"Saímos para socorrer, mas não havia mais o que fazer", conta morador de rua onde taxista foi morto em Porto Alegre - Polícia

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Vítima de latrocínio15/09/2021 | 07h00Atualizada em 15/09/2021 | 07h00

"Saímos para socorrer, mas não havia mais o que fazer", conta morador de rua onde taxista foi morto em Porto Alegre

Veículo utilizado por Gilberto Bof, 72 anos, foi levado após o assalto e localizado nesta terça-feira

"Saímos para socorrer, mas não havia mais o que fazer", conta morador de rua onde taxista foi morto em Porto Alegre Ronaldo Bernardi / Agencia RBS/Agencia RBS
Táxi estava abandonado na Rua Doutor Milton Guerreiro, próximo à Rua Correa Lima, no bairro Santa Tereza Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS / Agencia RBS
Leticia Mendes

O porteiro Carlos Adriano Albanus, 39 anos, estava dentro de casa, na Rua Vicente Pereira de Souza, no bairro Cavalhada, na zona sul de Porto Alegre, quando dois estampidos soaram do lado de fora, por volta das 20h15min de segunda-feira (13). Quando saiu para a rua, deparou com um idoso caído a cerca de dois metros do portão. O taxista Gilberto Bof, 72 anos, havia sido baleado na cabeça durante um assalto, instantes antes.

— Estava esquentando água para tomar o chimarrão. Minha noiva disse: "É tiro". Foram dois disparos. Assim que o carro arrancou, fomos ver o que era. Saímos para socorrer, mas não havia mais o que fazer. Minha noiva foi logo medir a pulsação, mas não tinha mais pulso. Ela ainda tentou ajudar, mas foram dois disparos na cabeça, infelizmente — conta o porteiro.

Pouco tempo antes, após chegar em casa, Albanus havia pedido uma telentrega de lanche e a recebido no portão. Naquele momento, tudo estava tranquilo na rua. O local, segundo ele, costuma ser calmo. O crime, conta o porteiro, apavorou os moradores.

— Os vizinhos começaram a gritar, pedir socorro. Nunca tivemos relatos de algo assim aqui. É um lugar calmo. A gente fica até assustado, nunca pensou que isso podia acontecer — conta.

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A vítima, conforme o porteiro, estava deitada de bruços no meio da rua, com a carteira no bolso. Os moradores não chegaram a presenciar o momento em que o criminoso atirou contra o taxista. No entanto, segundo as testemunhas, o assaltante manobrou o táxi, um Etios, e retornou no mesmo sentido em que havia ingressado na via, após o motorista ter sido alvejado.

Sem mais nada que pudesse ser feito, o porteiro buscou um lençol para cobrir a vítima. A Brigada Militar foi chamada ao local em seguida, assim como a Polícia Civil e a perícia. Após o fato, o morador diz que ele e a noiva tiveram dificuldade para dormir, assustados.

— Peguei o lençol, por um sinal de respeito. É uma cena muito triste. Foi bem intensa a madrugada para dormir. Minha noiva chegou a passar mal, tomou medicação. Foi o instinto dela, tentar ajudar — diz.

Albanus conta que a vizinhança ainda buscou saber se havia câmeras que pudessem ter registrado o fato. Buscaram em um estabelecimento próximo, que possui os equipamentos, mas estavam desligados. A polícia também procura por imagens de câmeras que possam ter registrado o momento do crime.

Investigação 

Segundo a delegada Vivian do Nascimento, a polícia trabalha no momento para descobrir a rota feita pelo taxista e o criminoso. A investigação busca saber em que ponto o assaltante embarcou no veículo.

O Etios, que foi recuperado na manhã desta terça-feira, passará por perícia para tentar identificar vestígios. O carro estava abandonado na Rua Doutor Milton Guerreiro, próximo à Rua Correa Lima, no bairro Santa Tereza. O local fica a cerca de cinco quilômetros do ponto onde aconteceu o latrocínio.  

— Estamos atrás de imagens de câmeras de monitoramento. Tentando localizar. Vamos ouvir essas testemunhas do fato. Solicitamos perícia ao IGP. O carro será periciado aqui na Delegacia de Polícia — afirma a delegada Vivian do Nascimento. 

O taxista, que residia e trabalhava na zona sul da Capital, deverá ter o corpo sepultado no fim da tarde desta terça, no Cemitério São Miguel e Almas. Bof era natural de Gramado, na Serra.

 
 
 
 
 
 
 
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