O que se sabe até o momento sobre assassinato de policial militar em Gravataí - Polícia

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Região Metropolitana19/03/2021 | 07h00Atualizada em 19/03/2021 | 07h00

 O que se sabe até o momento sobre assassinato de policial militar em Gravataí

Com quase 15 anos de BM, soldado Cristian da Rosa Oliveira, 36 anos atuava no setor de Inteligência em Cachoeirinha

 O que se sabe até o momento sobre assassinato de policial militar em Gravataí Brigada Militar / Divulgação/Divulgação
Corpo de soldado estava dentro de veículo no bairro Morada do Vale Foto: Brigada Militar / Divulgação / Divulgação
Leticia Mendes

O porto-alegrense Cristian da Rosa Oliveira, 36 anos, deveria completar em junho 15 anos de Brigada Militar. No inverno de 2006, ingressou no curso para formação de policiais militares na Região Metropolitana. Formado, em dezembro daquele mesmo ano seguiu para o 26º Batalhão de Polícia Militar (BPM) em Cachoeirinha, onde atuava até então. Foi de lá que o soldado saiu às 19h de quarta-feira (17). Completou seu último serviço. Cerca de uma hora e meia depois, foi morto a tiros em Gravataí.

O caso é investigado pela Polícia Civil, que apura tanto as hipóteses de latrocínio (roubo com morte), como de homicídio — neste caso, a possível motivação é apurada. A arma do policial, uma pistola, foi o único item que desapareceu. O corpo dele foi encontrado dentro do próprio veículo. O crime aconteceu no residencial Ibiza, no bairro Morada do Vale. O soldado residia em Cachoeirinha com a esposa, mas, segundo a polícia, familiares dele moram nas proximidades de onde aconteceu o fato.

Oliveira começou a carreira no 26º BPM no policiamento ostensivo. Mais recentemente, havia sido transferido para o setor de Inteligência da BM.  

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— Um excelente profissional, tanto que estava no nosso setor de Inteligência. Muito competente, técnico. Muito querido por todos. Gera uma comoção muito fortes nos colegas, em virtude de tudo. A corporação perde um excelente soldado. Todos perdem. A comunidade perde, os familiares. Era um policial jovem, 36 anos, e muito dedicado. Agora só podemos aguardar a elucidação dos fatos — afirma o major Maurício Huster, que atua há cerca de um ano como comandante do 26ºBPM.

Até o fim da manhã, a família ainda aguardava a liberação do corpo de Oliveira do Departamento Médico-Legal (DML), na Capital. Depois disso, será encaminhado até Cachoeirinha, onde será realizado velório na capela da Funerária Rainha da Paz, a partir das 20h desta quinta-feira. O sepultamento do soldado está marcado para a manhã desta sexta (19), às 10h, no Cemitério Memorial da Colina. Em razão da bandeira preta, os atos fúnebres devem ter acesso restrito.

Como teria sido o crime  

A investigação sobre a morte do soldado se iniciou ainda durante a madrugada, quando algumas pessoas foram ouvidas. Os relatos colhidos pela polícia até o momento indicam que pelo menos três teriam participado do crime. Oliveira teria sido abordado por dois homens quando estava dentro do seu carro, um Ônix. Duas pessoas foram vistas correndo em direção a um veículo, onde já havia alguém no volante.

— Por enquanto, a única versão concreta que temos é de um roubo. Que teriam tentado roubar o veículo dele. Mas nos chegou também a possibilidade de não ser latrocínio, estamos apurando — afirma o delegado Guilherme Calderipe, da 2ª DP de Gravataí.

No momento da abordagem, Oliveira teria reagido e atirado em um dos criminosos que tentou abrir a porta do motorista. A polícia suspeita que na sequência ele tenha saído do carro e possa ter sido baleado no momento em que retornava para o veículo — já que os disparos atingiram as costas do soldado. O corpo do PM estava no banco do carona do veículo.

— Estamos tentando entender a dinâmica ainda. Saber se ele realmente reagiu. Mas, em tese, teria sido isso. Teria saído do carro e numa tentativa de voltar acabou atingido nas costas. Por isso, o corpo estava no banco do carona — diz o delegado.

Foram ouvidos pelas testemunhas pelo menos seis estampidos – quatro deles atingiram o policial militar. Havia uma mancha de sangue no trajeto de onde os autores escaparam, o que reforça a hipótese de que o PM chegou a balear um deles. Um suspeito que buscou atendimento médico em Alvorada, com um ferimento provocado por um disparo no abdômen, é investigado.

A polícia tenta esclarecer também em que momento foi levada a arma do policial, já que duas pessoas foram vistas fugindo do local correndo após os disparos. Nenhuma das testemunhas ouvidas até agora informou se havia mais alguém dentro do carro com o policial no momento do crime.

— Estamos verificando. Mas no momento da abordagem, ao que tudo indica, ele estava sozinho — diz o delegado.

O pai do policial reside nas proximidades de onde aconteceu o crime. A informação que a polícia recebeu dos familiares é de que Oliveira teria ido visitá-lo. Os investigadores tentam obter novas imagens de câmeras de segurança. Durante a madrugada, foi localizado um vídeo que mostra o momento em que um Gol branco passa pelo local. A dupla teria ingressado em um veículo com estas mesmas características.

— Buscamos mais imagens de câmeras. Estamos ouvindo as pessoas que viram ou sabem de algo. Estamos tentando montar um quebra-cabeça — afirma Calderipe.

 
 
 
 
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