Assassinato de entregador gera protesto e representa ápice de aumento nos homicídios em Rio Grande - Polícia

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Sul do RS25/01/2022 | 07h00Atualizada em 25/01/2022 | 07h00

Assassinato de entregador gera protesto e representa ápice de aumento nos homicídios em Rio Grande

Nesta terça-feira cúpula da segurança pública estará no município para anunciar medidas na tentativa de controlar os crimes violentos

Assassinato de entregador gera protesto e representa ápice de aumento nos homicídios em Rio Grande Joellen Soares / RBSTV/RBSTV
Manifestação realizada nesta segunda-feira por crime no sul do Estado Foto: Joellen Soares / RBSTV / RBSTV
Leticia Mendes

O som estridente de motocicletas acelerando pelas ruas de Rio Grande, ouvido na manhã desta segunda-feira (24), simboliza um pedido de justiça. Na noite de sábado (22), o entregador Denilson Silveira Cordeiro, 24 anos, tornou-se a 11ª pessoa assassinada no município do sul do Estado, onde os homicídios mais do que dobraram no comparativo com o mesmo período do ano passado. A principal suspeita é de que ele tenha sido morto por engano.          

O jovem, que era casado e pai de uma menina de 11 meses, fazia entregas para uma lancheria no bairro Vila Maria. Na noite de sábado, pouco antes das 22h, estava trabalhando, quando teria sido alvejado por diversos disparos na Rua Ney Brito. As circunstâncias do crime ainda são apuradas, mas os atiradores teriam se aproximado da vítima em um veículo, disparado e depois deixado o local. Nada teria sido levado do rapaz, que não tinha histórico de envolvimento com o crime, segundo a Polícia Civil.

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— Neste momento da investigação, tudo leva a crer que ele não fosse uma vítima em potencial, que não estivesse sendo procurado por ninguém para ser morto. Se trabalha com essa possibilidade de que ele tenha sido morto por engano — afirma a delegada regional Lígia Furlanetto.

O corpo de Denilson foi velado ainda no domingo e sepultado na manhã desta segunda-feira. Foi durante o enterro dele que os colegas, também entregadores, realizaram protesto pelas ruas de Rio Grande, como uma forma de pedir justiça pelo crime. A manifestação foi encerrada em frente à prefeitura. A Polícia Civil está ouvindo testemunhas e tenta identificar os autores do crime, mas até agora ninguém foi preso. 

O perfil do jovem diverge da maioria das outras vítimas de assassinato no município. Segundo a delegada, a maior parte possui algum envolvimento com o crime. As disputas entre grupos criminosos vinculados ao tráfico de drogas são apontadas como principais fatores para o aumento dos assassinatos, que vem sendo percebido desde o mês de dezembro. 

Até novembro, a situação era considerada controlada e o ano, inclusive, encerrou com redução no comparativo com 2020 – de 34 para 28. Mas o último mês de 2021 já se mostrou atípico, com sete assassinatos – em dezembro de 2020 tinham sido dois, por exemplo. As mortes foram registradas em diferentes pontos da cidade e tem como maioria dos alvos pessoas jovens.

— Até novembro, 70% dos assassinatos tinham sido apurados, com autoria identificada. Tivemos três meses ano passado sem nenhum homicídio. Estamos trabalhando para identificar as causas, qual fator que desencadeou isso nesse curto período. A Polícia Civil está investigando cada crime de forma específica, inclusive para tentar identificar se há relação e conexões entre eles. A partir disso, é que vamos tomar novas medidas — diz a delegada regional.

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Comandante do 6º Batalhão de Polícia Militar, o major Marcelo Nunes Ferreira diz que a BM intensificou as ações na tentativa de aumentar a apreensão de drogas e armas no município – já que a maioria dos crimes está vinculado ao universo do tráfico de entorpecentes. 

— A partir de dezembro houve uma ruptura, desavenças entre organizações criminosos em Rio Grande, que ensejou nesse aumento. Desde dezembro, estamos acompanhando por meio da inteligência e da integração com outros órgãos, adotando ações preventivas e repressivas, para fazer o enfrentamento desses indicadores. Ainda em dezembro, aumentamos as apreensões de drogas e armas. Em janeiro, com aporte de efetivo, praticamente triplicamos essas apreensões — disse.

Anúncio de reforços

Todos os 11 assassinatos registrados em janeiro seguem em investigação, na tentativa de identificar os autores. Embora o assassinato do jovem tenha gerado essa manifestação, o aumento dos homicídios no município já vinha preocupando moradores e também autoridades da área da segurança pública. Na semana passada, o prefeito de Rio Grande, Fábio Branco, chegou a se reunir com o vice-governador e secretário da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, para debater o tema. Uma nova reunião, desta vez envolvendo toda as áreas da segurança, foi agendada para ocorrer nesta terça-feira (25) no município.

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— Essa reunião é de extrema relevância, principalmente pela situação do número de homicídios que nos preocupa bastante. Agradecemos muito a vinda do vice-governador, como secretário de Segurança, para que possamos discutir ações para de combate aos homicídios, melhoria dos indicadores e também dar encaminhamentos e soluções importantes para o futuro. Tenho certeza que será uma reunião produtiva, que trará bons efeitos e resultados para nossa comunidade — disse o prefeito.

Além do vice-governador, a reunião com início previsto para 9h, contará com o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Vanius Santarosa, a chefe da Polícia Civil, delegada Nadine Anflor, e o secretário da Justiça e dos Sistemas Penal e Socioeducativo, Mauro Hauschild. Todos se reunirão com as autoridades locais que participam do ciclo de monitoramento da Gestão Estatística em Segurança (GESeg) do programa RS Seguro.

Após o encontro, em coletiva à imprensa, ainda durante a manhã, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) deve detalhar um pacote de ações especiais, como reforços na segurança e estratégias de combate à criminalidade.

 
 
 
 
 
 
 
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