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Laços refeitos19/02/2018 | 08h00Atualizada em 19/02/2018 | 08h00

Projeto que promove reencontro entre entre filhos adotivos e suas mães biológicas precisa de ajuda

Ricardo Fischer, de Viamão, busca ajuda para continuar com projeto que já possibilitou 470 encontros.

Projeto que promove reencontro entre entre filhos adotivos e suas mães biológicas precisa de ajuda Omar Freitas/Agencia RBS
Foto: Omar Freitas / Agencia RBS

Há seis meses com o site desativado, a Associação Filhos Adotivos do Brasil já promoveu 470 encontros entre filhos adotivos e seus pais biológicos mas corre risco de ficar totalmente desativada por falta de recursos. A iniciativa é encabeçada por Ricardo Andrade Fischer, 51 anos, que é filho adotivo e ficou dez anos pesquisando os rastros da mãe até conseguir encontrá-la na própria cidade onde mora, em Viamão, na Região Metropolitana. 

O site Filhos Adotivos do Brasil ficou no ar por dez anos. Nele, filhos e mães de todo Brasil que procuravam se encontrar pediam ajuda a Ricardo e contavam suas histórias. A ele cabia fazer a investigação. Ocorreram casos em que foi possível reunir parentes que estavam nos Estados Unidos, Portugal, Suécia, Israel, Venezuela e Paraguai. Filhos que procuram as mães correspondem a 90% dos casos. Sem o site, a página no Facebook é o único meio de trabalho de Ricardo:

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– Muitos casos foram encontrados no site mesmo. A pessoa conta sua historia e o próprio parente, o procurante, encontra ali. Foram mais de 150 achados só no site. 

Ricardo inicia o trabalho coletando o máximo de dados que a pessoa pode passar – cidade em que nasceu, hospital, data – e, a partir disso, faz buscas em cartórios de registros. Em caso de adoções regulares, faz petição judicial para consultar o nome da mãe biológica _ os casos mais complexos são quando há adoção ilegal. 

Despesas são altas para promover encontros

Para percorrer todo este caminho, Ricardo tem despesas com telefone, internet, advogado, gastos em cartórios e, em alguns casos, até com viagens. Agora, também precisa de recursos para reativar o site e mantê-lo no ar. 

O último encontro promovido pela associação foi no Ceará há dois meses, mas não pode estar presente por falta de dinheiro para as passagens. Ricardo é comerciante aposentado e vive com a esposa e dois filhos no Bairro Parque Índio Jari, em Viamão. É com o dinheiro da aposentadoria que banca, precariamente, o serviço. 

Atualmente tem 1,7 mil pedidos de ajuda na fila de espera. Ele calcula que precisaria de R$ 4 mil a R$ 5 mil por mês para bancar os gastos. Já tentou ajuda com órgão público e empresas mas nunca conseguiu parcerias. Qualquer valor doado é bem-vindo:

– Me emociono a cada encontro que a gente consegue fazer. Tenho tentado fazer o que posso, mas é difícil. Tenho uma esperança forte de retomar o trabalho. Tem casos que cuido há dois, três anos e nunca tive uma reposta. Outros em uma semana de trabalho eu consigo.  

Além de ir em busca da mãe biológica, Ricardo orienta os filhos a não criarem grandes expectativas para o encontro. Há casos em que a mãe não quer ver o filho, está em alguma situação difícil ou pode até ter morrido:

– A maioria das mães quer ver os filhos mas sempre os preparo para esperar o pior. Aconselho a não culpá-la, porque muitas são obrigadas a se afastar deles. Como vivi isso, conheço bem e passo isso para eles. 

"Jamais imaginava encontrá-la"

O ineditismo da iniciativa de Ricardo já chamou atenção do Programa do Jô e do Caldeirão do Huck. Neste último, o encontro de irmãos gêmeos com a mãe ocorreu no palco do programa. Em 2014, o atendente de caixa Thierry de Deus Freitas, 20 anos, morador de Viamão, procurou Ricardo, contou sua história e, em quatro dias, teve a localização da sua mãe em São Paulo. 

Em seguida, ele e a irmã Thayna conheceram a mãe, a vendedora de roupas Linda Alexsandra Paz de Deus Figueiredo da Silva, 42 anos, no palco do Caldeirão. 

– Ele me avisou para não ficar entusiasmado, quando disse que tinha encontrado ela, não caiu minha ficha. Jamais imaginava encontrá-la. Via esses reencontros na TV, mas nunca suspeitei que pudesse acontecer comigo – conta ele. 

Thierry chegou a morar com a mãe por um ano em São Paulo e, hoje morando em Viamão, mantém contados diárias com ela e já tem forte vínculo afetivo:

– Para ela, foi uma alegria muito grande nos encontrar, era o que ela mais queria na vida. Sou muito grato por tudo que aconteceu, o que o Ricardo fez por nós. 

Como ajudar?

– Contato pelos telefones (51) 98015-3464 e 98415-5225
– E-mail: filhosadotivosdobrasil@hotmail.com

 
 
 
 
 
 
 
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