Doceira de Viamão que deixou clientes sem entregas segue desaparecida, mas vem ressarcindo quem foi lesado, diz polícia - Polícia

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Sob investigação25/11/2021 | 07h00Atualizada em 25/11/2021 | 10h16

Doceira de Viamão que deixou clientes sem entregas segue desaparecida, mas vem ressarcindo quem foi lesado, diz polícia

Ao menos 10 vítimas já foram ouvidas no inquérito aberto para apurar a suspeita de estelionato

Doceira de Viamão que deixou clientes sem entregas segue desaparecida, mas vem ressarcindo quem foi lesado, diz polícia Leticia Mendes / Agencia RBS/Agencia RBS
Foto: Leticia Mendes / Agencia RBS / Agencia RBS
Bruna Viesseri e Leticia Mendes

bruna.viesseri@gruporbs.com.br

Depois que uma investigação policial por suspeita de estelionato foi aberta, clientes que foram lesados por uma doceira de Viamão vêm sendo ressarcidos pela mulher. A Polícia Civil afirmou que a informação foi confirmada pelas próprias vítimas. O caso passou a ser investigado depois que a proprietária de uma doceria artesanal do município da Região Metropolitana desapareceu sem fazer a entrega de encomendas pagas de forma adiantada. O inquérito segue em andamento.

De acordo com a polícia, ao menos 10 vítimas já foram ouvidas no inquérito pelas equipes da 2ª Delegacia de Viamão. Há clientes lesados outros municípios da Região Metropolitana. A polícia não divulgou quantas pessoas foram ressarcidas até o momento.

Após as denúncias na polícia, a doceira desapareceu. Segundo a investigação, ela estaria em Santa Catarina. A mulher ainda não foi ouvida pelas equipes — a polícia pretende chamá-la depois de todas as vítimas prestarem depoimento.

— Ao que tudo indica, ela está contatando e ressarcindo as vítimas, uma a uma, para depois prestar satisfações à polícia. A informação que temos das próprias vítimas é que ela pretende, depois, voltar a trabalhar no negócio de confeitaria. Se ela fizer acordo com todas as vítimas, ela afasta o dolo. Precisaremos avaliar se ela teve a intenção de cometer um estelionato ou se teve um problema de gestão financeira — pontua o delegado a frente do caso, Júlio Fernandes Neto.

O caso começou quando a doceira anunciou uma série de promoções dos produtos, que deveriam ter o pagamento adiantado. As promoções prometiam, por exemplo, que ao pagar R$ 69,90 o cliente receberia voucher de R$ 2 mil que daria direito a adquirir produtos. Os valores dos anúncios, enviados em grupos ou em mensagens diretas, variavam. Outra promoção anunciava que, ao pagar R$ 99,90, o cliente teria direito a voucher de R$ 1 mil. Havia ofertas de valores mais acessíveis, de apenas R$ 50 para obter direito a R$ 1,5 mil em produtos. Nesse caso, as entregas precisavam ser agendadas com antecedência.

Depois de vender as promoções, a mulher deixou de responder os clientes e desapareceu.

Há três meses, Vanessa dos Santos, 30 anos, é uma das pessoas que espera por resposta. Assim como outros clientes que acreditam ter sido ludibriados, a técnica em enfermagem procurou a Polícia Civil após não receber as encomendas e fez registro por suspeita de estelionato.

Vanessa conta ter transferido pelo menos R$ 450 para a doceira. Os valores depositados dariam direito, conforme os anúncios realizados, a cerca de R$ 6 mil em produtos da confeitaria artesanal. Além do prejuízo, a cliente precisou fazer novamente a compra com outra profissional, já que não recebeu os doces para o aniversário do filho em agosto.

— Era cliente dela fazia muitos anos. Uma pessoa muito bem-conceituada. Nunca desconfiei. Fui comprando, comprando. Ela mandava promoções relâmpago — relata.

Uma das estratégias da confeiteira seria incentivar os fregueses a indicarem outros, por vezes com a recompensa por meio de brindes. Vanessa indicou a irmã, a mãe, a madrasta e outras familiares. Elas adquiriram vouchers, que davam direito ao resgate de produtos. No entanto, em agosto passado, a doceira sumiu, sem fazer as entregas.

— Ela era bem insistente. Perguntava se não havia mais pessoas para recomendar. Indiquei várias. Minha mãe pagou e fez pedido para outubro. Ficou sem receber nada — conta.

Inicialmente, quase cem pessoas se reuniram por meio de um grupo de WhatsApp afirmando ter sido lesadas pela mesma pessoa.

Após as compras, a doceira encaminhou mensagens aos clientes informando que não teria condições de realizar as entregas. Quando ela sumiu, os fregueses decidiram ir na polícia e registrar o que acreditam ter sido um golpe.

Após a repercussão do caso, ainda no mês de agosto, a doceira se manifestou por meio de nota de esclarecimento, publicada no Instagram. No texto, negava ter tentado enganar os clientes e repudiava a suspeita de golpe. No mesmo post, havia indicação de contato para solicitar ressarcimento.

GZH não divulga o nome da doceira porque, neste momento, ela é considerada suspeita, sem ter sido ouvida pela polícia.

 
 
 
 
 
 
 
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