Polícia Civil indicia mãe por tortura qualificada de filho de seis anos em Canoas - Polícia

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Maus-tratos05/10/2021 | 08h31Atualizada em 05/10/2021 | 08h34

Polícia Civil indicia mãe por tortura qualificada de filho de seis anos em Canoas

Segundo a investigação, criança ficava por horas amarrada em uma cama, sendo por vezes dopada com medicamentos de uso controlado

Polícia Civil indicia mãe por tortura qualificada de filho de seis anos em Canoas Polícia Civil / Divulgação/Divulgação
Mensagens trocadas entre a mãe da criança e o companheiro dela Foto: Polícia Civil / Divulgação / Divulgação

A Polícia Civil deu por concluído nesta segunda-feira (4) o inquérito que investigava tortura e maus-tratos de um menino de seis anos em Canoas, na Região Metropolitana. A mãe dele, de 28 anos, foi indiciada por tortura qualificada por se tratar do próprio filho e pela persistência do crime, que durou pelo menos quatro meses.

— Os fatos que investigamos são tão ultrajantes, tão avessos a ideia de um lar e de uma mãe que a polícia é forçada a provar cada detalhe da prática do crime, porque, do contrário, ninguém vai acreditar — relata o titular da Delegacia da Criança e do Adolescente de Canoas, Pablo Rocha.

A investigação começou depois que o Conselho Tutelar foi acionado por meio de uma denúncia anônima sobre maus-tratos.

O delegado espera, nos próximos dias, que o Ministério Público confirme a conclusão do inquérito e denuncie a mulher à Justiça — que então decidirá se ela se tornará ré pelo crime. 

O namorado dela, de 24 anos, também foi investigado, já que a mãe do garoto chegou a apontá-lo como autor das torturas. Entretanto, de acordo com a investigação, a mulher era quem aplicava os castigos no menino e mentiu sobre a participação do companheiro, que colaborou com a investigação, cedendo evidências para os policiais, como trocas de mensagens por WhatsApp. Nelas, a mulher chegou a planejar uma forma de abandonar a criança. "Vou levar ele no hospital e dizer que está mal, com diarreia e vômito. Aí ele vai ficar para fazer soro, vou dizer que vou na rua comprar algo para comer e vou abandonar ele lá", escreveu.

Vizinhos e outros familiares também foram ouvidos. A apuração confirmou que a criança ficava por horas amarrada em uma cama, tinha as mãos queimadas à força no fogão, sendo também dopada com medicamentos de uso controlado.

**A PEDIDO DE STEFANO SANTAGADA**18/08/2021 - CANOAS, RS - Mãe e padrasto são presos por suspeita de torturar e dopar menino de seis anos em Canoas. FOTO: Polícia Civil / Divulgação<!-- NICAID(14865277) -->
Menino ficava por horas amarrado em uma camaFoto: Policia Civil / Divulgação

A mãe e o namorado estão presos desde 18 de agosto — ela está no Presídio Estadual Feminino de Guaíba. O homem, entretanto, deverá ser liberado pela Justiça nos próximos dias.

O menino foi retirado da convivência dos presos e enviado para a casa de familiares. Os nomes dos presos não estão sendo divulgados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), para preservar a identidade da vítima.

— Pelo que a criança passava, temos convicção de que a morte dela seria uma questão de tempo. Felizmente, conseguimos interromper a tortura pela qual ela passava — conclui o delegado.


 
 
 
 
 
 
 
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