Relato de madrasta durante reconstituição do assassinato de Miguel não trouxe surpresas para a investigação - Polícia

Versão mobile

 
 

Litoral Norte09/11/2021 | 11h09Atualizada em 09/11/2021 | 11h10

Relato de madrasta durante reconstituição do assassinato de Miguel não trouxe surpresas para a investigação

Bruna Nathiele Porto da Rosa, 23 anos, foi ouvida na Delegacia de Polícia, depois seguiu com policiais e peritos para pousada e refez trajeto até o Rio Tramandaí

Relato de madrasta durante reconstituição do assassinato de Miguel não trouxe surpresas para a investigação Anselmo Cunha / Agencia RBS/Agencia RBS
Delegado Ractz Júnior durante coletiva após reconstituição do assassinato do menino Miguel Foto: Anselmo Cunha / Agencia RBS / Agencia RBS
Leticia Mendes

Foi encerrada pouco depois das 22h30min a reconstituição da morte do menino Miguel dos Santos Rodrigues, sete anos, em Imbé, no Litoral Norte. O último ponto onde peritos estiveram com a madrasta do garoto, Bruna Nathiele Porto da Rosa, 23, foi as margens do Rio Tramandaí. Ali, segundo o relato da presa, o corpo do garoto foi arremessado pela mãe, Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues, 26, na madrugada de 29 de julho. As duas estão presas pelo crime. O cadáver da criança nunca foi localizado, apesar das buscas. 

O relato de Bruna não trouxe novidades para a investigação, já que a madrasta manteve a mesma versão que havia apresentado no fim de julho. Em depoimento inicial de cerca de uma hora, Bruna relatou que Yasmin espancou o filho, chegando a bater com a cabeça da criança na parede, depois teria passado a dopar o menino, e, por fim, colocado seu corpo dentro de uma mala, e arremessado no rio.

Ao final da perícia, de volta à DP de Imbé, foi realizada coletiva com todos os envolvidos. Para o delegado Ractz Júnior, a perícia ajudou a demonstrar aquilo que a madrasta já havia relatado antes. 

— Ela confirmou aquilo que havia apresentado como sua versão, de que a criança foi espancada no apartamento pela mãe. Ela se coloca numa situação de omissão, de não ter participado ativamente dos fatos. Se retira desses atos executórios. A mãe teria quebrado os ossos da criança para colocá-la no interior da mala. Confirmou aquilo que tínhamos colhido durante a investigação. O fato está elucidado e essa diligência é importante para que tenha laudo pericial disso — disse.


O delegado afirma que, apesar de o tamanho da mala ter gerado questionamentos sobre a possibilidade de uma criança de sete anos ser transportada dentro dela, não tem dúvidas de que esta mala foi usada para transportar o corpo da criança. 

 — É possível sim uma criança entrar naquela mala. Inclusive foi colhido material de DNA do Miguel na mala. O Miguel foi colocado dentro da mala, isso é uma prova técnica. Ele foi quebrado para ser colocado lá dentro. Embora tivesse sete anos, estava desnutrido. Então ele não tinha o peso e a compleição física de uma criança dessa idade. Basta ver aquela fotografia que foi divulgada, para se ter ideia da situação dele — disse o delegado.

Embora Bruna tenha mantido a versão de que ela não participou da morte do enteado, no entendimento do promotor André Luiz Tarouco ela também foi responsável pelo homicídio do menino. O representante do Ministério Público argumenta que todo o contexto no qual a criança era mantida precisa ser levado em conta.

— Desde o início ela teve uma ampla participação e incentivava que a mãe agisse da maneira que ela alegou que a mãe agiu. Com as provas que temos, corroboradas pelas quebras de mensagens, verifica-se que ambas se incentivavam mutuamente para realizar essas condutas contra a criança. Cotejando todos os elementos, verifica que ambas tinham essa intenção de se livrar do menino – analisou o promotor.

Após a realização da perícia no local, o IGP deve levar entre 30 e 60 dias para concluir o laudo sobre o caso. 

 — A gente analisa essa versão, compara com todos os outros exames periciais, e a partir disso faz análise, que consta no laudo pericial — afirmou a perita criminal Bárbara Cavedon.

O caso 

Bruna e Yasmin são rés pelos crimes de homicídio, tortura e ocultação de cadáver. Apesar de buscas terem sido realizadas ao longo de 48 dias, o corpo de Miguel não foi encontrado até hoje. Para o Ministério Público, o crime foi cometido porque o garoto era considerado empecilho para o relacionamento das duas. Nos dias 18 e 19 de novembro, serão realizadas as primeiras audiências do caso. Mais de 20 testemunhas serão ouvidas e as duas rés serão interrogadas ao final da sessão do segundo dia. 

Contrapontos

O que diz a defesa de Bruna 

As advogadas Fernanda Ferreira e Helena von Wurmb também falaram à imprensa ao final da perícia. As duas reafirmaram que Bruna está colaborando com a investigação e que ela contribuiu para o assassinato de Miguel. 

— Ela não matou esse menino. Ela não participou. A própria Yasmin isenta a Bruna. A Bruna não participou — afirmou Fernanda. 

As advogadas alegaram ainda que Bruna era pressionada e manipulada por Yasmin. 

 — Ela nunca bateu no Miguel. Sempre cuidou dele — alegou Helena. 

 O que diz a defesa de Yasmin

O advogado Jean Severo, um dos responsáveis pela defesa de Yasmin, alega que a cliente é inocente e que detalhará sua versão à Justiça. A defesa decidiu que Yasmin não participaria da perícia.

 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros