Mulher mantida em cárcere privado é resgatada após escrever pedido de ajuda em prontuário médico em Cidreira - Polícia

Versão mobile

 
 

¿SOS ajuda¿16/03/2021 | 11h49

Mulher mantida em cárcere privado é resgatada após escrever pedido de ajuda em prontuário médico em Cidreira

Vítima fingiu passar mal e foi levada a posto de saúde pelo namorado, que foi preso em flagrante. Ela contou que ficou duas semanas trancada em casa

Mulher mantida em cárcere privado é resgatada após escrever pedido de ajuda em prontuário médico em Cidreira Prefeitura de Cidreira / Divulgação/Divulgação
Pedido de ajuda escrito no prontuário médico Foto: Prefeitura de Cidreira / Divulgação / Divulgação

Uma mulher fingiu passar mal e pediu atendimento no posto de saúde 24 horas de Cidreira, no Litoral Norte, na noite de segunda-feira (15). Ela foi ao local com o namorado, que, segundo relatou, a mantinha em cárcere privado.

Aproveitando-se de um descuido do companheiro, ela escreveu no prontuário médico: "SOS ajuda". Os profissionais do posto rapidamente acionaram a Brigada Militar, e o homem foi preso em flagrante.

Segundo boletim de ocorrência, a vítima conversou com os policiais após a prisão. Ela informou que estava sendo mantida trancada em casa há duas semanas pelo namorado.

A mulher relatou que era impedida de sair do imóvel e que as chaves da casa, bem como o controle do portão, ficavam com o companheiro. Além disso, todos os telefones estavam sob posse dele.

Durante o período em que ficou trancafiada, ela relatou que era ofendida constantemente, inclusive com palavras de baixo calão. Contou ainda ter sido várias vezes agredida com tapas, socos, chutes e puxões de cabelo.

Além de ser ameaçada a todo momento, o homem teria feito ameaças de morte a familiares dela. A mulher afirmou ainda que foi obrigada a manter relações sexuais com o agressor. 

Segundo o registro da ocorrência, o homem tinha ciúmes da namorada e, por isso, não queria que ela saísse de casa. Os dois não moravam juntos, e a vítima havia marcado apenas um encontro com ele.

Ela ainda falou à polícia que o namorado colocava música em volume alto quando ocorriam as agressões. A medida era para evitar que alguém pudesse ouvir os gritos dela.

Pedido de ajuda

Segundo a mulher, a ideia de fingir estar passando mal foi o único recurso que conseguiu pensar, já que não tinha contato com ninguém fora da casa onde era mantida. De acordo com ela, quando o namorado se afastou por um instante, no posto de saúde, conseguiu pedir por socorro.

O secretário de Saúde de Cidreira, João Eugênio Bertuzzi, informou que o município está trabalhando de forma direta para qualificar o atendimento a mulheres, principalmente durante a pandemia. Segundo ele, todos os profissionais dos postos de atendimento foram orientados a conversar e a detectar possíveis fatos para auxiliar as pacientes.

— E a atenção é redobrada quando recebemos mulheres e meninas que buscam atendimento. O objetivo é saber, com todo o cuidado possível, o que realmente aconteceu antes do problema de saúde. Essa moça teve a coragem de nos passar a situação dela, e as funcionárias foram ágeis, ligando automaticamente para a Brigada Militar e já resguardando a jovem. Isso nos deixa muito satisfeitos, acredito que, mais cedo ou mais tarde poderia ocorrer algo pior. Salvamos uma vida — diz.

Antecedentes criminais

O namorado da vítima tem antecedentes criminais por constrangimento, lesão corporal, vias de fato, desacato, perturbação da tranquilidade e posse de entorpecente. O delegado de Cidreira, Alexandre Souza, destaca que ele vai ser ouvido novamente e que está instaurando, nesta terça-feira (16), inquérito para apurar cárcere privado, lesão corporal, ameaça e estupro.

A mulher, assim como familiares dos dois e vizinhos, também serão ouvidos. A polícia ainda solicitou vários exames periciais. Os nomes dos dois não estão sendo divulgados para preservar a vítima.

Souza diz ela reside na Região Metropolitana e ele, no Litoral. Além disso, a investigação já confirmou que o preso é usuário de drogas e tem problemas com bebidas alcoólicas. O homem foi encaminhado para o presídio de Osório. 

Como pedir ajuda

Para denunciar casos de violência contra a mulher contate o Disque-Denúncia pelo telefone 181. Além disso, há os Centros de Referência da Mulher, delegacias especializadas e a Defensoria Pública.

 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
Imprimir
clicRBS
Nova busca - outros