Suspeitos do "golpe do cartão de crédito clonado", que causou prejuízo de mais de R$ 500 mil no RS, são presos - Polícia

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No RS e em SP09/12/2020 | 09h37Atualizada em 09/12/2020 | 09h37

Suspeitos do "golpe do cartão de crédito clonado", que causou prejuízo de mais de R$ 500 mil no RS, são presos

Policiais civis cumprem cerca de 70 ordens judiciais contra grupo que fez mais de 60 vítimas gaúchas, a maioria idosos  

Suspeitos do "golpe do cartão de crédito clonado", que causou prejuízo de mais de R$ 500 mil no RS, são presos Polícia Civil/Divulgação
Cerca de 170 policiais cumpriram 56 mandados de busca e 20 de prisão em São Paulo e no Rio Grande do Sul Foto: Polícia Civil / Divulgação

A Polícia Civil gaúcha investiga há seis meses uma organização criminosa que tem base em São Paulo, mas atua no Rio Grande do Sul a partir do "golpe do cartão clonado", a maioria contra idosos. São 67 vítimas registradas neste ano em nove cidades do Estado e com prejuízo de R$ 550 mil. Cerca de 170 policiais civis já prenderam, nesta terça-feira (8), 15 suspeitos durante o cumprimento de 70 ordens judiciais.  

Segundo a investigação, os dois líderes da quadrilha, que ficam em São Paulo, capital do Estado, estão entre os detidos. Eles comandavam os crimes de estelionato e enviavam pessoas para recolher os cartões nas casas das vítimas. 

Entre todos os 43 golpistas identificados, há os líderes, telefonistas e motoboys. O delito também é chamado de "golpe do motoboy" porque muitos dos envolvidos vão até as casas das vítimas de moto buscar cartões em uma falsa informação de clonagem — que é alertada pelos suspeitos às vítimas. Duas centrais telefônicas foram descobertas, ambas em Brasilândia, no interior paulista.  

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Duas centrais telefônicas usadas pelos criminosos foram descobertas pela polícia no interior paulista Foto: Polícia Civil / Divulgação

Como funciona o golpe

Um criminoso liga para vítima, quase sempre idosa, dizendo que houve compras no cartão de crédito. A pessoa nega e é orientada a ligar para o banco, por meio do número que está no verso do cartão. Mas a ligação para o número verdadeiro da central bancária é desviada pelos criminosos por meio de uma central telefônica que tem instalado um sistema conhecido como URA, de Unidade de Resposta Audível, que permite uma série de recursos de telefonia, como por exemplo, atender, transferir e desligar uma ligação.

Após o desvio da ligação para o banco, por meio das centrais telefônicas clandestinas da quadrilha, a vítima fala com outro criminoso que informa ter ocorrido uma clonagem. Tudo é falso e, é nesse momento, que ela repassa todos os dados, inclusive a senha. A pessoa também é orientada a cortar o atual cartão sem danificar o chip, a fazer uma carta avisando o banco, autorizar investigação sobre o fato, além de bloquear o cartão. Como há a pandemia e o distanciamento social, com grande risco para idosos saírem de suas residências até uma agência bancária, um motoboy — que é mais um integrante da quadrilha — vai até a casa das pessoas  pegar todo o material, como se fosse mais um serviço para auxiliar no falso procedimento. 

Por fim, a vítima é orientada ainda a desligar o celular por algumas horas para realização de todo o processo. Com isso, ela não consegue ver os alertas bancários sobre saques e compras com o seu cartão. O golpe ocorre porque os criminosos conseguem obter senha e até mesmo o chip dos cartões das vítimas.

A polícia ainda identificou que a quadrilha fez vítimas em diversos Estados do país: além do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, Paraná, Piauí, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. As vítimas no Estado são de Santa Maria, Cachoeira do Sul, Rio Pardo, Passo Fundo, Pelotas, Rio Grande, Erechim, Caxias do Sul e Soledade. 

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Durante as mais de 70 ordens judiciais, foram apreendidos cartões, documentos, faturas e também celulares Foto: Polícia Civil / Divulgação

Prisões

Até as 11h30min, os cerca de 170 agentes gaúchos e paulistas, a maioria de São Paulo, cumpriram 56 mandados de busca e 20 de prisão nos dois Estados: além de Santa Maria e Pelotas, mais oito cidades paulistas, incluindo a Capital. Há 15 presos, todos em São Paulo, onde há equipes das polícias de Santa Maria e Pelotas coordenando as ações. A polícia ainda apura a ligação deste grupo com uma facção criminosa que tem base no Estado paulista. A investigação é das delegacias de Polícia de Proteção ao Idoso e Combate a Intolerância de Santa Maria e 1ª Delegacia de Polícia de Pelotas.

Em São Paulo, as ações ocorreram na Capital e em São Caetano, Pindamonhangaba, Caieiras, Santana de Parnaíba, Praia Grande e Cajamar, além de Brasilândia. 

 
 
 
 
 
 
 
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