Desaparecimento de adolescente completa sete meses sem respostas em Porto Alegre - Polícia

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Mistério 27/04/2021 | 07h00Atualizada em 27/04/2021 | 07h00

Desaparecimento de adolescente completa sete meses sem respostas em Porto Alegre

Letícia Torquato Pereira morava com os avós no Centro Histórico 

Desaparecimento de adolescente completa sete meses sem respostas em Porto Alegre Arquivo pessoal / Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal / Arquivo pessoal
Leticia Mendes

Há sete meses, familiares vivem a angústia de não ter notícias sobre o paradeiro de uma adolescente, moradora do Centro Histórico de Porto Alegre. Letícia Torquato Pereira, à época com 15 anos, desapareceu em 18 de setembro do ano passado, quando saiu de casa para ir até a Usina do Gasômetro. Desde então, os parentes tentam descobrir onde está a garota. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.  

Letícia residia com os avós maternos na Rua Demétrio Ribeiro, em um apartamento de onde saiu naquela tarde e não regressou mais. Alguns dias depois, fez contato por telefone com a avó Dirlei Torquato, 67 anos. Na ligação rápida, prometeu regressar em breve, mas não voltou. Depois disso, não houve mais informações concretas sobre o destino da adolescente.

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  — Não tem sido fácil para ninguém. É desesperador. Não sabemos absolutamente nada. Tudo é uma incógnita. Mas não perdemos as esperanças. Continuamos em orações, acreditando no trabalho da polícia, na apuração deles — diz Dirlei, que é a responsável legal pela adolescente.  

O pai de Letícia faleceu antes do nascimento dela, em outubro de 2004, vítima de latrocínio, ao reagir a um assalto na Zona Sul. Dezesseis anos depois de perder o filho Rodrigo de Carvalho Pereira, que tinha 22 anos, alvejado por um tiro no abdômen, a aposentada Valéria Beatriz de Carvalho, 67 anos, vive o drama de não ter respostas sobre o paradeiro da neta.  

— É terrível. Não sou de ficar quieta. Quando meu filho foi morto, não me calei, fui atrás. Até tudo se esclarecer. Agora, vivo nova angústia com a filha dele — descreve a avó, que na época foi uma das fundadoras da ONG Corações e Mentes Contra a Violência, por meio da qual manteve contato com outros pais que tinham perdido filhos de forma violenta.  

Em 2004, Valéria conheceu a mãe de Letícia no velório do filho, já que os dois não mantinham um relacionamento. Ele sabia que a jovem estava grávida, mas não teve tempo de conhecer a bebê. A menina nasceu quatro meses após a morte do pai, em 2 de fevereiro de 2005. A chegada da criança, recorda a avó, foi um alento após a perda precoce.  

— Estava de luto ainda, quando fizemos o chá de bebê da Letícia. Era um pedacinho do Rodrigo que continuava ali. Tinha uma ligação muito forte com ela — diz a avó.  

Valéria conta que chegou a comprar três vestidos para presentear a neta, mas que não houve tempo para entregá-los. Agora, apega-se nas roupas, na expectativa de que ainda possa ver a adolescente. Os familiares seguem compartilhando nas redes sociais publicações em busca do paradeiro da adolescente. As duas avós concordam que a menina não permaneceria tanto tempo sem fazer contato com a família e temem pelo pior. Valéria, quando fica sabendo de alguma informação sobre algum corpo feminino localizado, desespera-se.  

— Sempre que vejo uma notícia assim vou atrás para saber. Temos que estar sempre alerta. É uma angústia constante. Vivo em função disso. Não passa nunca — desabafa. 

Investigação  

A diretora da Divisão Especial da Criança e Adolescente (Deca), delegada Eliana Parahyba Lopes, diz que três linhas de investigação são apuradas em relação ao caso. A policial prefere, no entanto, não detalhar as apurações no momento, para não atrapalhar o andamento do caso.  A polícia aguarda ainda a quebra de sigilos de dados tanto da adolescente, como de pessoas próximas.  

Quem tiver informações que possam contribuir com a elucidação do caso deve entrar em contato com a Polícia Civil. É possível telefonar para o Disque Denúncia, pelo 181, ou enviar mensagem pelo WhatsApp (51)98444-0606. Informações também podem ser repassadas por meio do Disque 100.  

O desaparecimento  

No dia em que sumiu, Letícia estava no apartamento dos avós com a irmã, de 11 anos, no Centro Histórico. As duas saíram de casa com intuito de passar na casa da mãe, que reside nas proximidades. Chegaram a estar no local, mas não encontraram a mãe, que havia saído. A avó Dirlei havia ido até um laboratório de fotografia, na Avenida Borges de Medeiros. Letícia deixou a irmã na entrada do laboratório e disse que iria até a Usina do Gasômetro.  

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A adolescente não levou documentos, roupas ou qualquer pertence de valor. Dirlei diz que soube por amigos da garota que ela esteve em um churrasco naquela noite, após o sumiço. Depois disso, em 23 de setembro à tarde, recebeu telefonema da neta. Em rápida ligação, a adolescente teria dito que estava bem, na casa de uma amiga, e que regressaria dois dias depois. 

Quando sumiu, Letícia cursava o 1º ano do Ensino Médio, na Escola Técnica Estadual Parobé, mas desde o início do ano estava sem aulas presenciais por conta da pandemia.  

— A mãe dela está fazendo terapia. A irmã pequena está muito abalada também, eram companheiras, muito amigas. É muito triste — diz Dirlei.  

Dicas de como agir em desaparecimentos 

  • Procure a delegacia mais próxima e registre o caso imediatamente 
  • Leve fotos atualizadas do desaparecido na hora de registrar a ocorrência 
  • Avise amigos e familiares sobre o sumiço 
  • Percorra locais de preferência da criança  
  • Saiba informar quem são os amigos dela e com quem pode estar 
  • Esteja atento às roupas que a criança ou adolescente está usando e, em caso de sumiço, descreva para a polícia 
  • Mantenha alguém à espera no local de onde ela sumiu. É comum que ela retorne para o mesmo ponto  
  • Ensine as crianças, desde pequenas, a saberem dizer seu nome e o nome dos pais  
  • Quando a criança ou adolescente for localizada, informe a polícia
 
 
 
 
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