"Nenhuma das pessoas ouvidas até o momento imaginava o que poderia acontecer", diz delegado sobre caso de família morta no Santa Tereza - Polícia

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Investigação 05/05/2022 | 08h39Atualizada em 05/05/2022 | 08h40

"Nenhuma das pessoas ouvidas até o momento imaginava o que poderia acontecer", diz delegado sobre caso de família morta no Santa Tereza

Até agora, prestaram depoimento à polícia três familiares das vítimas, uma amiga do casal e dois funcionários do condomínio onde aconteceu o crime 

"Nenhuma das pessoas ouvidas até o momento imaginava o que poderia acontecer", diz delegado sobre caso de família morta no Santa Tereza Ronaldo Bernardi / Agencia RBS/Agencia RBS
Cinco pessoas da mesma família foram mortas, na zona sul de Porto Alegre Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS / Agencia RBS
Leticia Mendes

Os depoimentos ouvidos até o momento pela Polícia Civil durante a investigação da morte de cinco pessoas da mesma família na zona sul de Porto Alegre reforçam a hipótese de que um empresário, também encontrado sem vida, tenha sido o autor do crime. Além dele, foram assassinados a tiros a esposa, o filho adolescente, a mãe e a sogra. A equipe da 4ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) pretende concluir a investigação entre o fim desta semana e o começo da próxima. O caso completou uma semana nesta quarta-feira (4).

Foram ouvidos dois irmãos do empresário, uma mulher que vivia na residência da família, única sobrevivente, uma amiga do casal e dois funcionários do condomínio no bairro Santa Tereza. Um dos pontos que a polícia acredita ter esclarecido é o momento no qual o empresário Octávio Driemeyer Júnior, 44 anos, teria tido acesso às duas espingardas. As armas pertenciam ao sogro dele, que havia falecido no sábado anterior ao crime. Após ouvir os familiares, os investigadores acreditam que ele tenha buscado os armamentos na casa do idoso, no bairro Menino Deus, dois dias antes de a família ser morta.

— Toda a construção que fizemos pela lógica dos depoimentos aponta que em um momento ele conversa com a esposa sobre a necessidade de dar jeito nas armas, e ela concorda. Pelo desenho que se fez do cenário, o ingresso das armas na casa deve ter acontecido na segunda-feira ou mais tardar na terça-feira de manhã. Muito provavelmente tenha sido na segunda-feira — explica o delegado Rodrigo Pohlmann Garcia. 

Essas espingardas de calibre 12 teriam ficado armazenadas no sótão da residência onde vivia a família, na Rua Dona Maria, na Zona Sul. A polícia encontrou nesse local um edredom que não seria da moradia, por isso acredita que tenham permanecido enroladas ali. Não foi possível esclarecer se a esposa de Júnior, Lisandra Lazaretti Driemeyer, 45, tinha conhecimento de que o marido havia buscado as espingardas. Além dela, também foram mortos o filho Enzo, 14, a mãe de Júnior, Delci Driemeyer, 79, e a sogra, Geraldina Lazaretti, 81. 

— Tinha nos chamado atenção o tipo de arma usada, de grosso calibre, mas eram as ferramentas que ele tinha naquele momento. Acabou sendo o que ele utilizou. Não se sabe se a esposa teria acompanhado ele no momento em que foi pegar as armas. Existe essa possibilidade, tendo em vista que sempre que ingressava no apartamento que pertencia ao sogro, a esposa estava junto. Ela não tinha como imaginar. Nenhuma das pessoas ouvidas até o momento imaginava o que poderia acontecer – diz o delegado.  

As pessoas ouvidas pela investigação não descreveram Júnior como alguém afeito ao uso de armas. No entanto, a polícia acredita que ele pode ter aprendido a manusear as espingardas nas vezes em que acompanhou o sogro em algumas pescarias e caçadas. Outro ponto que a polícia tentou elucidar com os depoimentos é se o empresário deu algum sinal de que poderia cometer um ato como esse. 

