Objetivo de criminosos que mataram grávida e bebê em Porto Alegre era atingir qualquer pessoa na rua, diz polícia - Polícia

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Atentado na Zona Sul13/01/2021 | 09h26Atualizada em 13/01/2021 | 09h26

Objetivo de criminosos que mataram grávida e bebê em Porto Alegre era atingir qualquer pessoa na rua, diz polícia

Crime ocorreu em 28 de dezembro. A educadora Cíntia Rosa da Silva, 29 anos, que estava indo comprar pão, foi baleada nas costas

Objetivo de criminosos que mataram grávida e bebê em Porto Alegre era atingir qualquer pessoa na rua, diz polícia Arquivo pessoal/
Cíntia esperava pelo terceiro filho, mas acabou alvejada nas costas Foto: Arquivo pessoal
Leticia Mendes

A polícia descreve o que aconteceu na Rua Orfanotrófio, no bairro Santa Tereza, ao entardecer do dia 28 de dezembro, como um atentado. A apuração aponta até o momento que pelo menos quatro criminosos armados desembarcaram de um veículo e dispararam a esmo. O objetivo, segundo a investigação, era atingir qualquer pessoa que estivesse na rua, como forma de ataque ao grupo criminoso rival, que domina o tráfico de drogas na região.

Um dos disparos atingiu Cíntia Rosa da Silva, 29 anos, grávida de sete meses. Alvejada nas costas, a educadora ainda foi socorrida com vida. Deu entrada no Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul em parada cardiorrespiratória e não resistiu.

Em cesárea de emergência, nasceu a bebê, que recebeu o nome de Lívia. A recém-nascida precisou ser transferida para a UTI Neonatal do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, mas morreu um dia após a mãe.

— Esse atentado não tinha como intenção atingir especificamente alguém e sim chegar lá e atirar para todos os lados. Esses indivíduos desceram do carro e começaram a atirar para todos os lados, atingindo qualquer pessoa, não importava quem — descreve a delegada Roberta Bertoldo, da 2ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que apura o caso.

Além da morte de Cíntia e da bebê, os criminosos atingiram mais dois homens, envolvidos com o grupo criminoso rival. Ambos receberam atendimento médico e foram liberados. Quando ouvidos pela polícia, eles confirmaram que o crime possui relação com a disputa pelo tráfico de drogas.

Cíntia foi alvejada quando andava pela rua, a caminho de um comércio próximo, onde pretendia comprar pão. A educadora, que trabalhava em uma escola de Educação Infantil no bairro Menino Deus, estava em licença-maternidade. Casada, já era mãe de outros dois filhos.

— A Cíntia infelizmente foi atingida de forma bem ocasional, ou seja, ela não tem absolutamente nada a ver com os fatos criminosos. Foi uma tragédia. Ela estava no lugar errado e na hora errada — afirma a delegada.

Disputa

Os quatro atiradores estavam a bordo de um Peugeot 207 Passion, que havia sido roubado dias antes na Região Metropolitana. O veículo foi abandonado logo após o crime e apreendido pela Brigada Militar. O automóvel foi encaminhado para perícia, em busca de vestígios. A polícia ainda busca identificar quem foram os autores dos disparos.

— De fato, o atentado aconteceu em razão de divergências entre dois grupos criminosos que disputam áreas do tráfico de drogas numa determinada cidade da Região Metropolitana. É sobre isso que está centrada a nossa investigação. Aquele local ali, onde eles estavam, seria de domínio de uma determinada facção criminosa — diz a delegada.

Imagens de câmeras de segurança foram divulgadas pela polícia cerca de uma semana após o crime. Nelas, dois homens aparecem correndo em um dos becos do bairro. Segundo a investigação, os dois teriam participado do tiroteio.

Os autores dos disparos, quando identificados, responderão pelo duplo homicídio, de mãe e filha, e pelas duas tentativas de homicídio, contra os dois que foram baleados, mas sobreviveram.

— Os feridos não eram necessariamente os alvos. Na conclusão do inquérito, vai ser possível explicar melhor a relação dos dois com o fato. Nossa investigação avançou muito nesse período. Estamos apurando com cautela, colhendo elementos investigatórios para que se possa fazer a conclusão do inquérito em breve — diz Roberta.

Informações podem ser repassadas à Polícia Civil sobre o caso pelo telefone 0800 642 0121.

 
 
 
 
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