Mais de cem mulheres já relataram abuso sexual de médico e polícia confirma que primeira denúncia contra o profissional ocorreu há dezoito anos - Polícia

Versão mobile

 
 

Investigação20/07/2021 | 07h00Atualizada em 20/07/2021 | 07h00

Mais de cem mulheres já relataram abuso sexual de médico e polícia confirma que primeira denúncia contra o profissional ocorreu há dezoito anos

Cirurgião plástico Klaus Brodbeck teria cometido crimes durante consultas; uma das vítimas tinha 14 anos

Mais de cem mulheres já relataram abuso sexual de médico e polícia confirma que primeira denúncia contra o profissional ocorreu há dezoito anos Reprodução Facebook / Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Foto: Reprodução Facebook / Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

A Polícia Civil confirmou, na manhã desta terça-feira (19), que já recebeu mais de 100 denúncias de mulheres que afirmam terem sido abusadas sexualmente pelo médico gaúcho Klaus Brodbeck. Cirurgião plástico famoso nas redes sociais, o nome dele se tornou envolvido em denúncias na última terça-feira (13), quando a polícia trouxe a público a investigação, iniciada com doze mulheres vítimas.

Klaus foi preso na última sexta-feira (16), em Gramado, na Serra gaúcha. A defesa afirmou que o médico é inocente.

A delegada Jeiselaure Souza disse ao Timeline, da Rádio Gaúcha, que o primeiro caso que chegou ao conhecimento da polícia foi registrado no ano de 2003. Uma das denúncias narra fatos ocorridos em 1998. Sem entrar em detalhes, ela disse que a delegacia já havia encaminhado os casos.

Leia mais
"Ele botou a minha mão na virilha dele. Eu era uma menina de 14 anos", diz ex-paciente de cirurgião plástico preso na Serra
Cirurgião plástico suspeito de abusar sexualmente de pelo menos 95 mulheres é preso em Gramado
Operação da Polícia Civil mira cirurgião plástico suspeito de abusar sexualmente de pacientes

— No ano de 2021, houve um novo registro de ocorrência novo em relação a essa conduta do médico.  Nesse sentido então,  juntamos todas as investigações anteriores que estavam em andamento. Tem crime que não prescreveu, um crime de 2016, portanto, dentro do que se era possível, estava dando o devido encaminhamento. É uma delegacia com muitos procedimentos — argumentou a policial.

A delegada disse que a análise das denúncias permite concluir que os crimes repetem um padrão em todos esses anos.

— O que nós apuramos no contexto desses crimes avaliados é que há um padrão de conduta, inclusive com a repetição de atos que vem desde muitos anos. Na verdade, notamos justamente isso: atos sequenciais que trazem consequências e abalos às mulheres, algumas que não voltaram a consultas nem com ele nem com médico nenhum — complementou.

A polícia segue recebendo denúncias e, após isso, deve decidir pelo indiciamento do médico. Ainda não há definição em quais crimes ele será enquadrado, já que relatos seguem chegando às equipes. No entanto, a equipe possui até o dia 26 de julho para concluir o inquérito, tendo em vista o prazo de 10 dias para indiciamento após a prisão do investigado, que ocorreu no último dia 16.

Em outra frente, a polícia investiga a namorada de Klaus, que após a revelação do caso passou a fazer xingamentos em suas redes sociais direcionados à polícia, além de ameaças às denunciantes.

As vítimas

Reportagem do Fantástico, da TV Globo, revelou que entre as vítimas está uma mulher que à época tinha apenas 14 anos.

— Ele botou a minha mão na virilha dele. Ele tava excitado. Eu era uma menina de 14 anos — contou.

Outra disse que foi sedada para uma cirurgia e que quando acordou notou que havia sêmen em seu corpo.

— Quando eu acordei eu estava numa sala de recuperação. E nisso eu fui no banheiro, eu notei que tinha uma secreção estranha em mim. Que não era da urina. O delegado me disse que ele já tinha outros tipos de ocorrência desse gênero, e que provavelmente ele tinha feito uma coisa mesmo — narrou.

Posição da defesa

O advogado de Klaus, Gustavo Nagelstein, afirmou que o seu cliente se declara inocente dos fatos. Ele também diz estranhar o alto número de vítimas, uma vez que diz ter tido o conhecimento de somente "cinco ou seis inquéritos" quando seu cliente prestou depoimento.

— Com certeza é inocente, ele se diz totalmente inocente. Nosso papel é assegurar a defesa dele. O problema é que ele já foi julgado pela opinião pública, mídia, redes sociais. Estamos remontando à idade média — argumentou o advogado.

Ainda segundo Nagelstein, sobre os casos antigos, não cabem discussão neste momento.

— Me parece que se isso não virou processo judicial ou se ele foi absolvido, não cabe agora falar — concluiu.

Como fazer denúncias

A Delegacia de Polícia Especializada no Atendimento à Mulher da Capital pode ser contatada pelos telefones (51) 98402-2495/98682-9585 ou pelo WhatsApp da Polícia Civil: (51) 98444-0606.


 
 
 
 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros