Rio Grande do Sul
José Fortunati é reeleito em Porto Alegre
Candidato do PDT foi eleito pela segunda vez com 65,22% dos votos

José Fortunati (PDT) está eleito para o segundo mandato como prefeito de Porto Alegre com 65,22% dos votos. A reeleição do pedetista já era apontada pela pesquisa de boca de urna divulgada pelo Ibope durante a tarde de hoje.
O prefeito chegou a aparecer atrás da candidata Manuela D'Ávila (PC do B) nas primeiras pesquisas de intenção de voto. Nas urnas, Manuela ficou em sugundo lugar, com 17,76% dos votos.
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Fortunati votou pela manhã e acompanhou a apuração de seu apartamento, no centro da Capital. Às 18h06min deste domingo, a candidata comunista reconheceu a derrota nas urnas e parabenizou José Fortunati por mensagem no Twitter. Com 39,05% dos votos apurados, o percentual de José Fortunati já era de 65,76%.
Antes de serem divulgados resultados da eleição na Capital, o governador Tarso Genro também havia cumprimentado o atual prefeito pela reeleição.
Saiba mais sobre o prefeito reeleito
José Fortunati (PDT), o prefeito reeleito de Porto Alegre veio de uma família modesta. Em Caxias do Sul, onde cresceu, trabalhava como balconista da Farmácia São Pedro. O dinheiro pagava as passagens e livros.
A família não tinha televisão. Era na casa dos vizinhos, os Finger, que ele assistia às aventuras do super-herói favorito: o japonês Ultraman que a piazada imitava na rua.
Rádio, a família tinha. A mãe, dona Amélia, ouvia noticiário, discursos, acompanhava a política. O filho traz no nome dois traços marcantes da mãe, uma mulher politizada e religiosa. José, o santo padroeiro dos operários. Alberto, em homenagem ao líder trabalhista Alberto Pasqualini. Reus, em agradecimento ao Padre Reus por uma graça alcançada. Os Fortunati e os Santini (sobrenome da mãe) são famílias que chegaram ao Estado na primeira leva da imigração. A ascendência proporcionou ao bisneto a cidadania italiana. Do lado paterno, herdou a altura e a magreza. Tem 1m98cm.
A mãe viu o filho crescer politicamente com orgulho e apreensão. Tinha medo das notícias que chegavam dando conta da violência da repressão da ditadura. Na época, meados dos anos 1970, Fortunati tinha se mudado para Porto Alegre, para estudar Matemática na UFRGS. Viveu intensamente a política estudantil morando na Casa do Estudante, onde foi organizada, entre outras, a grande marcha de protesto que resultou na invasão da Casa pelo pelotão de choque da Brigada Militar.
No último semestre da Matemática, passou no concurso do Banco do Brasil e abandonou a universidade. Na época, uma carreira no banco era sinônimo de status. Em função do trabalho, achou útil cursar Administração, e depois fez Direito.
Ter estado à frente das negociações contra a liquidação do Banco Sulbrasileiro, na condição de presidente do Sindicato dos Bancários, é um de seus maiores orgulhos.
No ato pelas Diretas, Fortunati era presidente da CUT no Estado e discursou para 100 mil pessoas. Ninguém imaginaria um megafone na mão do adolescente travado pela timidez - vencida, em boa parte, graças ao esporte.
Em 1995, Fortunati fundou, com três companheiros, o Núcleo Gremista do PT. Mandaram costurar uma bandeira em azul, branco e preto com a estrela do partido no meio.
Fortunati saiu em 2001 do partido pelo qual elegeu-se vereador, deputado estadual, duas vezes deputado federal e vice-prefeito de Porto Alegre na gestão de Raul Pont. Levado pela via sindical à política partidária, foi um dos 113 signatários do manifesto de fundação do Partido dos Trabalhadores no Estado. A desfiliação
aconteceu na sequência de fatos que ele julgou deste modo na Carta Aberta ao Público Gaúcho redigida na época: ele teria sido "atropelado" e preterido "de forma questionável" em prévias do partido.
Seis meses depois, Fortunati ingressava no PDT de Leonel Brizola.