Policial militar estaria em grupo que linchou homem em praça de Nova Prata - Polícia

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Violência25/11/2020 | 09h43Atualizada em 25/11/2020 | 09h43

Policial militar estaria em grupo que linchou homem em praça de Nova Prata

Polícia Civil pretende finalizar o inquérito sobre o assassinato de lixador de mármore até sexta-feira

Policial militar estaria em grupo que linchou homem em praça de Nova Prata Arquivo Pessoal/Divulgação
Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Um policial militar foi identificado como um dos participantes do linchamento que resultou na morte de um lixador de mármore em uma praça de Nova Prata, em 8 de novembro. Investigadores da Polícia Civil foram até Caxias do Sul para ouvir o suspeito na manhã desta terça-feira (24), mas o brigadiano alegou não poder comparecer e deverá ser ouvido na  sexta-feira (27). O inquérito policial busca identificar mais de 40 pessoas que participaram ou testemunharam do espancamento de Arlindo Elias Pagnoncelli, 38 anos, conhecido como Zinho. Ele morreu em 17 de novembro, nove dias após as agressões.

Segundo relatos à polícia e pelo que é possível em vídeos do linchamento, a confusão aconteceu porque Pagnoncelli teria importunado duas moças por meio de contato físico. O brigadiano, que trabalha em Caxias do Sul, estava em Nova Prata para acompanhar uma mulher com quem tem relacionamento. Essa mulher é parente das moças que alegam terem sido importunadas.

— Ele foi identificado pelas imagens e testemunhas. Ele foi um dos que agrediu (a vítima) a socos. Aparentemente, estava em horário de folga e acompanhava esta família das moças, que são sobrinha e cunhada deste relacionamento dele — diz a delegada Liliane Pasternak Kramm.

As duas mulheres são vistas passando pelo lixador de mármore e um amigo dele em uma faixa de segurança. A cena foi capturada por uma câmera do monitoramento eletrônico da cidade, que é distante e opera em movimento automático. Nas imagens, não é possível confirmar qualquer contato físico entre Pagnoncelli e as jovens.

A família das mulheres e o lixador de mármore chegaram à praça ao entardecer, antes das 17h. Como a maioria dos frequentadores do local, eles consumiram  bebidas alcoólicas. O encontro entre eles foi às 19h40min. O linchamento, contudo, só aconteceu próximo das 22h.

— Não há imagem do toque, se é que o toque existiu. E é importante pontuar essa dúvida. É possível esperar duas horas e 20 minutos para o revide? Na hora (da suposta importunação sexual) não houve desavença (entre os envolvidos) — relata a delegada.

O tumulto aconteceu na praça da Avenida Fernando Luzatto, no centro da cidade, quase em frente à prefeitura, local que historicamente é conhecido como um ponto de encontro noturno e, consequentemente, palco de badernas, segundo a Brigada Militar (BM). 

A morte de Arlindo Elias Pagnoncelli, 39 anos, é motivo de investigação na Polícia Civil do município de Nova Prata, na Serra. O homem morreu na tarde de terça-feira (17), em um hospital de Vacaria, cerca de dez dias após ser espancado na praça central de Nova Prata. Cerca de 40 pessoas avançaram em Pagnoncelli no último dia 8 por volta das 22h30min. Ele foi encaminhado para o hospital da cidade, mas transferido cerca de dois depois para o outro município por conta do estado de saúde agravado. No dia do ataque, um domingo de tempo firme, muitas pessoas estavam reunidas no local.<!-- NICAID(14646505) -->
A vítima Arlindo Elias Pagnoncelli Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

O linchamento foi filmado por diversas testemunhas. As imagens mostram Pagnoncelli sendo agredido com socos e chutes por diversas pessoas. Mesmo caído e desacordado, a vítima continuou a ser espancada.

Pagnoncelli era solteiro e trabalhava como lixador de mármore em uma mineradora havia 20 anos. Ele foi socorrido e encaminhado para um hospital de Vacaria, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 17 de novembro.

O caso chamou atenção pela brutalidade e a quantidade de agressores envolvidos. Dezenas de pessoas testemunharam e até filmaram a confusão. As imagens mostram que poucos tentaram acalmar os ânimos e, ainda assim, a vítima é repetidamente agredida.

— Nova Prata não tem uma anormalidade e nem histórico de espancamentos. Foi um fato isolado. Só que realmente foi um número muito grande de agressores. Quando a guarnição chegou, ele já estava desacordado e ainda assim os PMs tiveram que fazer a dispersão — aponta o capitão Rogério Schuh, comandante da 2ª Companhia do 3º Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas.

A Polícia Civil já colheu mais de 40 depoimentos sobre a confusão, sendo que os principais envolvidos prestaram três depoimentos cada. Contudo, a delegada Liliane aponta que há muitas contradições nos relatos, o que atrasa o trabalho policial. Pelo menos 12 agressores já foram identificados.

— Estamos trabalhando na individualização de condutas, alguns suspeitos serão indiciados por lesão corporal e outros por homicídio qualificado — diz a delegada.

 
 
 
 
 
 
 
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