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Seu problema é nosso25/06/2018 | 09h19

Idosa sofre com falta de remédio desde março, em Cachoeirinha

Com hipertensão arterial pulmonar associada a hipertensão portal, Sueli é cuidada pelo marido, de 67 anos, e pelas filhas, necessita do medicamento Sildenafila 20mg para tratar da doença

Idosa sofre com falta de remédio desde março, em Cachoeirinha Arquivo Pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
Sueli sofre com falta de ar causa pela hipertensão pulmonar Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

A dona de casa Sueli dos Reis D’Avila, 66 anos, precisa lidar, desde março, com a falta do remédio Sildenafila 20mg para tratar seu problema de saúde. Com hipertensão arterial pulmonar associada a hipertensão portal, diagnosticada com o grau III de evolução da doença, Sueli é cuidada pelo marido, de 67 anos, e pelas filhas. 

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— Ela sente falta de ar. Essa doença faz com que o coração tenha que se esforçar para funcionar, então, causa falta de ar — relata uma das filhas, a secretaria Cintia D’Avila, 38 anos. 

A doença de Sueli, de acordo com critérios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), varia entre I (assintomática, sem exibir sintomas) e XI (restrição severa e falta de ar em repouso).

Para tratar o problema, a idosa faz o uso de nove comprimidos do medicamento por dia. Entretanto, reduziu o tratamento para seis unidades desde que passou a não receber o medicamento da Secretaria de Saúde de Cachoeirinha. Isso porque o custo da dose correta fica muito alto para a família. 

Mortalidade 

De acordo com Cintia, cada comprimido custa cerca de R$ 5, somando R$ 45 por dia. O princípio ativo também é utilizado para o tratamento da disfunção erétil. Em um mês com 30 dias, a conta pode chegar a R$ 1.350. 

— A gente compra, parcela, faz no cartão de crédito. Mas tem um momento em que não vai mais ter jeito, que as contas vão chegar e não teremos como pagar. A mãe precisa receber o Sildenafila pelo SUS. Imagina, ela já ficou quase um ano sem ganhar — conta Cintia.

De acordo com o laudo de Sueli, a doença apresenta uma taxa de mortalidade alta quando não tratada, com uma média de sobrevida de dois a três anos sem o uso do remédio. Além disso, a retirada repentina do medicamento pode causar uma piora clínica e até mesmo ocasionar a morte, em decorrência de insuficiência cardíaca. 

Tentativas 

Com medo do que pode acontecer com a mãe, Cintia busca respostas com a Secretaria de Saúde da sua cidade. 

— Eles só me dizem que vai chegar na semana que vem, mas essa “ semana que vem” nunca chega. A gente precisa voltar a receber, é uma doença progressiva sem cura — desabafa.

 Medicamento já chegou ao Estado 

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que o remédio foi entregue pelo Ministério da Saúde no dia 18 de junho no Rio Grande do Sul. A partir disso, as Secretarias Municipais de Saúde e as Coordenadorias Regionais de Saúde recebem o produto e devem providenciar a sua distribuição. 

Já os municípios da Região Metropolitana precisam buscar os medicamentos no almoxarifado central da SES, em Porto Alegre. O secretário de Saúde de Cachoeirinha, Paulo Abrão, informou que a administração municipal não sabia que o medicamento já estava disponível. 

Segundo ele, a previsão é que o Sildenafila 20mg possa ser retirado pelos pacientes a partir do dia 29 de junho, 11 dias depois da chegada do medicamento ao Estado. Questionado sobre uma alternativa para os pacientes que estão esperando o remédio há meses, o secretário afirmou que, "na maioria dos casos, as pessoas entram na Justiça, decisão que cabe a cada um".

*Produção: Eduarda Endler

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