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Cupido13/12/2014 | 07h07

Separados há 30 anos, casal se reencontrou com ajuda do Google

Em uma pesquisa no site de buscas, José Nei descobriu que o grande amor da adolescência estava mais perto do que ele imaginava: eram quase vizinhos em Viamão

Separados há 30 anos, casal se reencontrou com ajuda do Google Diego Vara/Agencia RBS
Há seis anos juntos novamente, Nara e José moram juntos em Viamão Foto: Diego Vara / Agencia RBS

Ao digitar o nome de Nara Regina Conrad Brum no site de buscas mais popular do mundo, o Google, o militar aposentado José Nei Machado da Silva, 60 anos, começou a juntar as pistas que precisava para reencontrar um amor que o tempo não apagou.
Um desentendimento em um baile de Carnaval em Porto Alegre, em 1976, separou o casal que tinha planos de trocar alianças. Dali em diante, nunca mais se encontraram.
Trinta e dois anos se passaram, até o dia em que o cupido Google começou a interferir no destino de ambos.

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"Sempre pensei nela, mesmo estando casado"

Ele não esqueceu a morena dos olhos castanhos. Ela sempre escondeu no fundo das gavetas as fotos em preto e branco do tempo do namoro. José foi morar em Viamão, teve cinco filhos e foi casado por 30 anos.
Em 2008, ao entrar com o processo de divórcio, começou a procurar pelo paradeiro de Nara.
– Sempre pensei nela, mesmo estando casado, era uma coisa pessoal minha. Não sei explicar.
Pela busca do Google, identificou que Nara tinha o nome cadastrado em uma agência de emprego. Ligou e pediu um contato dela.
– Não quiseram me passar, mas mesmo assim insisti que ligassem para ela e dessem a informação que um homem com meu nome havia a procurado. Deixei meu contato. Isso era uma sexta-feira, a secretária disse que talvez me retornaria na segunda. Quinze minutos depois, meu celular tocou. Era a secretária com o número do telefone de Nara.
– Quando ela ligou e falou em José Nei Machado da Silva, me dei conta na hora de que era ele. Não podia ser outro com o mesmo nome me procurando – lembra Nara.
José sabia que ela havia casado um ano depois da separação dos dois e que poderia estar comprometida. Mesmo assim, não se fez de rogado. Não tinha nada a perder.

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Sem saber, os dois estavam na mesma cidade

Na primeira ligação, mais uma surpresa. Os dois se deram conta de que estavam morando na mesma cidade há anos. Nunca haviam se cruzado na rua, no ônibus ou no supermercado.
O casal que começou o namorico em Santiago, a 443km da Capital, agora, sem saber, estava em Viamão. A partir daí, qualquer dúvida em relação ao poder do destino começou a se desfazer. Era para ser.
Ficaram um mês se falando apenas pelo telefone. Ela, desconfiada, gostava do papo mas tinha medo no que o amado poderia ter se transformado. Não quis passar o endereço de forma alguma. Ele insistia.
– Achava arriscado – conta a cuidadora de idosos, que depois de se separar, há 21 anos, não namorou mais: fechou o coração e só queria saber se trabalhar.
José, mais uma vez, não foi bobo. Por intermédio de uma parente, conseguiu o endereço de Nara. Se deram conta de uma nova surpresa: eles moravam a 5km de distância um do outro. Ela no Bairro Cohab e ele no Jardim Estalagem. Sem avisar, ele a procurou.
– Fui com a cara e a coragem, precisava ver como ela estava, como seria – relembra, ele.
– Foi um choque quando a gente se viu, a sensação era de que o tempo não tinha passado. Pra mim, era como se ele fosse o mesmo do passado – conta ela, emocionada.

Ele não perdeu tempo

Para sei José Nei, não havia mais tempo a perder. Poucos dias depois do encontro se mudou para a casa de Nara, onde ela vivia com a a única filha Rochele, 36 anos, e a neta Ellen, 10 anos.
– Era para ser esse reencontro agora, o tempo passa e a gente amadurece. Talvez, se tivéssemos casado naquela época, não teria dado certo – avalia Nara.
Moraram um ano no Bairro Cohab e a há cinco vivem uma casa no Bairro Jardim Krahe. Na sala, exibem muitas fotos da primeira fase do namoro.
– Minha mãe sempre me falou dele, mostrava fotos e dizia que ele era para ser meu pai. Hoje ele é um paizão pra nós – comenta Rochele.
Seis anos depois de se reencontrarem, vão, enfim, realizar o sonho que tinham desde jovens. No dia 10 de janeiro, casarão no civil.

Como tudo começou e... acabou

O namoro entre os dois começou em 1972. José trabalhava na chácara do avô de Nara, em Santiago, onde ela ia passar férias. Mais tarde, ele foi servir o quartel em Porto Alegre e ela continuou em Santa Maria. Aos finais de semana, ia visitá-lo e ele dava trabalho. Bonitão, José vivia rodeado de mulheres.
– Tínhamos muito ciúmes um do outro, e aos finais de semana, quando eu vinha visitá-lo, aparecia um monte de guriazinha querendo dar voltas com ele de moto. Eu ficava só olhando, tinha que aguentar no osso – relembra Nara.

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O namoro acabou em uma noite de Carnaval 1976. Os dois haviam combinado de ir a uma festa com um casal de amigos. Como ele trabalhava até tarde da noite, ela foi na frente e combinou de esperá-lo fora do salão de baile, na companhia do casal.
Ao longo da noite, ela seguiu ali, aguardando José, até que precisou ir ao banheiro. No momento em que saiu do banheiro, encontrou o namorado em fúria. Sem saber, ele entendeu que ela pulava Carnaval sozinha. Nem falaram nada. Ele virou as costas e não retornou mais. O namoro acabou ali.

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