Mulher assassinada pelo ex-companheiro havia procurado polícia para registrar ameaças no dia em que foi morta - Polícia

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Feminicídio27/03/2021 | 07h00Atualizada em 27/03/2021 | 07h00

 Mulher assassinada pelo ex-companheiro havia procurado polícia para registrar ameaças no dia em que foi morta

Adriana Almeida de Oliveira, 28 anos, tinha medida protetiva em vigor desde segunda-feira (22)

 Mulher assassinada pelo ex-companheiro havia procurado polícia para registrar ameaças no dia em que foi morta Arquivo pessoal / Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Adriana, 28 anos, morava em Sapucaia do Sul desde os 18 anos e estava feliz com a possibilidade de ser promovida Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

A operadora de caixa Adriana Almeida de Oliveira, 28 anos, foi até a 2ª Delegacia de Polícia de Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana, no final da manhã desta quinta-feira (26) para registrar ocorrência por ameaça. Ela vinha sendo intimidada pelo companheiro Marcos Antonio Caumo, 38 anos, de quem estava tentando se separar. O boletim foi formalizado às 11h19min. Pouco mais de duas horas depois, às 14h, Adriana foi morta a facadas por ele em frente ao supermercado em que trabalhava.

O marido chegou ao local de trabalho de Adriana dizendo que queria conversar com ela no carro. Na rua, a mulher foi assassinada. Testemunhas tentaram intervir e um policial militar da reserva tentou resgatá-la, dando ordem para Caumo parar. Como o ataque continuou, o policial atirou. Caumo morreu no local e Adriana não resistiu aos ferimentos.

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A operadora de caixa procurou a polícia duas vezes nos quatro dias que antecederam sua morte. A primeira foi na segunda-feira (22), quando fez o mesmo registro por ameaça. Contou aos agentes que estava querendo se separar, mas o companheiro não aceitava. Tentava deixar a casa, mas ele não permitiria. Disse que era intimidada com faca. A Polícia Civil então representou pelo pedido de medida protetiva, aceito na mesma data pelo Judiciário.

— As medidas protetivas foram deferidas. O sistema de acolhimento e proteção foi acionado e foi feito aquilo que tinha de ser feito. O Estado não consegue, infelizmente, deixar um policial com as mulheres vítimas de violência 24 horas por dia. É humanamente impossível. Infelizmente, foi uma tragédia. Ele estava decididamente disposto a matar a ex-companheira como o fez. Ela fez a parte dela, que é procurar a polícia. E nós fizemos a nossa, que é representar ao Poder Judiciário — afirma o delegado Tiago Carrijo.

Ele me ameaçou com facão na cara. Disse que se eu não for dele, não vou ser de mais ninguém.

ADRIANA ALMEIDA DE OLIVEIRA

Em áudio enviado ao irmão dois dias antes do crime

Adriana também contou a familiares sobre as ameaças. Na terça-feira (23), depois de ter ido à polícia, enviou um áudio de dois minutos a um dos irmãos narrando agressões:

— Ele me ameaçou com facão na cara. Disse que se eu não for dele, não vou ser de mais ninguém. E se ele me ver na rua com outro, disse que vai me matar. Ele tá bem fora da casinha.

Na gravação, a qual GZH teve acesso, ela conta que já havia alugado uma nova casa e estava providenciando a mobília. Disse que tinha três vídeos de agressões de Caumo e que o companheiro estava dificultando a divisão dos bens – como a casa, o terreno e o veículo do casal:

— Faz um tempo que eu e o Marcos, que a gente vem se desentendendo. Ele é muito agressivo com palavras, vive dizendo que ele trabalha mais, investe mais, óbvio que ele ganha mais que eu. Chegou um ponto que meu amor por ele acabou. Não quero mais ficar com ele e aí ele inferniza meu serviço. Ele quer que eu saia do serviço para ir trabalhar com ele para ele me vigiar 24 horas. Eu poderia sair e fazer isso, mas não amo mais o Marco. Por que vou fazer isso? Ele não quer aceitar o fim.

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Adriana nasceu em Esteio, mas aos quatro anos se mudou para a Campanha com a família. Até os 18 anos, viveu com os seis irmãos no interior de Bagé, onde o pai trabalha na produção de leite. Voltou para a Região Metropolitana em busca de emprego e conheceu Caumo. Depois de um aborto espontâneo, mantinha o sonho de ser mãe. Trabalhava como operadora de caixa em um supermercado do bairro Vargas e, segundo a família, estava contente com a possibilidade de ser promovida nos próximos dias.

— Sabíamos que algo estava acontecendo. Há algumas semanas soubemos que ele estava ameaçando ela. E também sabíamos que ela registrou ocorrência — conta o irmão Adriano Almeida de Oliveira, 29 anos.

Ao saber a situação que a filha enfrentava em Sapucaia, o pai de Adriana chegou a sugerir que ela passasse uma temporada em Bagé, onde será sepultada nesta sexta-feira (26).

 
 
 
 
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