Vítima de feminicídio registrou ocorrência por ameaça três semanas antes do crime - Polícia

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Região Central26/05/2021 | 11h01Atualizada em 26/05/2021 | 11h01

Vítima de feminicídio registrou ocorrência por ameaça três semanas antes do crime

Após morar em Porto Alegre e se separar do marido, Claudia Urban Soares, 25 anos, havia voltado para Toropi, na Região Central, com a filha de um ano e cinco meses. Claudia e a mãe foram mortas na segunda-feira

Vítima de feminicídio registrou ocorrência por ameaça três semanas antes do crime Polícia Civil / Divulgação/Divulgação
Crime aconteceu em Toropi na região central do RS Foto: Polícia Civil / Divulgação / Divulgação

Desde agosto de 2020, quando se separou do marido, a profissional de educação física Claudia Urban Soares, 25 anos, deixou Porto Alegre e voltou para a cidade natal com a filha de um ano e cinco meses. Morava com a irmã, o pai e a mãe em uma propriedade rural em Passo do Galvão, no interior de Toropi, município de 2,7 mil habitantes na região central do Estado. Estava reconstruindo a vida no local em que nasceu até receber a visita do ex, com a desculpa de visitar a filha, e ser morta na tarde desta segunda-feira (24) com disparos de arma de fogo

O crime também tirou a vida da mãe de Claudia, a dona de casa Delmi Urban Soares, 55. Segundo a Polícia Civil, o autor dos dois assassinatos é o ex-marido, o policial militar Arlen Vieira Trindade, 29 anos, lotado no 21º Batalhão de Polícia Militar (BPM), na Capital. O PM tirou própria vida após cometer duplo feminicídio.

Em 5 de maio, Claudia registrou ocorrência por ameaça relatando que o ex-marido havia ligado para sua irmã inconformado com uma ação que a ex movia na Justiça pedindo pensão alimentícia. Na conversa, teria dito que Claudia iria se arrepender de cobrar o valor. Conforme o delegado de São Pedro do Sul, Jun Sukekava, Claudia não pediu medida protetiva – liminar judicial que determina que o homem não se aproxime e nem faça contato com a mulher – e não deu sequência à denuncia.

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— Neste caso, não tem como fazer nada. É um assunto que depende que a vítima queira representar contra o agressor.

A polícia ainda apura as circunstâncias e motivação do crime. Nos próximos dias, familiares da vítimas serão ouvidos. A única testemunha do crime é a irmã mais nova Claudia. O pai da vítima e marido de Delmi estava em outra propriedade rural no momento.

Claudia se formou em educação física em Santa Maria, onde conheceu Trindade. O casal teve uma menina, primeira neta de dona Delmi. Durante a gravidez de risco devido a diabetes gestacional, a profissional ficou na casa dos pais. Depois que a menina nasceu, passou a morar com o marido em Porto Alegre. O relacionamento acabou em agosto do ano passado. Desde que voltou para Toropi, dava aulas de ginástica online, gravava vídeos incentivando a prática de exercícios físicos e séries de musculação com material reciclado. Também oferecia serviços de unhas e corte de cabelo.

— Ela estava súper feliz. Tudo que ela fazia era em casa para poder ficar com a filha o maior tempo possível. Ela queria aproveitar a menina dela. Tinha um carinho enorme pela filha, que não desgrudava dela — conta um familiar que pediu para não ser identificado.

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Na propriedade, a família planta fumo e cria gado e galinha. Familiares contam que mãe e filha tinham personalidades semelhantes, eram unidas e recebiam o próximo com um sorriso no rosto. No Dia das Mães, Claudia publicou uma foto em uma rede social ao lado de Delmi e escreveu: "Feliz Dias das Mães para quem segurou minha mão e disse que tudo ficaria bem quando eu achava que não conseguiria mais". No grupo da família no WhatsApp, Claudia era a que mais interagia com os parentes e demonstrava bom humor.

— Até agora ninguém acredita no que aconteceu. Não sabemos o que houve, se foi uma briga. Claudia era alguém que estava sempre sorrindo, nunca a víamos triste. Incentivava outras pessoas. Sabíamos que tinha registrado boletim de ocorrência por ameaça, mas nunca soube de algum relato de violência. Ele parecia ser boa pessoa — comenta o familiar. 

Para denunciar casos de violência contra a mulher use o Disque 100 ou contate o Disque-Denúncia pelo telefone 1-8-1. Além disso, há os Centros de Referência da Mulher, delegacias especializadas, Defensoria Pública e Promotoria de Justiça, inclusive on-line, pelo site do Ministério Público.

 
 
 
 
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