— Em alguns depoimentos foi possível verificar que ele (Júnior) fez questionamentos às pessoas em relação ao que acontece com um suicida. Sobre vida após a morte. Como estavam vivendo aquele momento tendo em vista a morte do sogro, não levaram em consideração. Após o fato acontecer, isso chamou atenção. Mas ele manteve a rotina normal, nada que levasse a alguma suspeita — explica o delegado.  

Uma das pessoas para quem Júnior teria feito esse tipo de questionamento é a tia da esposa, que vivia na casa com eles. A mulher, única sobrevivente, que não chegou a ser ferida, relatou novamente que acordou pouco depois das 7h com o som dos disparos. Ela confirmou que na noite anterior o empresário lhe ofereceu um medicamento, que ela tomou. Neste momento, ele teria dito que todos já tinham tomado o mesmo remédio.  

Na noite anterior ao crime, a família teria ido dormir entre 23h e meia-noite. Uma das suspeitas é de que as vítimas possam ter sido dopadas, mas isso só poderá ser confirmado por meio da perícia. A familiar não soube informar qual remédio tomou, e disse que era comum o empresário fornecer medicamentos à família, como vitaminas, por isso não desconfiou de nada. Foi ela quem descobriu os corpos na manhã seguinte e pediu ajuda a um dos funcionários do condomínio.

Motivos  

Entre as motivações que a polícia acredita que possam estar por trás do crime está uma crise financeira. Durante o depoimento, os familiares confirmaram que havia problemas nesse sentido, mas que não suspeitavam que isso pudesse levar ao desfecho trágico. Octávio Driemeyer Júnior era proprietário de uma empresa em Canoas, onde também trabalhavam dois irmãos na parte logística.

— Realmente havia uma dívida, que estava em processo de repactuação com o banco. Os irmãos entendem que isso pode ter afetado a saúde mental dele, embora não parecesse. Ficou difícil para a família enxergar. E, segundo o que foi relatado, a família mais próxima, como esposa, mãe, filho, não sabiam dessa crise. É uma soma de fatores. Ele tinha muito essa questão de centralização das atividades da empresa, e era muito preocupado com a família. A perda do sogro também parece ter causado bastante impacto — afirma o delegado.  

Pelo que foi apurado até o momento, o empresário não passava por tratamento psicológico ou psiquiátrico. No entanto, faria uso de um remédio para ansiedade há cerca de dois anos. A esposa também costumava usar medicamentos para dormir. Ainda que a principal suspeita seja de que Driemeyer Júnior tenha sido o autor do crime, a polícia solicitou ao condomínio as imagens das câmeras de segurança. A análise realizada até o momento indica que não houve ingresso de nenhuma outra pessoa na moradia da família.  

Os investigadores ainda devem ouvir alguns familiares e aguardam o recebimento das perícias (necropsia e de local do crime) para finalizar a investigação. A expectativa é concluir o inquérito entre sexta-feira e a próxima semana. Em caso de conclusão de que o autor foi mesmo o empresário, é extinta a punibilidade, em razão da morte.

empresário não passava por tratamento psicológico ou psiquiátrico. No entanto, faria uso de um remédio para ansiedade há cerca de dois anos. A esposa também costumava usar medicamentos para dormir. Ainda que a principal suspeita seja de que Driemeyer Júnior tenha sido o autor do crime, a polícia solicitou ao condomínio as imagens das câmeras de segurança. A análise realizada até o momento indica que não houve ingresso de nenhuma outra pessoa na moradia da família.  

Os investigadores ainda devem ouvir alguns familiares e aguardam o recebimento das perícias (necropsia e de local do crime) para finalizar a investigação. A expectativa é concluir o inquérito entre sexta-feira e a próxima semana. Em caso de conclusão de que o autor foi mesmo o empresário, é extinta a punibilidade, em razão da morte.

 
 
 
 
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