Primeira delegacia para investigar desaparecimentos completa seis meses com 345 novos registros - Polícia

Versão mobile

 
 

Porto Alegre13/09/2021 | 09h02Atualizada em 13/09/2021 | 09h03

Primeira delegacia para investigar desaparecimentos completa seis meses com 345 novos registros

Até a criação da primeira DP especializada neste tipo de caso, as ocorrências eram apuradas em seção dentro das delegacias de homicídios

Primeira delegacia para investigar desaparecimentos completa seis meses com 345 novos registros Polícia Civil / Divulgação/Divulgação
Estrutura está instalada no Palácio do Polícia, mas ocorrências podem ser registradas em qualquer delegacia Foto: Polícia Civil / Divulgação / Divulgação

Criada há seis meses, a Delegacia de Polícia de Investigação de Pessoas Desaparecidas de Porto Alegre possui efetivo especializado e foco em tentar amenizar a angústia das pessoas que desconhecem o paradeiro de algum familiar. Desde março, registrou 345 ocorrências de desaparecimento e teve 490 pessoas localizadas — o número também inclui as que reapareceram por conta própria. 

Até a criação da primeira delegacia especializada neste tipo de caso no Estado, essas ocorrências eram apuradas em uma seção dentro das delegacias de homicídios da Capital e dividiam tempo e agentes com as investigações de assassinato.

— Acabávamos tendo de priorizar o homicídio, que é um crime mais grave. O desaparecimento por si só não é um crime, mas poderá vir a ser a medida se que torne um rapto, sequestro ou cárcere privado. Mas na grande maioria dos casos não é, é um desaparecimento voluntário e temporário por situação de desafeição com a família, por algum problema psicológico ou por uso de drogas — explica a diretora do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegada Vanessa Pitrez.

Desde março, 38 coletas de DNA de familiares de desaparecidos foram enviadas ao Banco de Perfis Genéticos do RS para confrontar com corpos não identificados ou de pessoas de identidade desconhecida. De acordo com a delegada, os casos que mais desafiam a polícia são aqueles em que não há qualquer indício de desaparecimento voluntário. Desta forma, essas ocorrências passam a ser tratadas como possibilidade de assassinato.

— Muitos deles estão relacionados a homicídios, mas dependemos da materialidade e a localização do corpo, então, enquanto não tem noticia efetiva da morte, trabalhamos como caso como desaparecimento. Em regra, dá para ter uma noção se é homicídio, quando são pessoas envolvidas com crime, já partimos de outro pressuposto para trabalhar a localização — explica o diretor de Investigação do Departamento de Homicídios, delegado Eibert Moreira Neto.

Um desses casos em que não havia sinais de desaparecimento por conta própria foi o do montador de móveis Rafael Theis Freitas, 38 anos, que sumiu por cinco dias entre 23 e 28 de agosto, quando o corpo foi encontrado boiando perto de uma marina na Ilha da Pintada, em Porto Alegre. Como o corpo não tinha marcas de violência, o mais provável é que Freitas tenha tirado a própria vida, mas o caso segue em investigação e a Polícia Civil aguarda perícias para esgotar todas as possibilidades.

Técnicas

A DP dos desaparecidos não tem um delegado titular, por isso, os seis delegados de homicídios da Capital se revezam nos trabalhos sob a supervisão de Eibert. Por mais que em alguns casos não exista crime, o trabalho dos policiais é de investigação e utiliza técnicas como quebra de sigilo telefônico, bancário, telemático e verificação de redes sociais.

— Não é um tipo de diligência básica. É necessário ter um conhecimento aprofundado de tecnologia. Os depoimentos nos ajudam a entender o contexto da pessoa, mas não a localizá-la. É um trabalho que demanda bastante, a família fica muito apreensiva e existe uma cobrança muito grande por parte deles, ficam sempre no nosso entorno pedindo alguma definição, que se ache o paradeiro. A cobrança chega a ser maior que no próprio homicídio, porque o familiar não sabe se a pessoa está morta. Há casos em que chega sexta-feira, final do expediente e a equipe está envolvida em um desaparecimento que não é homicídio, não é sequestro e vamos até esgotar a situação. Não tem como parar — detalha Eibert.

A orientação da Polícia Civil é de que tão logo se perca o contato com a pessoa e não se saiba onde ela está deve-se registrar ocorrência em uma DP ou na Delegacia Online. Por enquanto, não há previsão de expansão de delegacias como esta para o Interior, mas todas as DPs de homicídios do Estado, assim como as DPs distritais dos municípios onde não há delegacia de homicídios, atendem os casos de desaparecimento.

No passado, havia critério de aguardar 24 horas sem contatos — instrução que não é mais considerada.

— A partir do momento em que você não sabe onde encontrar, já está em condição de ser registrada. Agora, se localizou, mesmo que logo depois, é importante que avise a delegacia para que aquela pessoa não conste mais nas estatísticas — conclui Vanessa.

Serviço

Onde fica: 2º andar do Palácio da Polícia, na Avenida João Pessoa, 2.050, sala 223

Horário: 8h30min às 12h e 13h30min às 18h, de segunda a sexta-feira. 

O registro do desaparecimento pode ser feito em qualquer horário nos plantões de delegacias e na Delegacia Online

Telefones: 3228-2254 e 98519-2196

Dicas para as famílias

  • Registre o desaparecimento na polícia assim que for percebido
  • Leve uma fotografia atualizada para repassar aos policiais  
  • Outras informações relevantes no momento do registro são saber se a pessoa tem telefone celular e se foi levado junto, se possui redes sociais, os dados de conta bancária, se possui veículo e qual a placa, locais que costuma frequentar, pessoas com quem mantêm contato (amigos, familiares), se é usuária de drogas e se houve alguma desavença que pode ter motivado o sumiço  
  • Comunique o desaparecimento aos amigos e conhecidos, que podem auxiliar com informações. Ao divulgar o sumiço, informe os contatos de órgãos oficiais como Polícia Civil e Brigada Militar para receber informações. Isso evita que criminosos interessados em extorquir familiares de desaparecidos se aproveitem da situação  
  • Outra orientação importante é que as famílias comuniquem a polícia não somente o desaparecimento, mas também a localização. É muito comum os policiais depararem com casos de pessoas que não estão mais desaparecidas, mas que no sistema constam como sumidas porque o registro de localização não foi feito  

Colabore  

Informações sobre casos de desaparecimentos podem ser repassadas à Polícia Civil por meio do telefone 0800 642 0121, pelo 197 ou neste link 

 
 
 
 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros