Destruído por incêndio há mais de cem dias, prédio da SSP deve ser implodido até o final do ano - Polícia

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Nova previsão28/10/2021 | 07h00Atualizada em 28/10/2021 | 07h00

Destruído por incêndio há mais de cem dias, prédio da SSP deve ser implodido até o final do ano

Relatório confirmou a necessidade de demolição total da edificação, construída em 1972 em Porto Alegre

Destruído há mais de cem dias por um incêndio que fez ruir parte de sua estrutura na noite de 14 de julho, o antigo prédio da Secretaria da Segurança Pública (SSP), em Porto Alegre, deve ser implodido até o final do ano. Essa é a nova previsão dada pelo Piratini para a derrubada completa da edificação de nove andares, que não passa despercebida por quem acessa a Capital pela Avenida Castello Branco.

Em agosto, quando o incêndio que matou o tenente Deroci de Almeida da Costa e o sargento Lúcio Ubirajara de Freitas Munhós completou um mês, o vice-governador e secretário da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, disse a GZH que trabalhava com a possibilidade de contratar empresa e destruir a estrutura até outubro. Agora, a expectativa foi revista pelo governo e a licitação deve ser feita no próximo mês.

— Trabalhamos para tentar conseguir fazer em dezembro ainda, novembro com certeza não. O chamamento público deve ser feito em novembro. E aí tem os prazos legais, não tem como contratar empresa sem fazer licitação. Trabalhamos com a hipótese de até final deste ano fazer a implosão — disse Ranolfo durante coletiva de imprensa na última quinta-feira (21), no lançamento do plano de investimentos Avançar na Segurança.

Durante o evento, foram anunciados R$ 280,3 milhões para compra de viaturas, equipamentos, obras e tecnologia para todos os órgãos vinculados à SSP. A demolição e construção de futura nova sede ficaram de fora do pacote. Na mesma coletiva, o governador Eduardo Leite explicou que os anúncios incluíam apenas o que havia capacidade de execução imediata:

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— A demolição está em processo de elaboração de laudos para contratação da empresa e paralelamente estamos desenvolvendo projetos de um novo prédio ou até mais de um. Isso não tem capacidade de execução imediata para contemplarmos aqui, mas está no foco do nosso planejamento.

A secretaria ainda avalia qual o orçamento necessário para a implosão. O atraso não tem relação com a conclusão das investigações, pois, do ponto de vista da perícia e do inquérito criminal, a estrutura já está liberada.

A Secretaria de Obras e Habitação concluiu no final de setembro o estudo sobre as condições da estrutura colapsada que restou do prédio. O relatório confirmou a necessidade de demolição total e apontou que o método mais adequado e seguro é a implosão. A partir desse estudo, o Comitê de Contingência do governo do Estado deu início ao processo para contratação pública de empresas interessadas em executar o serviço. Questionada pela reportagem, a SSP explicou que este é um processo complexo, com uma sequência de etapas necessárias para garantir ao Estado as capacidades técnicas para realização do serviço.

A perspectiva é de que a implosão seja feita em um domingo pela manhã, por volta das 6h, pois irá impactar no trânsito da Avenida Castello Branco e poderá ter reflexos no funcionamento da Estação Rodoviária e na suspensão temporária da circulação da Trensurb.

De acordo com a SSP, os procedimentos para garantir a segurança da implosão serão tratados assim que for formalizada a contratação da empresa que executará o serviço. O planejamento levará em conta variáveis como a mobilidade urbana e proteção de cidadãos com moradia e estabelecimentos comerciais na região. Inicialmente, estima-se que haverá necessidade de evacuação em perímetro de cerca de 300 metros no entorno da área.

"Nenhuma dessas estimativas, contudo, está confirmada e tudo será oportuna e amplamente divulgado para orientação à população quando o planejamento estiver concluído", afirma a secretaria em nota.

Mais de 40 pessoas ouvidas em inquérito

Dentro do inquérito policial que investiga as causas do incêndio, mais de 40 pessoas foram ouvidas. Passada a fase de depoimentos, a 17ª Delegacia de Polícia aguarda chegada do laudo pericial, considerada a prova técnica, para encerrar a investigação.

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— Ouvimos quase todas as pessoas que estavam trabalhando no prédio no momento do incêndio. Até o momento, não temos nenhum viés sobre responsabilização, a menos que a prova do laudo indique algo totalmente diferente. Não estou antecipando o resultado, mas, até aqui, não temos indicativo de responsabilização, de atitude com dolo ou culpa — afirma o delegado Daniel Ordahi.

O Instituto-Geral de Perícias (IGP) afirmou por meio de nota que "o laudo pericial sobre o incêndio no prédio da SSP está sendo finalizado. As conclusões só serão divulgadas após o término do inquérito policial". 

Até aqui, a apuração da Polícia Civil indica que as chamas se iniciaram por uma falha elétrica, iniciada no forro de uma sala do quarto andar, que se espalhou rapidamente e os bombeiros não conseguiram conter. O prédio veio abaixo uma hora e meia depois de o incêndio começar. Construída em 1972, a edificação foi consumida pelo fogo quando estava sendo implementado o  Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI), que havia sido aprovado pelos bombeiros em 2018 e estava 56,51% executado.

No Corpo de Bombeiros, o Inquérito Policial Militar (IPM) foi concluído e está em fase de análise pela corregedoria da corporação.

— Está em fase de assessoramento. O material está sendo analisado e, se concordarem com o conteúdo, encaminham ao comandante-geral. Ainda não tive acesso ao texto, mas não há responsabilização de ninguém. Nosso inquérito tem por finalidade verificar a condições em que os dois servidores vieram a falecer — afirma o comandante-geral dos Bombeiros, coronel Cesar Bonfanti.

Nova sede na Zona Sul

Até que se defina quando a SSP ganhará nova sede, o Estado irá acomodar todos os órgãos da Segurança em um imóvel do antigo Centro de Treinamento da Procergs, na Rua Mario Totta, 64, no bairro Tristeza, na Zona Sul.

O espaço tem salas amplas, pátio arborizado e estacionamento para cerca de 40 veículos, além de um auditório com capacidade para cerca de 150 pessoas, onde deverá funcionar o Departamento de Comando e Controle Integrado (DCCI).

O imóvel passou por reforma para adaptação das instalações às atividades realizadas pela SSP. Parte dos serviços administrativos já está instalada na nova sede desde a semana passada. Nos próximos dias, será concluída a mudança dos demais setores.

 
 
 
 
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