Encontro com perfil fake e suspeito assassinado: o que a polícia sabe sobre sumiço de jovem há oito meses - Polícia

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Vale do Taquari11/02/2021 | 14h38Atualizada em 11/02/2021 | 14h38

Encontro com perfil fake e suspeito assassinado: o que a polícia sabe sobre sumiço de jovem há oito meses

Matheus Robson Webers Corrêa, 20 anos, saiu de casa, em Estrela, para encontrar mulher que conheceu nas redes sociais e não retornou mais

Encontro com perfil fake e suspeito assassinado: o que a polícia sabe sobre sumiço de jovem há oito meses Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Matheus desapareceu na noite de 16 de junho de 2020 Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Prestes a completar oito meses, o desaparecimento de Matheus Robson Webers Corrêa, 20 anos, em Estrela, no Vale do Taquari, ainda é um mistério que angustia a família e desafia a polícia. O jovem saiu de casa na noite de 16 de junho do ano passado dizendo que iria conhecer uma mulher em Arroio do Meio, na mesma região, com quem vinha conversando pelas redes sociais e não retornou mais.

A principal linha de investigação da Polícia Civil é a de que o sumiço esteja ligado a uma retaliação passional. O delegado Juliano Stobbe não dá mais detalhes sobre a hipótese, pois aguarda a confirmação de apurações que ainda estão em andamento.

— Informações de todos os sentidos chegaram até nós. De que ele teria sido morto e enterrado, de que teria fugido por ter problemas com drogas. Nenhuma delas foi plenamente confirmada. Até desaparecer, ele não era alvo de nenhuma investigação da polícia. Sobre a questão de ter sido um crime passional, ainda é pendente de análise. É nossa missão estabelecer essa certeza.

Até o momento, nenhum elemento do inquérito leva a crer que Matheus tenha envolvimento com tráfico de drogas ou cultivava inimigos em Estrela. O perfil no Facebook da suposta mulher com quem Matheus teria marcado o encontro foi excluído da rede social após seu desaparecimento. Segundo o delegado, o nome Amanda Falcão, que constava no perfil, é de uma pessoa que não existe. Matheus disse a um dos irmãos que a mulher mandaria um carro para ir buscá-lo e levá-lo até a casa dela na cidade vizinha e ele retornaria na manhã do dia seguinte.

— Um perfil fake convidou ele para sair, mas não sabemos se ele não foi forçado a ir. Até o momento, não existe nenhuma prova de violência — afirma o policial.

A delegacia aguarda perícia de um celular apreendido no final de 2020 com um dos suspeitos de ter ido buscar o jovem na noite em que ele desapareceu. O aparelho foi apreendido durante diligências de outra investigação, sobre um caso de tráfico de drogas em Arroio do Meio. Ao averiguar o telefone, os agentes identificaram que se tratava do smartphone de um dos suspeitos. A perícia, feita em Porto Alegre, deve recuperar fotos e mensagens apagadas. A expectativa da polícia é de que sejam localizadas fotos de Matheus no telefone.

Natural de Estrela, o jovem de 20 anos que é dono do celular e suspeito de ter buscado o jovem em casa na noite em que desapareceu foi morto com outras duas pessoas em uma festa clandestina em um galpão em Cruzeiro do Sul, também no Vale do Taquari, em 24 de janeiro. Quando a polícia chegou ao local, já não havia ninguém, apenas os corpos das vítimas. Outras duas pessoas ficaram baleadas.

— Não contávamos com o depoimento dele, pois provavelmente não falaria a verdade. O mais importante é o que tem no celular — considera o delegado.

Um Vectra, que pode ter sido usado para levar Matheus de uma cidade a outra, foi encontrado carbonizado no interior de Arroio de Meio cerca de 10 dias após o sumiço. Dentro do veículo, não havia vestígios de nenhum corpo.

Na avaliação de Stobbe o caso é complexo pois ninguém fala abertamente, as informações que chegam à delegacia são vagas e, principalmente, por não se saber o paradeiro do corpo. Há dois meses uma ossada foi localizada em Estrela. O teste DNA  comprovou que os restos mortais não eram compatíveis com a genética de Matheus.

— Uma das maiores dificuldade é que não se tem corpo. Não se sabe o que aconteceu com ele. Com base nas informações que temos, não existe possibilidade de tentarmos buscas por um corpo porque não há informação precisa. Acreditamos que esteja morto, mas não descartamos o contrário.

Quando desapareceu, Matheus não trabalhava nem estudava. Sempre morou no bairro Moinhos, em uma casa com seis irmãos e a mãe. Na época do sumiço, tinha namorada. Segundo a mãe, a dona de casa Fátima Webers, 39 anos, o filho saía pouco e, quando ia na casa dos amigos, não demorava a retornar. Desde junho de 2020, a família não recebeu qualquer pista sobre o paradeiro do jovem e nenhum pedido de resgate – o que faz a polícia descartar a possibilidade de sequestro.

— Minha esperança é de que ele ainda esteja vivo. Não imagino o que pode ter acontecido, convivo com essa dúvida. É uma angustia e um desespero de todos nós. Ele era um jovem quieto, contava algumas coisas, mas outras não — afirma a mãe.

Na noite em que saiu de casa pela última vez, Matheus usava calça jeans camuflada, tênis preto, um casaco vermelho com azul, boné verde e mochila laranja. Informações sobre o paradeiro de Matheus podem ser repassadas à Polícia Civil, pelo número 197 ou no telefone da Delegacia de Polícia de Estrela: (51) 3712-1220.

 
 
 
 
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