Interrogatórios e buscas com cães: os próximos passos de investigação após prisão de filha e neto de idoso desaparecido em Cachoeirinha - Polícia

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CASAL SUMIDO10/05/2022 | 07h00Atualizada em 10/05/2022 | 07h00

Interrogatórios e buscas com cães: os próximos passos de investigação após prisão de filha e neto de idoso desaparecido em Cachoeirinha

Perícia constatou presença de sangue de Rubem Heger, 85 anos, em parede da casa. Ele sumiu em 27 de fevereiro, assim como a esposa Marlene Heger Stafft, 53

Interrogatórios e buscas com cães: os próximos passos de investigação após prisão de filha e neto de idoso desaparecido em Cachoeirinha Arquivo Pessoal / Divulgação/Divulgação
Rubem, caminhoneiro aposentado, e a esposa Marlene residiam no bairro Carlos Wilkens Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação / Divulgação
Leticia Mendes

Após a prisão de dois suspeitos de envolvimento no sumiço de um casal em Cachoeirinha, na Região Metropolitana, a investigação partirá para novas etapas nos próximos dias. Rubem Heger, 85 anos, e a esposa Marlene Heger Stafft, 53, sumiram em 27 de fevereiro. Na última sexta-feira (6), a filha e o neto do idoso foram presos preventivamente em Canoas. Interrogar os dois e realizar buscas em locais onde se suspeita que possam estar escondidos os corpos estão entre as ações que serão realizadas para tentar concluir o caso. A expectativa é finalizar o inquérito até o fim desta semana.  

Cláudia de Almeida Heger, 51 anos, e o filho Andrew Ribas Heger, 28, foram as últimas pessoas a terem contato com o casal. A mulher alega que foi visitar o pai e a madrasta em Cachoeirinha e depois levou os dois para passarem alguns dias na casa dela, em Canoas. A polícia, no entanto, não acredita que essa versão seja verdadeira. Os dois já eram investigados como suspeitos de envolvimento no sumiço. Série de fatores levaram os policiais a desconfiar deles, como o fato de o idoso ter saído de casa sem os medicamentos ou oxigênio, e imagens de câmeras que mostravam a movimentação de mãe e filho na casa das vítimas.   

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Mas até a semana passada não havia provas científicas de que o casal pudesse ter sido vítima de um crime. Foi quando um laudo da perícia confirmou que um respingo de sangue encontrado na residência, em Cachoeirinha, era compatível com o de Rubem. A mancha não estava visível na parede da cozinha, mas foi encontrada com uso de luminol. Também foram recolhidas camisetas dentro de uma máquina de lavar com algum material que reagiu ao luminol.  

— Outro ponto curioso é que embaixo da pia, nos materiais de limpeza, algo reagiu ao luminol, mas não foi possível pegar para detectar se era sangue humano. Mas parece que alguém com sangue nas mãos usou esses materiais de limpeza — afirma o delegado Anderson Spier, da 1ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha.  

Suspeita de premeditação  

Alguns indícios encontrados até agora levam a polícia a suspeitar que o crime possa ter sido premeditado. Um dos pontos foi a descoberta de que uma semana antes do fato o neto de Rubem instalou uma película escura nos vidros do veículo. Além disso, no celular dele, segundo o delegado, foram encontrados vídeos gravados em dezembro com áreas de mata.  

— Juntando todo o contexto, parece que tenha sido um crime premeditado, que estavam aguardando a oportunidade. Pegaram um fim de semana que não tinha ninguém da família na cidade, somente o casal. Se analisarmos todo o inquérito, se percebe isso. Que ela (Cláudia) buscou inclusive um álibi para se isentar (alegou que estava num posto de saúde quando o pai e madrasta sumiram) — analisa o delegado.  

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Pelo menos um desses pontos dos vídeos gravados em matas foi identificado pela investigação e está entre os locais onde serão realizadas novas buscas. A polícia está em contato com os bombeiros para organizar uma nova operação de procura pelos corpos do casal. O trabalho deve acontecer tanto em Canoas, quanto em outros locais apurados pelos agentes. Pontos no trajeto feito de carro pela filha e o neto, entre Cachoeirinha e Canoas, foram mapeados. Há diversas áreas de mata extensa, onde será preciso empregar o uso de cães farejadores. 

Ainda não há data definida para que essas buscas aconteçam, mas a expectativa é de que possam ocorrer nos próximos dias. Antes disso, os bombeiros devem fazer uma visita aos locais para definir a melhor estratégia. A polícia trabalha com a possibilidade de concluir o inquérito sem a localização dos corpos.  

— Temos outros casos conhecidos, como o da Nicolle (modelo desaparecida em junho de 2017), que até hoje não apareceu. Outros exemplos nacionais como o da Eliza Samúdio. Existe infelizmente essa possibilidade de não estarem nessas áreas — diz Spier.  

Interrogatórios 

A filha já havia sido ouvida durante a investigação em duas oportunidades. Na primeira delas, como testemunha, e na segunda já como investigada. O neto permaneceu em silêncio. Agora, com a prisão dos dois, a polícia espera agendar nova data ao longo desta semana para interrogá-los. Antes disso, a investigação deve reunir todos os laudos do caso. Ainda são aguardadas algumas perícias.  

Sobre a possível motivação do crime, a polícia acredita que a filha possa ter decidido se vingar do pai porque ele teria deixado de apoiá-la. Somente recentemente é que os dois teriam voltado a se aproximar. A defesa contesta essa versão e alega que eles mantinham ótima relação e que Cláudia só confiava o filho ao pai.  

— Pelo que a gente apurou, pode ter acontecido uma retaliação com relação ao pai, em razão de fatos anteriores ocorridos. Desde 2017, deu confusão com ela e o pai, que parou de dar apoio e ajuda financeira — diz o delegado.  

Defesa nega envolvimento  

O advogado Rodrigo Schmitt da Silva, responsável por representar Cláudia e Andrew no caso, nega que eles tenham envolvimento no sumiço do casal. Alega que a cliente somente levou o pai e a madrasta para passarem alguns dias na casa dela em Canoas e que, neste período, eles desapareceram.   

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— A fundamentação é de que naquela gota de sangue o material genético seria compatível com o do irmão da minha cliente, que é quem acusa a minha cliente, quem foi fazer ocorrência contra ela. A perícia foi feita depois que eles estiveram na casa. Então, já num ambiente violado. E apenas aparece ali. Não aparece nenhuma gota no chão, nenhuma gota no carro. A tese é de que depois de serem agredidos teriam sido colocados no porta-malas do carro e não aparece gota em lugar algum, nem no carro — afirma o advogado.  

Silva argumenta que Cláudia é primária, sem antecedentes, com residência fixa e ocupação lícita, e que, por tanto, teria todos os pré-requisitos para responder em liberdade. Também afirma que ela possui problemas de saúde como diabetes, pressão alta e lúpus, e que o filho possui esquizofrenia. Será realizada audiência de custódia às 14h desta segunda-feira (9) no Fórum de Cachoeirinha.   

— Decretaram a preventiva por risco de fuga. A investigação tem dois meses, e a minha cliente deu depoimento duas vezes, deu depoimento de seis horas. Foi presa em casa. Estava respondendo, colaborando com a Justiça. Passou o dia das mães presa, junto ao filho, doente, e sem saber onde está o pai. Vou fazer o pedido hoje para que sejam atendidos os direitos básicos dela, desde saúde até a liberdade — diz.  

 
 
 
 
 
 
 
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