Presos três suspeitos de assassinatos em saída de boate em Porto Alegre - Polícia

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Investigação10/11/2020 | 09h44Atualizada em 10/11/2020 | 09h44

Presos três suspeitos de assassinatos em saída de boate em Porto Alegre

Outros três investigados estão foragidos e três já estavam no sistema prisional

Presos três suspeitos de assassinatos em saída de boate em Porto Alegre Polícia Civil/Divulgação
Policiais cumpriram mandados de prisão em busca de autores de assassinato ocorrido em 2018 Foto: Polícia Civil / Divulgação

Uma ação da Polícia Civil prendeu, na manhã desta segunda-feira (9), três suspeitos de envolvimento no assassinato de duas pessoas na saída de uma boate na Avenida Sertório, na zona norte de Porto Alegre, em 18 de abril de 2018. Após mais de dois anos de investigação, a 2ª Delegacia de Homicídios concluiu que o crime aconteceu em um contexto de disputa do tráfico de drogas por facções em Cachoeirinha, na Região Metropolitana.

Por volta das 6h, policiais cumpriram mandados em Alvorada, Cachoeirinha e Gravataí em busca de seis dos nove identificados na investigação que não haviam sido presos. Um dos três presos é o gerente da casa noturna, que, segundo a investigação, repassou informações para os atiradores sobre a saída dos alvos de dentro do estabelecimento.

Outros três criminosos seguem foragidos. GZH confirmou que um deles é Tiago Soares da Silva, 37, conhecido como Pequeno. A apuração identificou que ele possui atuação no tráfico na cidade de Cachoeirinha e envolvimento em outros crimes. Responsável pela investigação, a delegada Roberta Bertoldo admitiu que ele é "o mais procurado" pelo crime na saída da boate.

Além dos três detidos nesta segunda-feira e dos três que seguem foragidos, três já estavam no sistema prisional por outros crimes. Um deles é Michel Renan Bragé, que já é conhecido da polícia por dois casos de violência. Entre eles, o assassinato da menina Alice Beatriz, de um ano, que foi morta com o pai e a mãe, em setembro de 2018, no bairro Rubem Berta. Ele também foi acusado de ser o mandante da execução da modelo Nicolle Brito Castilho da Silva, 20 anos, em junho de 2017.

Para a delegada Roberta, a forma como o crime aconteceu e os elementos levantados na investigação apontam que os homicídios foram cometidos por uma facção para atingir membros de um grupo rival:

— Eles (criminosos) já tinham tentado fazer esse crime durante aquela semana, mas não conseguiram porque as vítimas acabaram não indo na boate naquela oportunidade. Dias depois, acabaram logrando êxito. A investigação toda resultou em nove prisões preventivas e mandados de busca e apreensão.

Áudios apontam ordem para chacina

Áudios obtidos pela investigação deixam claro a ordem da quadrilha para executar quem estivesse com os alvos no carro, independente da relação dessas pessoas com as facções.

"Se partir na frente, dá um rajadão no segurança. Toca bala em quem correr e mata uns dois, três inocentes. Chacina, cupincha", diz o criminoso.

Em outro, a polícia obteve um áudio, apontado na investigação como do gerente da boate, relatando aos membros da grupo que pessoas feridas conversavam com os policiais após o tiroteio:

Carro bateu em muro após o crimeFoto: Felipe Daroit / GaúchaZH

"Tem dois sobrevivente ali com os homens".

Com a Delegacia de Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), a Polícia Civil descobriu que a mesma facção também é responsável pelo roubo cometido na empresa de transporte de valores STV. Conforme a polícia, o grupo levou "uma grande quantidade de dinheiro" naquela oportunidade. Os valores não foram recuperados.

O crime

No fim da madrugada de 18 de abril de 2018, seis pessoas saíam da boate em um Vectra quando criminosos em um Focus se aproximaram e abriram fogo. Após o motorista do Vectra perder o controle do carro e bater, os atiradores desceram do outro veículo, aproximaram-se e dispararam de novo com pistolas adaptadas para dar tiros em rajada.

Morreram Nilton Moraes Ferreira, 36 anos, e Renan da Silva dos Santos, 19. Os dois possuíam passagens por homicídio. Outras quatro pessoas ficaram feridas.

A polícia pede que informações sobre o paradeiro dos criminosos sejam repassadas ao telefone 0800-642-0121. A corporação garante sigilo do denunciante.  

Contraponto

Procurado por GZH, o advogado de Michel Renan Bragé, Adriano Marcos Santos Pereira, disse ainda não ter tido acesso à investigação e, por isso, não iria se manifestar por enquanto.  

 
 
 
 
 
 
 
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