Porto Alegre.

Ao se deslocar até o local, a polícia encontrou 10 pessoas do grupo, das quais cinco, segundo a investigação, têm relação com o golpe do bilhete envolvendo a idosa do bairro Higienópolis.

— Ficamos o dia inteiro na rua, com campana em vários pontos. O próprio hotel nos confidenciou que suspeitava dessas pessoas. Eram 10 pessoas que estavam lá, ouvimos todas elas, e cinco foram autuadas em flagrante porque conseguimos efetivamente relacioná-las ao caso. Mas tudo indica que as demais também tenham envolvimento com a prática do crime —  explica o delegado.

No hotel, também foram localizados documentos, comprovantes bancários de altas quantias — foram identificados R$ 102 mil distribuídos em diversas contas bancárias —, dinheiro em espécie, cartões de banco, cheques e anotações com valores.

— Isso sinaliza que, além dessa vítima, outras pessoas também caíram no golpe. Alguns nem registram ocorrência. O encontro desses papéis, os depósitos fracionados, revelam a tipologia do crime de ocultar e dissipar o depósito — diz.

Também foram apreendidos uma Tucson prata e um Siena cinza. Um Focus branco usado na ação não foi localizado. A polícia reforça que dispõe de imagens do crime e dos envolvidos para reconhecimento de eventuais vítimas que tenham sido lesadas e pede que procurem a delegacia.

Os presos são investigados pelos crimes de estelionato, lavagem de capitais e organização criminosa. A polícia entende que não houve extorsão mediante sequestro já que a vítima não foi privada de liberdade enquanto estava com os criminosos.

— Percebemos uma clara divisão de tarefas, as mulheres a abordaram, com simpatia na conversa. Constroem toda uma história de convencimento de necessidade da pessoa ajudá-los a fazer o saque do prêmio. Os homens eram responsáveis por monitorar a ação e fazer os saques em alguns agências e depois fazer depósitos em diversas contas. Era algo bem organizado. A vítima permaneceu essas horas com eles sempre vigiada, mas em nenhum momento teve a liberdade restringida.

O delegado ressalta que ocorrências semelhantes a essa foram registradas nos últimos dias na Zona Sul, nos bairros Glória e Azenha e em Campo Bom. 

 
 
 
 
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