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Em sete cidades12/01/2022 | 07h00Atualizada em 12/01/2022 | 07h00

VÍDEO: polícia faz operação contra grupo de motociclistas responsável por tiroteio durante evento de rua em Porto Alegre

Ataque, ocorrido em novembro e que deixou seis pessoas feridas, teria sido motivado por vingança contra homem que deixou o grupo para ingressar em outro

Uma ação da Polícia Civil cumpriu, nesta terça-feira (11), 10 mandados de busca e apreensão em sete cidades gaúchas contra um grupo de motociclistas responsável por promover tiroteio durante um evento de rua, em novembro de 2021, na zona norte de Porto Alegre. O ataque, que deixou seis pessoas feridas, teria sido motivado por vingança contra um homem que decidiu deixar o grupo e ingressar em outro, o que seria considerado uma traição.

O caso é tratado pela polícia como tentativa de homicídio. Sete pessoas são investigadas — elas não tiveram os nomes divulgados.

Os mandados foram cumpridos em residências e estabelecimentos comerciais da Capital e de Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, Novo Hamburgo, Alvorada e Nova Santa Rita. Foram apreendidas três armas, facas, celulares e dois bastões, um deles com a palavra "motivação" escrita.

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Durante a ofensiva, duas pessoas foram autuadas em flagrante, em Esteio e Nova Santa Rita, por porte ilegal de arma de fogo — a dupla está entre os investigados. A polícia pediu também a prisão do grupo, o que foi negado pela Justiça. O inquérito segue em andamento.

O caso passou a ser investigado depois que um grupo de motociclistas, que se intitula Abutres, realizou o ataque durante um evento no bairro Santa Maria Goretti. No local, ao menos sete homens passaram a agredir e disparar contra outro grupo.

Na agressão, eles também usaram spray de pimenta, facas, pedaços de pau, correntes e arremessaram latas de cerveja. A motivação seria vingança contra um homem que decidiu deixar o Abutres e integrar outro agrupamento.

De acordo com a delegada Roberta Bertoldo, da 2ª Delegacia de Homicídios de Porto Alegre, o alvo principal do ataque deixou o grupo ao perceber a conduta violenta dos integrantes. Entre as ações, seriam incentivadas, por exemplo, agressões a terceiros.

— Ele percebeu isso e migou para outro grupo. No entanto, os Abutres não admitem que um indivíduo deixe o grupo e, se deixar, não permitem que ingresse em outro. É um grupo que possui integrantes em diversos Estados no país. Se destaca dos demais por se envolver em eventos de bastante violência e intolerância. Esse é o modo de agir deles, ameaçando e intimidando, para que as pessoas não denunciem — explica a delegada.

No evento de novembro, voltado a motociclistas, estavam famílias e crianças. Em imagens divulgadas pela polícia, é possível ver homens portando armas e pessoas correndo, tentando se proteger.

Dias depois, o grupo teria voltado a fazer ameaças, conforme a polícia. Ao menos dois integrantes foram até a casa da vítima e rondaram o local, gritando intimidações.

— A gente já sabe onde você mora. Vai escapar, não. Vai morrer. Você não sabe com quem mexeu — diz o homem no vídeo.

Além da vítima de Porto Alegre, outro homem, morador de Santa Maria, deixou o grupo recentemente. Ele foi esfaqueado, mas sobreviveu. O caso é investigado pela polícia do município.

Homens possuem autorização para ter armas

De acordo com a Polícia Civil, dos sete investigados, quatro possuem armas de fogo registradas regularmente. Eles têm permissão para ter armas em casa, mas não para circular com o equipamento. Após a ação desta terça, a polícia deve solicitar a revisão da autorização junto à Polícia Federal e ao Exército.

Diretor da Divisão de Homicídios, o delegado Eibert Moreira destaca que a flexibilização das normas para aquisição de armas resulta em casos violentos como o de novembro na Capital.

— É importante reacender esse debate. A sequência de flexibilizações sobre posse e porte de armas, em 2019, proporcionam eventos como esse. Armas que eram de calibres proibidos passaram a ser permitidas, alguns requisitos para aquisição de armas foram derrubados. Assim, a gente coloca em circulação armas na mão de pessoas que não estão habilitadas a isso, que não têm discernimento psicológico para esse porte. São eventos que poderiam ser plenamente evitados — pontua Eibert.

Conforme a investigação da polícia, alguns membros desvirtuaram o propósito inicial da criação do Abutres, que seria promover viagens, passeios e confraternização. Segundo a apuração, alguns deles passaram a realizar atos violentos, como o de novembro de 2021. A polícia afirma que são homens de classe média e classe média alta, que fazem ameaças e promovem brigas.

Outros membros do grupo, de outras regiões do país, também são alvo de procedimentos policiais e ações judiciais por conta de ações agressivas, segundo as autoridades. Alguns deles foram presos. Um integrante teve a prisão preventiva decretada em São José dos Campos e está detido na Penitenciária Modulada de Uruguaiana após ter torturado um indivíduo por ter "traído a irmandade".

A polícia destaca, no entanto, que nem todos os integrantes do grupo têm envolvimento nos atos ilícitos.

 
 
 
 
 
 
 
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