Madrasta de menino desaparecido no Litoral Norte é transferida novamente para instituto psiquiátrico - Polícia

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Caso Miguel 26/10/2021 | 07h00Atualizada em 26/10/2021 | 07h00

Madrasta de menino desaparecido no Litoral Norte é transferida novamente para instituto psiquiátrico

Bruna Nathiele Porto da Rosa, 23 anos, pode não participar mais de reprodução simulada dos fatos

Madrasta de menino desaparecido no Litoral Norte é transferida novamente para instituto psiquiátrico Polícia Civil / Divulgação/Divulgação
Imagens de câmera divulgadas pela polícia mostram mãe e madrasta caminhando com mala onde estaria corpo de menino Foto: Polícia Civil / Divulgação / Divulgação
Leticia Mendes

A madrasta do menino Miguel dos Santos Rodrigues, sete anos, desaparecido em Imbé, no Litoral Norte, retornou para o Instituto Psiquiátrico Forense (IPF) na manhã desta segunda-feira (25). Bruna Nathiele Porto da Rosa, 23, está presa por suspeita de envolvimento na morte do enteado, assim como a companheira Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues, 26, que é mãe do garoto. O corpo da criança, que teria sido arremessado no Rio Tramandaí no fim de julho, ainda não foi encontrado

Na última quarta-feira (20), Bruna foi transferida da Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba, onde vinha sendo mantida presa, para o Presídio Estadual Feminino Madre Pelletier, em Porto Alegre. As advogadas Helena Von Wurmb e Fernanda Ferreira entraram com o pedido para que a cliente pudesse permanecer mais perto da família, moradora do extremo-sul da Capital. Depois da transferência, já no Madre Pelletier, Bruna teria passado por nova tentativa de suicídio, o que levou ao pedido para que retorne ao IPF.  

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— Será avaliada novamente. Não sabemos se vai ficar ou não no IPF — diz Helena.   

A madrasta já havia sido encaminhada no dia 5 de agosto para o instituto, onde passou por análise psiquiátrica. Em 14 de setembro, o resultado dessa perícia apontou que a presa não possuía alteração em sua saúde mental e que era capaz de compreender os atos que cometia na época do crime. Com isso, o incidente de insanidade mental, que havia sido instaurado no processo, foi encerrado e a madrasta passou a responder normalmente pelo crime.  

As duas mulheres são rés por homicídio, ocultação de cadáver e também tortura, já que, segundo a acusação, o menino era submetido a castigos psicológicos e físicos, sendo obrigado, por exemplo, a permanecer trancado em uma espécie de poço de luz. A defesa de Bruna recorreu da decisão que considerou a madrasta plenamente capaz de entender o crime, alegando que alguns laudos não foram analisados pelos médicos, e aguarda avaliação do pedido.  

Reprodução simulada 

O retorno de Bruna ao IPF pode impactar na realização da reprodução simulada dos fatos, realizada pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP). A reconstituição, como é popularmente conhecida, contaria somente com a versão da madrasta, já que a defesa de Yasmin afirma que ela não fará parte da perícia. Com o retorno de Bruna ao IPF, a defesa diz que a participação dela dependerá de liberação médica.  

—  Sempre tentamos colaborar com a polícia, com as investigações. Ela iria participar da reconstituição. Se ela ficar internada no IPF, acredito que não terá condições. Vamos conversar com os médicos, saber como ela está. Nossa preocupação é com a saúde dela no momento — afirma Helena.  

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Caso a madrasta não integre a perícia, a reconstituição não deve ocorrer, já que, segundo o IGP, é necessária ao menos uma versão para ser verificada. A defesa alega que a cliente não teve envolvimento na morte do enteado. No entanto, teria presenciado o crime, por isso, seu relato é considerado essencial para a perícia. Logo após o caso, Bruna chegou a mostrar à polícia como teria acontecido o crime dentro da pousada onde elas moravam, na área central de Imbé, indicando o local onde Yasmin teria batido com a cabeça do filho. 

Segundo o promotor André Luiz Tarouco, responsável pela acusação, o intuito é que a reprodução simulada seja realizada em breve, antes das audiências de instrução, agendadas para ocorrerem nos dias 18 e 19 de novembro. Nas sessões, serão ouvidas mais de 20 testemunhas de acusação e defesa, além de serem interrogadas as rés.  

— O objetivo do ato (da perícia) é justamente verificar, no local, se o relato é fisicamente possível, factível  — afirma.  

De acordo com o IGP, a equipe do Departamento de Criminalística está organizando os preparativos para marcar a reprodução simulada dos fatos, mas não há data prevista até o momento. Segundo o IGP, chegaram ao conhecimento do instituto na última semana as informações sobre a data das audiências e a confirmação de que haveria a possibilidade de participação da madrasta.


O caso   

IMBɉ, RS, BRASIL - 2021.08.04 - Cadernos apreendidos no apartamento da mãe de Miguel, mostram frases que o menino era obrigado a escrever. (Foto: ANDRɉ ÁVILA / Agência RBS)Indexador: Andre Avila<!-- NICAID(14853601) -->
Cadernos do garoto foram apreendidos por conterem indícios de tortura psicológicaFoto: Andre Avila / Agencia RBS

Miguel morava com a mãe e a madrasta em uma pousada na área central de Imbé. O menino havia se mudado no começo do ano para a cidade do Litoral Norte. Antes disso, residira com a avó materna, em Paraí, na Serra. No dia 29 de julho, Yasmin e Bruna procuraram a polícia alegando que o garoto havia desaparecido.   

No mesmo dia, as duas confessaram que Miguel tinha sido morto e seu corpo havia sido arremessado naquela madrugada nas águas do Rio Tramandaí. Na época, Yasmin disse ter matado o filho e a companheira teria ajudado a transportar a criança até o rio. Para isso, elas teriam usado uma mala de viagem. Os bombeiros realizaram buscas ao longo de 48 dias, mas nada foi encontrado.   

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As duas foram indiciadas pela Polícia Civil, que encontrou indícios de torturas sofridas por Miguel, como correntes, cadeados, cadernos com anotações pejorativas, imagens do menino desnutrido e abatido, além de vídeos do garoto trancado em um armário, como espécie de castigo. Para a polícia, essas foram provas de que o menino era submetido a maus-tratos e torturas, por ser considerado empecilho à relação das duas.   

Yasmin e Bruna também foram denunciadas pelo Ministério Público, sob a acusação de terem decidido matar a criança para que ele não atrapalhasse mais o relacionamento. Segundo a polícia, a mãe confessou ter espancado o filho e administrado medicamento sedativo, causando a morte dele. Atualmente, a defesa nega que ela tenha cometido o homicídio.  

O que diz a defesa de Yasmin 

O advogado Jean Severo, um dos responsáveis pela defesa de Yasmin, afirma que ela foi coagida a confessar o crime. A Polícia Civil nega ter havido coação e diz que o depoimento foi acompanhado de advogado na época.  

– Yasmin não vai participar de nenhuma reprodução simulada. Ela vai falar agora apenas no interrogatório dela (na Justiça) – afirma o advogado.  

 
 
 
 
 
 
 
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