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Região Metropolitana21/06/2022 | 07h01Atualizada em 21/06/2022 | 07h01

Polícia investiga denúncias para identificar os pais de bebê encontrado dentro de saco de lixo em Gravataí

Menino foi localizado na sexta-feira e segue hospitalizado, em observação

Polícia investiga denúncias para identificar os pais de bebê encontrado dentro de saco de lixo em Gravataí Polícia Civil / Divulgação/Divulgação
Imagem mostra onde o bebê foi encontrado pela testemunha, junto a grama Foto: Polícia Civil / Divulgação / Divulgação

A Polícia Civil investiga denúncias recebidas durante o fim de semana na tentativa de identificar os pais do bebê encontrado dentro de um saco de lixo em uma rua de Gravataí, na Região Metropolitana. O menino foi encontrado na sexta-feira (20), por uma mulher que passava pelo local e teria escutado o choro da criança, e encaminhado ao hospital. Ele segue internado, nesta segunda-feira (20), em observação. O quadro é considerado estável.

De acordo com a delegada Fernanda Generalli, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Gravataí, os relatos recebidos pela equipe indicam quem seriam os responsáveis pelo menino, mas as informações ainda são verificadas junto a hospitais e unidades de pronto-atendimento.

— Ele foi encontrado em um local ermo, sem câmeras de segurança nem testemunhas, o que dificulta que os responsáveis sejam localizados. Estamos em diligências para verificar quem é a mãe e quem teria realizado o abandono. Não há registros de nascimentos nos postos da cidade, então acreditamos que tenha sido um parto caseiro. Estamos verificando também se há alguma mulher que tenha realizado exames pré-natal na rede de saúde nos últimos meses — afirma Fernanda.

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Segundo a delegada, moradores e comerciantes da região foram ouvidos, mas nenhum teria visto o momento do abandono.

Na sexta, após ser encontrado, o bebê foi entregue à polícia e encaminhado ao Hospital Dom João Becker, no município. Ele teve a temperatura corporal estabilizada e segue internado, em observação. Segundo a delegada, o menino não tem lesões aparentes nem problemas de saúde mais graves e o quadro é estável. Não há previsão de alta.

A polícia aguarda um boletim de atendimento médico, que deve ser enviado nos próximos dias pelo hospital, indicando quantos meses o menino tem e qual o dia provável do nascimento, além de mais detalhes sobre o bebê.

Até o momento, o caso é investigado como abandono de incapaz, mas a polícia não descarta que se trate de uma tentativa de infanticídio.

Quem tiver informações sobre o caso pode repassá-las à polícia, de forma anônima, pelo telefone e WhatsApp (51) 8446-6892.

Bebê estava com cordão umbilical

Segundo a delegada, o bebê foi encontrado sem roupa dentro do saco de lixo, que estava fechado, por volta das 12h de sexta-feira. O menino ainda tinha o cordão umbilical, com um prendedor de roupas na ponta. A polícia acredita que ele tenha sido abandonado no local pouco tempo antes de ser resgatado.

— Estava bem frio e chovia bastante naquela sexta. Acreditamos que ele não estivesse ali há muito tempo, porque do contrário já teria falecido — avalia a delegada Fernanda.

O bebê foi encontrado em uma ponte sobre um arroio no bairro Bom Sucesso, numa região de matagal e pouca circulação. A mulher que o encontrou relatou à polícia ter ouvido um choro abafado vindo do saco, que resolveu verificar.

— Ela disse que ouviu um choro bem fraquinho, que parecia de bebê, mas que ele não estava se mexendo. Ela chegou mais perto e continuou ouvindo o barulho. Aí rasgou o saco e viu que dentro estava a criança. É muito chocante, ainda mais considerando o clima que estava no dia, de muito frio. Ele estava à própria sorte, indefeso. Felizmente, foi encontrado por essa testemunha, recebeu atendimento e agora está estável — conta a responsável pela investigação do caso.

Ainda na sexta-feira, a polícia acionou o Ministério Público e o Conselho Tutelar.

De acordo com a conselheira Liege Regina da Silva, que atende o caso, quando receber alta, o bebê será encaminhado para acolhimento institucional. Ele ficará em uma casa, mantida pela prefeitura, com equipe de assistência 24 horas.

A conselheira ressalta que as circunstâncias do caso ainda são desconhecidas e que é preciso aguardar a conclusão da investigação policial para obter mais informações. Não há registros de atendimentos, por parte do conselho, que ajudem a indicar quem são os pais do menino, dia Liege.

— É preciso aguardar a investigação da polícia para descobrir a identidade desse bebê. Em relação ao futuro dele, a prioridade é sempre de algum familiar, se tiver interesse em acolhê-lo. Caso contrário, ele deve ir para adoção, mediante decisão da Justiça. O importante é que, neste momento, ele está acolhido, está bem e saudável — afirma Liege.

 
 
 
 
 
 
 
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