Homem que matou policial civil durante operação em Gravataí é condenado a 80 anos de prisão - Polícia

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Após dois dias de júri20/05/2022 | 07h00Atualizada em 20/05/2022 | 07h00

Homem que matou policial civil durante operação em Gravataí é condenado a 80 anos de prisão

Outros quatro réus por envolvimento no assassinato de Rodrigo Wilsen da Silveira receberam penas que variam de 19 anos e sete meses a 21 anos e nove meses

Homem que matou policial civil durante operação em Gravataí é condenado a 80 anos de prisão Ronaldo Bernardi / Agencia RBS/Agencia RBS
Esposa do escrivão, Raquel Biscaglia, presenciou o crime e foi ouvida durante o julgamento Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS / Agencia RBS
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A Justiça condenou Maicon de Mello Rosa a 80 anos e cinco meses de prisão pela morte do escrivão e chefe de investigação da 2ª Delegacia de Polícia de Gravataí, Rodrigo Wilsen da Silveira, 39 anos. O policial foi baleado enquanto cumpria mandados de busca e apreensão em uma operação contra o tráfico de drogas na cidade da Região Metropolitana, em 2017. 

A sentença da juíza Valéria Eugênia Neves Wilhelm ocorreu após a decisão do Tribunal do Júri de condenar Maicon  por homicídio duplamente qualificado, tentativas de homicídio de outros três agentes, tráfico de drogas, posse e porte ilegal de armas, receptação e organização criminosa. 

No julgamento, também foram condenados Cristiane da Silva Borges, Marcos Leandro Marques Fortunato, Guilherme Santos da Silva e Alecsandro da Silva Borges. No entanto, as sentenças foram relativas aos crimes de tráfico de drogas, posse e porte ilegal de armas, receptação e organização criminosa.

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O júri teve início na manhã de terça-feira (17), no Fórum de Gravataí, e terminou no início da madrugada desta quinta-feira (19). Na quarta-feira (18), o julgamento começou pela explanação do Ministério Público. 

O crime aconteceu em 23 de junho de 2017, em um condomínio no bairro Passo das Pedras, em Gravataí. Os agentes foram recebidos a tiros ao acessarem um dos apartamentos. O escrivão levou um tiro na cabeça e chegou a ser socorrido ao Hospital Dom João Becker, mas não resistiu. A esposa dele, Raquel Biscaglia, presenciou o crime. Ela também é policial e participava da ação nos imóveis. Grávida, acabou perdendo o bebê semanas depois. 

Conforme a denúncia do MP, na casa também estavam Cristiane, Marcos, Alecsandro, Guilherme e Dirce. Os seis foram presos em flagrante e cinco deles seguem recolhidos —Dirce faleceu em 2019. Os policiais apreenderam no condomínio armas, drogas e veículos, entre eles um roubado. A operação tinha objetivo de desarticular a organização criminosa que atuava em Gravataí.

As penas

  • Maicon de Mello Rosa: condenado a 80 anos e cinco meses de prisão por homicídio duplamente qualificado do policial civil Rodrigo Wilsen da Silveira, tentativas de homicídio de outros três agentes, tráfico de drogas, posse e porte ilegal de armas, receptação e organização criminosa
  •  Cristiane da Silva Borges: condenada a 21 anos e nove meses de reclusão por tráfico de drogas, posse e porte ilegal de armas, receptação e organização criminosa
  •  Marcos Leandro Marques Fortunato: sentenciado a 19 anos e nove meses de reclusão pelos crimes de tráfico de drogas, posse e porte ilegal de armas, receptação e organização criminosa
  • Guilherme Santos da Silva: sentenciado a 19 anos e nove meses de reclusão pelos crimes de tráfico de drogas, posse e porte ilegal de armas, receptação e organização criminosa
  •  Alecsandro da Silva Borges: condenado a 19 anos e sete meses de prisão por tráfico de drogas, posse e porte ilegal de armas, receptação e organização criminosa

Contrapontos

Por meio de nota, a advogada de Maicon de Mello Rosa, Emiliane Gauer, afirmou que irá recorrer da decisão em relação a "aplicação da pena e a falta de provas para os crimes conexos". A nota destaca ainda que a defesa "respeita o veredicto, mas considera que a condenação foi excessiva". "Infelizmente, o clamor social decidiu mais uma sentença. É um dia triste para a justiça e para a correta aplicação da lei", diz trecho.

Já a Defensoria Pública do Estado, responsável pela defesa dos réus Guilherme da Silva e Marcos Fortunato, afirmou que somente irá se manifestar nos autos do processo. 

O representante legal de Cristiane Borges e Alecsandro Borges não foi localizado até o fechamento desta reportagem. 

GZH também consultou a promotoria do Ministério Público do Estado que confirmou que não irá recorrer da decisão, pois considera as penas de acordo com as provas do processo. 

 
 
 
 
 
 
 
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