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Mundo da gurizada26/05/2017 | 07h02Atualizada em 26/05/2017 | 10h12

Crianças podem ajudar os pais em tarefas domésticas? Veja o que dizem especialistas

De práticas simples, como recolher os brinquedos, a mais complexas, como arrumar a sala, o importante é criar nos pitocos o hábito da colaboração e da responsabilidade

Crianças podem ajudar os pais em tarefas domésticas? Veja o que dizem especialistas Bruno Alencastro/Agencia RBS
Na geladeira da família Marques Velasques, estão afixadas as tarefas da criançada Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

É desde pequeno que se aprende a ser responsável, e exemplo eficaz vem de casa. Por isso, não é incomum ver crianças participando das tarefas domésticas com pais e irmãos. De práticas simples, como recolher os brinquedos, a mais complexas, como colocar a mesa, criar nos pitocos o hábito da colaboração não só é saudável como importante para a formação do adulto que ele será. Veja o que dizem especialistas e como faz uma família da Zona Norte da Capital. 

Exemplo dentro de casa

Na casa da família Marques Velasques, no Bairro Floresta, em Porto Alegre, a criançada pega junto, sob o comando da mãe, Gabriela, 31 anos, e do pai, Átila, 34. Graça, quatro aninhos, Filipe, oito, e Flora, dez, revezam as tarefas rotineiras. Enquanto a caçula está aprendendo a guardar seus brinquedos e livrinhos depois de usá-los, os manos mais velhos já se aventuram em atividades que exigem mais empenho, como arrumar a sala, colocar a mesa e dar alimento ao gato.

E para que ninguém fique em desvantagem na hora de dividir as funções, uma lista fixada na geladeira especifica o que é dever de cada um.

– Antes, eles reclamavam que um fazia mais do que o outro, ou que uma tarefa era mais difícil do que a outra. Então, resolvemos especificar as tarefas, de forma equivalente e com a mesma quantidade para cada um – explica a mãe, que dá o exemplo:

– Eu sempre fiz, desde pequena, e passo isso para os meus filhos, porque, do contrário, na vida adulta, vai ser um sofrimento para eles. Fazemos tudo juntos, eles se espelham no que fazemos.

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Para que tudo ande nos trilhos, há uma negociação. 

– Se a gente não fizer, desconta da mesada ou do tempo pra usar o celular (risos) – entrega Flora, destacando o que não gosta:

– Colocar comida pro gato é o mais chato de fazer.Já Filipe preferia fugir de outra função:

– Limpar a sala é o pior, arrumar a bagunça dos outros.

Flora e Filipe revezam funções rotineiras como colocar a mesa para as refeições Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Contribuição para o futuro

De acordo com a professora de Psicologia da Feevale Michele Terres Trindade, na infância, mais importante do que o resultado é o aprendizado.

– Tudo que ela aprende quando pequena vai repetir na vida adulta. Então, é importante mostrar o significado da atividade: contribuir com a família, ter espírito colaborativo. Não devemos fazer disso um sofrimento, mas um momento lúdico – explica.

Já o pediatra Manuel Ruttkay Pereira, professor das faculdades de Medicina da Ufrgs e da Puc, ressalta que estar inserido nas práticas familiares permite que a criança se desenvolva de forma a aceitar melhor seus papéis na vida adulta dentro da sociedade: 

– Ela vai entendendo a hierarquização, que tem responsabilidades diferenciadas de pai, mãe e dela própria. E, no nosso ambiente de trabalho e no convívio com a sociedade, isso se repete diariamente. Nesse sentido, essas práticas ajudam nessa compreensão e aceitação de que ela faz parte de uma comunidade, que não vive sozinha. Isso será positivo em qualquer relacionamento que ela tiver no futuro. 

Graça já faz a sua parte, guardando seus brinquedos e livrinhos Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Como eles podem ajudar?

Os especialistas concordam que não há regras específicas para destacar tarefas às crianças, mas que é necessário, sim, ter cuidado e atenção ao escolher atividades que sejam apropriadas à faixa etária e à capacidade de compreensão dos pequenos. E ressaltam que é importante tratá-los sempre como auxiliares nas tarefas, sem jamais fazer delas serviçais. Confira!

— De 2 a 3 anos: organizar os brinquedos, guardar o que tira do lugar. Colocar água numa plantinha. 

— De 4 a 5: brincar com uma vassourinha pequena, imitando o ato de varrer. Auxiliar a levar a louça suja da mesa para a pia e as roupas sujas até o cesto. Guardar os sapatos espalhados.

— De 6 a 8: já pode ganhar tarefas mais complexas, como colocar e retirar a mesa, organizar o quarto, estender a cama. Dar alimento aos bichinhos de estimação e organizar o material escolar.

— A partir dos 9: pode tirar o pó de objetos, varrer cômodos da casa, ajudar a recolher o lixo e guardar as compras do mercado.

— Sinal vermelho: tarefas que envolvam carregar peso e contato com áreas de risco, como a cozinha, que concentra fogão, eletrodomésticos, talheres e grãos (arroz, milho e feijão, por exemplo, que podem ser inalados e causar asfixia), não são recomendadas antes da adolescência, portanto, a partir dos 13 anos, de acordo com o pediatra Manuel Ruttkay Pereira. Segundo ele, "cozinha não é lugar de criança, sob hipótese alguma".


 

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