"Dei duas ou três garrafadas nele", admite réu durante júri pelo assassinato de adolescente em Charqueadas - Polícia

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Caso Ronei24/06/2022 | 08h35

"Dei duas ou três garrafadas nele", admite réu durante júri pelo assassinato de adolescente em Charqueadas

Peterson Patric Silveira Oliveira, 26 anos, é um dos três acusados no crime que aconteceu em agosto de 2015, na saída de uma festa

"Dei duas ou três garrafadas nele", admite réu durante júri pelo assassinato de adolescente em Charqueadas Juliano Verardi / DICOM/TJRS/Divulgação/DICOM/TJRS/Divulgação
Peterson Patric Silveira Oliveira detalhou as agressões durante a briga Foto: Juliano Verardi / DICOM/TJRS/Divulgação / DICOM/TJRS/Divulgação
Leticia Mendes

Segundo réu a ser interrogado na tarde desta quinta-feira (23) durante julgamento em Charqueadas, Peterson Patric Silveira Oliveira, 26 anos, admitiu ter atingido Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro Júnior, 17 anos, com garrafadas na cabeça na madrugada de 1º de agosto de 2015. Num interrogatório que durou cerca de 45 minutos, ele descreveu como foram as agressões contra o adolescente. O estudante morreu após ser agredido na saída de uma festa. Este é o primeiro de três júris previstos para ocorrerem neste ano.

O interrogatório de Peterson teve início às 15h45min, com os questionamentos do juiz Jonathan Cassou dos Santos, de Charqueadas. No início do interrogatório, Peterson admitiu ter sido o autor das garrafadas que atingiram a vítima. Ele contou que não chegou a entrar na festa onde estavam Ronei Junior e os colegas de escola, mas disse que se envolveu na briga em razão de um amigo.

— Quando atravessei a rua, já estava a briga acontecendo. A minha participação foi rápida e infelizmente decisiva — relatou.

Segundo Peterson, alguém apontou Ronei Júnior, já dentro do carro do pai, como sendo uma das pessoas que se envolveu em uma briga com um amigo dele. Ele disse que como a porta do veículo estava aberta, avançou para cima dele com uma garrafa:

— Tinha duas ou três brigas ocorrendo ao mesmo tempo. Dei duas ou três garrafadas nele. Vi que a briga estava tomando proporção descomunal. Saí correndo e joguei a garrafa.

— Onde o senhor o golpeou? — questionou o magistrado.

— Na cabeça. Umas duas ou três vezes. Acho que foram três — respondeu o réu.

Nesse momento, Tatiane Faleiro, 46 anos, mãe de Ronei, precisou deixar o local. Do lado de fora, ela precisou receber atendimento médico. 

Questionado mais de uma vez se já tinha algum desentendimento anterior com as vítimas, Peterson garantiu que não, e afirmou que só se envolveu na briga para defender um amigo. No interrogatório, admitiu que estava bêbado na madrugada do crime e que nem sequer chegou a ingressar no local da festa. Relatou que antes desse caso já tinha se envolvido em outras brigas na cidade. Ao fim do interrogatório, pediu perdão aos familiares da vítima.

— Sei que não mereço e nunca vou... Se eu pudesse ter perdão da família. Me envergonho do meu ato. Infelizmente, eu estraguei a vida de uma família. É difícil isso. Tirar o bem mais precioso. Eu fui ter noção do que eu fiz dentro da cadeia — disse o réu, que permaneceu seis anos e 10 meses preso até receber liberdade em abril deste ano.

Questionado sobre o que espera do julgamento, o réu afirmou:

— Só quero ser condenado hoje ou amanhã. Pagar o que eu devo e poder continuar a minha vida, o que sobrou dela.

Sobre as outras vítimas de tentativa de homicídio – o pai de Ronei Júnior e um casal de amigos, que constam no processo – o réu negou que tenha agredido qualquer uma. Peterson optou por não responder questionamentos feitos pelo Ministério Público (MP), e o relato foi encerrado pouco antes das 16h30min.

No segundo dia de julgamento, réus falam sobre assassinato de Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro Júnior, em Charqueadas. Na foto,Vinicius Adonai Carvalho da Silva. - Foto: Juliano Verardi/DICOM/TJRS/DivulgaçãoIndexador: Juliano Verardi<!-- NICAID(15131047) -->
Vinicius Adonai Carvalho da Silva também falou durante o júriFoto: Juliano Verardi / DICOM/TJRS/Divulgação

Logo depois dele, foi ouvido o réu Vinicius Adonai Carvalho da Silva. Num interrogatório de menos de 30 minutos, o réu negou ter se envolvido na briga e disse que não agrediu ninguém em nenhum momento. Admitiu somente ter ajudado outro réu, Leonardo Macedo da Cunha, a se erguer do chão e também, assim como os outros acusados, contou que estava alcoolizado.

— Em ninguém, nenhum soco — disse quando foi questionado se agrediu alguém.

Mais cedo, foi ouvido Leonardo Macedo da Cunha, também réu no caso, que admitiu ter dado um chute no pai de Ronei Júnior, o engenheiro Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro, 55 anos, que foi até o local buscar o filho de carro. O réu negou que tenha agredido outras pessoas.

Leonardo alegou que entrou na briga porque alguém teria dito que o amigo Jhonata Paulino da Silva Hammes, também acusado, havia se envolvido em uma confusão. Repetidas vezes, o réu afirmou que o pai de Ronei Júnior estava com uma garrafa na mão.

Após ser encerrada a fase dos depoimentos de testemunhas, passaram a ser ouvidos na tarde desta quinta-feira (23) os réus pelo assassinato de Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro Júnior, 17 anos.O interrogatório de Leonardo Macedo da Cunha, primeiro réu a depor, começou por volta de 14h30min e durou cerca de uma hora.<!-- NICAID(15131051) -->
Leonardo Macedo da Cunha também é réu no caso Foto: Juliano Verardi / DICOM/TJRS

— O Jonatha está caído no chão, o pai está com uma garrafa na mão e vai em direção ao Jonatha. Eu dei o chute nele. Ele estava de frente. Eu caí no chão. Eu estava muito bêbado –narrou.

Próximos passos

Com o fim dos depoimentos das testemunhas e interrogatórios dos réus, o júri segue agora para a última fase: os debates. Nesta sexta-feira (24), o julgamento começará uma hora mais cedo, às 8h. Na primeira etapa, os quatro promotores do Ministério Público terão duas horas e meia para detalhar a acusação.

Na sequência, as três defesas terão o mesmo tempo. Logo depois, a acusação poderá utilizar a réplica, e cada parte terá mais duas horas de fala. Por fim, os jurados se reúnem para definir se os réus são ou não culpados pelos crimes dos quais são acusados. O julgamento chega ao fim quando o juiz apresenta o veredito. 

 
 
 
 
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