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Importunação sexual11/11/2021 | 07h00Atualizada em 11/11/2021 | 07h00

Mais três mulheres relatam à Polícia Civil terem sido vítimas de cirurgião plástico em Porto Alegre

Estevão José Rodrigues foi detido na Capital, durante investigação da Delegacia da Mulher, nesta terça-feira

Mais três mulheres relatam à Polícia Civil terem sido vítimas de cirurgião plástico em Porto Alegre Guilherme Milman / Agencia RBS/Agencia RBS
Rodrigues foi detido na terça-feira Foto: Guilherme Milman / Agencia RBS / Agencia RBS
Leticia Mendes

Mais três mulheres procuraram a Polícia Civil para relatar supostos abusos por parte de um cirurgião plástico em Porto Alegre. Estevão José Rodrigues, 68 anos, foi preso de forma preventiva por suspeita de cometer importunação sexual contra pacientes. Até a prisão, nesta terça-feira (9), haviam sido comunicados pelo menos nove casos à equipe da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) da Capital.  

Segundo a delegada Jeiselaure de Souza, titular da Deam, após a divulgação da prisão do cirurgião, mais três mulheres procuraram a polícia, num total de pelo menos 12. Uma delas já foi ouvida pelos policiais e as outras duas agendaram depoimentos.  

— Estamos agendando os depoimentos para que possam ser atendidas com toda a privacidade pela nossa equipe. O relato dessa que já foi ouvida é bastante semelhante, pelo crime de importunação sexual — afirma a delegada.  

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Os relatos, segundo a delegada, levaram à polícia a concluir que o médico vinha abusando das pacientes. As mulheres contaram terem sido tocadas em partes íntimas pelo cirurgião durante os atendimentos.  

— Elas iam para as consultas, e ele começava com aquele toque que ultrapassa a boa relação que se espera entre médico e paciente. Mantendo toques às vezes íntimos. Há casos em que a paciente retornou após procedimento, para retirar os pontos, e ele pediu para que ela tirasse toda a roupa. Apalpou partes íntimas das vítimas. Condutas muito fora do contexto que se espera em um procedimento de um cirurgião — explica a delegada.  

Os casos começaram a ser investigados pela Polícia Civil na metade deste ano. Parte dos inquéritos já foram remetidos ao Judiciário. GZH entrou em contato com o Tribunal de Justiça para saber sobre o andamento dos casos e aguarda retorno. A polícia decidiu pedir a prisão do médico porque o cirurgião teria coagido e ameaçado testemunhas durante as investigações. A delegada acredita que mais possam ter sido vítimas, embora ainda não tenham procurado ajuda. O médico atua há cerca de 30 anos na área.  

— Recebemos algumas informações durante o cumprimento dos mandados, de que esse é um modus operandis que vem se perpetuando há muitos anos. Há casos que prescreveram. Precisamos que as vítimas se encorajem e venham denunciar — diz a delegada.  

Na última terça-feira, além do mandado de prisão preventiva contra o médico, também foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão nos bairros Três Figueiras e Chácara das Pedras, na zona norte da Capital. O cirurgião acabou autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo, após as buscas.  

Durante a ação, foram apreendidos equipamentos eletrônicos, documentos, medicamentos, lubrificantes íntimos, preservativos e outros itens que serão analisados durante a investigação. Ao ser levado para a Delegacia de Polícia, segundo a delegada, o médico optou por permanecer em silêncio sobre os casos.  

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A Vigilância Sanitária foi acionada e encontrou no consultório instrumentos enferrujados, medicamentos vencidos, lixo descartado de forma irregular e manchas de sangue em objetos e móveis. Também não haveria autoclave no consultório. O Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers) informou que abriu sindicância "para investigar a existência de ilícito ético no exercício da Medicina" após receber denúncia da Polícia Civil (veja nota abaixo)

Onde pedir ajuda 

Os casos devem ser comunicados à Delegacia da Mulher de Porto Alegre (Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia), bairro Azenha. O telefone é (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172. Caso tenha sido vítima de outro tipo de violência contra a mulher, o indicado é procurar qualquer Delegacia de Polícia próxima. Para casos de emergências, deve-se buscar atendimento da Brigada Militar, pelo 190.  

Contraponto   

Na terça-feira, o advogado Rafael Alvim afirmou que analisaria o inquérito e garantiu que o cliente é inocente. Nesta quarta-feira (10), GZH entrou em contato por telefone e por mensagem de WhatsApp com o advogado, mas ainda não obteve retorno.  

Leia a íntegra da nota do Cremers 

"Em relação às informações divulgadas pela imprensa sobre a detenção de cirurgião plástico por suspeita de abuso de pacientes, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) informa que recebeu denúncia da Polícia Civil e abriu sindicância para investigar a existência de ilícito ético no exercício da Medicina. 

Como sindicâncias e processos correm em sigilo, por conta dos trâmites determinados pelo Código de Processo Ético Profissional (Resolução CFM 2.145/2016), o Cremers fica impedido de fornecer mais informações para não incorrer qualquer nulidade aos processos em andamento." 

 
 
 
 
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