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Comemoração Natalina20/12/2015 | 17h58

Festa de Natal para imigrantes aproxima tradições em CTG

Sindicato reúne cerca de 400 estrangeiros em CTG na Zona Leste de Porto Alegre para celebrar festas de fim de ano e amenizar as saudades de casa

Festa de Natal para imigrantes aproxima tradições em CTG Félix Zucco/Agencia RBS
Festa de Natal homenageia e aproxima estrangeiros Foto: Félix Zucco / Agencia RBS
MANOELA TOMASI

Especial

A trilha sonora, ora em francês ora em crioulo, já entregava logo na entrada quem eram os donos da festa. Em um clima bastante animado, cerca de 400 imigrantes trabalhadores da construção civil, a maioria vinda do Haiti, trocavam risadas e registravam todos os momentos da comemoração especial em seus smartphones.

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 Ontem, o Almoço de Natal, realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil (Sticc) no CTG Pousada da Figueira, na Lomba do Pinheiro, Zona Leste de Porto Alegre, homenageou todos aqueles que deixaram suas famílias para trás, em busca de melhor qualidade de vida. 

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Pelo segundo ano consecutivo, Roosvens Elassi Marc, 30 anos, vai passar o Natal longe de casa. Depois de ter estudado dois anos de Engenharia Civil no Haiti, ele fez na Capital uma especialização em Segurança do Trabalho e hoje atua como fiscal do Sticc.

Desde 2010, logo após um grande terremoto que abalou o país caribenho, milhares de haitianos partiram em direção ao Brasil para encontrar emprego, condições básicas de higiene e, até mesmo, água potável. Porto Alegre foi um dos destinos escolhidos pelos estrangeiros para recomeçar. 


Fotos: Félix Zucco / Agência RBS

— No Haiti tem pouco serviço, por isso nos vemos obrigados a mudar, procurar uma esperança. Deixei minha mãe e irmãos para, quem sabe um dia, voltar para casa com mais condições financeiras. Como diz o Zeca Pagodinho: "vou deixar a vida me levar" — conta o estrangeiro, com o maior bom humor.

Segundo ele, as tradições natalinas são muito semelhantes em ambos os países.

— Lá, o Natal também é comemorado na noite do dia 24, com ceia, troca de presentes, Papai Noel e bebidas. O clima é de muita festa, assim como aqui, por isso estamos nos sentindo muito confortáveis — fala Marc.

Futuro

Mesmo adorando o Brasil, a comida, bebidas e as músicas, os imigrantes garantem que não querem morar fora para sempre. O jovem Evens Sainvilus, 28 anos, que está há três anos na Capital, fala português quase fluente e já conseguiu juntar dinheiro para trazer a esposa e a filha para cá. Ele é pai da pequena Gaelle, três anos, a bailarina que roubou a cena da festa pela graciosidade do vestido e capricho nos cabelos. É por ela que o pai dedica todos os dias de trabalho: para que o futuro da filha seja melhor.



— Primeiro eu vim sozinho, para então ter condições financeiras de trazer a família. Trabalhei um tempo na construção civil e agora estou trabalhando na limpeza de um shopping. O que mais dói, com certeza, é a saudade das pessoas que deixamos lá, no nosso país de origem, mas temos que ter força para alcançar nossos objetivos — fala Evens.

Assim como ele, Jean Maxceno Sanon, 32 anos, profissional de obra, veio com outros três irmãos do Haiti para arrumar emprego em Porto Alegre. Em 2013, ele deixou a esposa e o filho de dois anos na esperança de dias melhores.



— Aqui é muito bom, todos nos receberam muito bem, mas o problema é que falta emprego fixo. Nós somos contratados para tal obra, assim que ela termina, estamos novamente desempregados. Gostaria que nos dessem mais garantia de empregos duradouros — comenta.

Direitos para quem vem de fora

Com quase 2 mil estrangeiros trabalhando na área da construção civil em Porto Alegre e Região Metropolitana, o Sticc cada vez mais tem apostado em eventos de confraternização e palestras para os imigrantes. De acordo com o presidente do Sindicato Gelson Santana, a missão para com os trabalhadores que vêm de fora é mostrar a eles seus direitos e fazer com que reflitam.



— Queremos cuidar e mudar os hábitos dos maus patrões, aqueles que exploram o estrangeiro de maneira desleal. Somos o primeiro sindicato a traduzir convenções coletivas para o francês, a exigir que empresas traduzam contratos de trabalho, para que o trabalhador tenha ciência do que está assinando — fala o presidente.

Segundo ele, o Almoço de Natal faz parte de uma série de iniciativas com o objetivo de incluir os trabalhadores imigrantes na sociedade. 



— Eu mesmo já passei por muitas dificuldades, conheço de perto a pobreza, mas lá no Haiti, quando visitei, eu conheci a miséria. Ao mesmo tempo, eu conheci a esperança. Apesar de tantas ameaças, o povo de lá é sonhador, coisa que os brasileiros já perderam — fala Gelson.

Uma nova parceria foi firmada entre a Sticc e o sindicato haitiano da construção civil: toda a contribuição dos haitianos no Brasil será repassada para o sindicato do país de origem, para que invistam em higiene básica, por exemplo. Além de jovens do Haiti, há ainda trabalhadores do Senegal, na África, e do Chile.

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