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Violência contra mulher12/04/2022 | 07h00Atualizada em 12/04/2022 | 07h00

Quem era a jovem morta asfixiada pelo namorado em Santa Maria

Caso investigado como feminicídio ocorreu na madrugada de domingo; suspeito confessou e foi preso em flagrante

Quem era a jovem morta asfixiada pelo namorado em Santa Maria Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
Luanne Garcez da Silva, 27, foi morta pelo namorado Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Se os últimos minutos de vida de Luanne Garcez da Silva foram de violência, a trajetória da jovem foi marcada por um riso alto que agora ecoa na memória de familiares e amigos. Na esperança de mudar a realidade dos que a cercavam, ela sonhava se tornar professora e trabalhar com crianças — seguindo os passos da mãe, da tia e da irmã, que partilham a profissão. A jovem de 27 anos, completados na última terça-feira (5), teve os sonhos ceifados pelas mãos do namorado em uma rua de Santa Maria, depois que o homem a asfixiou e matou em via pública na madrugada de domingo (10).

O homem de 26 anos, que não teve a identidade divulgada, foi preso em flagrante. O caso é investigado como feminicídio pela Polícia Civil. A reportagem tenta contato com a defesa do suspeito.

Conforme familiares, neste ano, o plano da jovem era se dedicar à faculdade de Pedagogia, que cursava na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O objetivo era trabalhar com crianças, e a afeição pelos menores era tanta que Luanne atuou algumas vezes como babá. Segundo a prima da jovem, Carolina Garcez, 27 anos, ela trabalhava atualmente como recepcionista.

— Ela nunca esteve tão feliz. Era alguém incrivelmente disposta a ajudar os outros, tinha um amor incondicional pelas pessoas. É extremamente chocante, todo mundo está sem chão. Seria feito um ato nesta segunda em homenagem a ela e em protesto, mas a família não teve condições. Estamos em um luto muito grande — diz.

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Segundo Carolina, Luanne era intensa, apegada à família e aos amigos. Gostava de reuni-los em um churrasco, de passear e era apaixonada por praia. Ela acompanhava os jogos do Internacional e se divertia ao brincar com a prima sobre o time rival, já que Carolina é gremista.

— Ela era extrovertida, tinha uma energia boa, que mudava o teu dia. As vezes, mesmo quando algo não era tão engraçado, a gente se pegava rindo pela risada dela. Essa é a imagem que vamos guardar dela, que precisa ser mantida.

Morte ocorreu após festa de aniversário

No dia da morte, Luanne se reuniu com familiares para comemorar o aniversário. A festa era também para uma das irmãs, que aniversariou na sexta-feira (8). Após a janta, Luanne saiu do local com o namorado, sendo morta pouco depois. O casal estava junto desde janeiro e havia noivado em março.

Após o crime, o homem foi encaminhado para a delegacia, onde confessou ter matado a jovem. Conforme a Brigada Militar, ele teria alegado que desconfiava que estava sendo traído. Segundo familiares, a jovem já teria relatado que o companheiro era ciumento, mas ela não havia feito registros anteriores contra o companheiro, segundo a polícia.

— Ela estava genuinamente feliz, estava apaixonada. Ele conhecia a nossa família. A irmã mais nova dela também namora, e eles todos costumavam sair juntos. Não que exista justificativa para o que ocorreu, mas Luanne era leal, fiel. Não só a ele, a qualquer pessoa. Era íntegra, ética. Além de toda a indignação e tristeza que fica, esperamos que sirva como um alerta. Para que as pessoas estejam atentas, porque é um crime que infelizmente acontece muito — Carolina.

A jovem deixa os pais e duas irmãs, além de demais familiares e amigos. Carolina afirma que a família fará um ato no próximo sábado (16), às 16h, para homenagear a jovem e protestar pelo fim da violência contra as mulheres. O local da ação ainda será definido. O sepultamento da estudante ocorreu nesta manhã, em Santa Maria, onde ela nasceu.

Em nota, a USFM afirmou que a "direção do Centro de Educação, o Curso de Pedagogia Diurno e a comunidade do Centro de Educação" da universidade "lamentam imensamente o falecimento da aluna". "Neste momento de perda e de dor, transmitimos os nossos sentimentos aos familiares, amigos e colegas."

Crime é investigado

O caso ocorreu na madrugada do último domingo (10), depois que Luanne foi asfixiada pelo namorado e não resistiu. Ela morreu em via pública, ainda antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que teria sido acionada pelo autor do crime. Os dois estavam na Rua Luiz Mallo, no bairro Itararé, em Santa Maria.

O caso é investigado como feminicídio pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) do município. A delegada que responde pelo inquérito, Elizabete Shimomura, afirmou que diligências são feitas nesta segunda-feira (11), e que as equipes ainda devem ouvir familiares da jovem e possíveis testemunhas do fato.

Testemunhas ouvidas no local por policiais militares que atenderam a ocorrência relataram ter ouvido gritos de socorro da mulher. Um morador afirmou que, ao sair de casa para verificar o que estava acontecendo, teria visto o suspeito sair correndo do local do crime com uma bolsa, retornando em seguida sem o objeto. Segundo os relatos, o homem teria tentado forjar um assalto.

No local, segundo a BM, o homem afirmou que era namorado da vítima e teria relatado diferentes versões dos fatos aos policiais, aparentando estar desorientado. Depois, ele foi encaminhado à delegacia, onde teria confessado que matou a mulher. O homem foi preso em flagrante. O carro que estava no local, que seria da vítima, foi recolhido.

 
 
 
 
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