Clientes da RGE também reclamam de aumentos no consumo; em Gravataí, diarista recebeu conta de luz de R$ 2.460 - Notícias

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Seu problema é nosso21/06/2018 | 10h16Atualizada em 21/06/2018 | 10h16

Clientes da RGE também reclamam de aumentos no consumo; em Gravataí, diarista recebeu conta de luz de R$ 2.460

Depois de duas reportagens publicadas pelo Diário, relatando saltos no valor das contas de luz em Porto Alegre e Guaíba, mais leitores relataram estarem passando pelo mesmo problema no Estado

Clientes da RGE também reclamam de aumentos no consumo; em Gravataí, diarista recebeu conta de luz de R$ 2.460 Arquivo Pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
Primeira fatura de Marilene veio no valor de R$ 2.460,16 Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

Cobranças surpreendentes nas contas de luz continuam causando preocupação a clientes. Depois de duas reportagens publicadas pelo Diário Gaúcho, no dia 14 de junho e ontem, novos casos chegaram ao conhecimento do jornal, a partir de reclamações de leitores. 

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Além de clientes da CEEE, moradores de regiões atendidas pela RGE Sul também reclamam do aumento no valor das contas, em Gravataí e Imigrante. O jornal recebeu ainda queixas de leitores de Imbé e Viamão. Saiba como agir caso você também esteja passando por esse problema. 

Susto

Cliente da RGE Sul em Gravataí, a diarista Marilene Vargas, 49 anos, mudou- se há cerca de 40 dias. A primeira conta de energia elétrica, referente ao mês de maio, veio com uma surpresa: o valor é de R$ 2.460,16, com vencimento no início de julho. 

A dona de casa Jaqueline Vargas, 32 anos, filha de Marilene, conta que a mãe tem poucos eletrodomésticos em casa. São um micro-ondas, uma geladeira, um chuveiro, uma máquina de lavar e uma TV, todos novos e de classe A — categoria mais econômica em indicações da quantidade de energia que o eletrodoméstico consome. 

— Ela mora sozinha, trabalha o dia todo, inclusive em dois finais de semana do mês. Está enlouquecida atrás de uma explicação — relata Jaqueline.

Expectativa 

Quando procurou a RGE, a diarista foi informada de que a empresa não poderia atendê-la, oferecendo novos prazos para disponibilizar que um técnico a visite para conferir o relógio da casa. 

Hoje, na expectativa, pela terceira vez, de ser atendida, Marilene aguarda em casa pela visita do profissional. A surpresa também afetou uma moradora de Imigrante, cidade a 136 quilômetros da Capital. A dona de casa Leila Kohl da Rosa Prediger, 44 anos, viu o valor subir de R$ 82,20 em maio para R$ 690,32 em junho — o que significa 739,81% a mais. 

— Na casa, somos quatro pessoas: eu, meu marido e nossos dois filhos. A gente fez uso dos mesmos eletrodomésticos nos últimos meses, não dá para entender — conta. 

Morando na zona rural da cidade desde 1999, a dona de casa relata que a última mudança no medidor foi há seis anos.

— Tem mais gente no município passando pelo mesmo problema, e eles não ofereceram alternativa, como parcelamento. Apenas falaram que, nos últimos meses, havia tido uma média, então, o valor que não foi cobrado antes apareceu todo neste mês — conta Leila. 

No caso de Leila, aumento entre um mês e outro foi de 739,81%Foto: RGE Sul / Reprodução

RGE Sul explica que medição de consumo é trimestral 

A assessoria de comunicação da RGE Sul esclareceu que a leitura de consumo da leitora de Imigrante é realizada trimestralmente. Nos meses de abril e maio, o consumo foi estimado. Em junho, ocorreu a leitura, e a diferença do consumo efetivo foi adicionada à conta da cliente. Em função do valor, a empresa afirmou que entrará em contato para esclarecer as dúvidas da cliente. 

Já em relação à conta de Marilene, a RGE admitiu que houve um erro de leitura e emitiu uma nova fatura para a cliente, com o valor correto. Porém, não informou o novo valor, alegando que "não tem autorização para divulgar dados pessoais". 

Esclareça suas dúvidas 

O que fazer se a minha conta de energia elétrica subir muito, de repente?
— É preciso entrar em contato com a empresa que fornece o serviço, pedindo uma revisão da conta ou vistoria do medidor de energia. 

O valor pode aumentar muito de um mês para o outro?
— Sim, a diferença nos valores pode aumentar muito entre um mês e outro devido ao tipo de medição da conta. Por exemplo, se ela for calculada pela média de consumo — isso pode ocorrer por até três meses seguidos —, quando o consumo for lido diretamente no medidor, será feito o acréscimo dos meses anteriores. 

Qual a diferença entre a conta medida pela média e por leitura?
— Quando a fatura é definida por média, os dados de consumo correspondem à média aritmética dos últimos 12 meses. Este tipo de medição pode ocorrer durante três meses em casos de dificuldade de leitura ocasionados pelo cliente. Depois desse prazo, o preço cobrado será o taxa básica da conta. Quando a leitura for efetuada novamente, serão acrescidos os valores de meses anteriores. Quando ela é lida, os dados de consumo correspondem à leitura atual, feita diretamente no medidor. 

Qual a razão de o valor ser calculado pela média?
— O cálculo é feito por média quando há impedimento de acesso no local para a leitura; em ocorrência de retirada do medidor sem a sua imediata substituição — que deve ocorrer em até 30 dias; em caso de deficiência no medidor ou em demais equipamentos de medição, e em função de situação de emergência ou de calamidade pública. 

Quando o valor sobe muito, sou obrigado a pagar a conta? Se sim, é preciso quitá-la à vista?
— O pagamento é obrigatório. É permitido aos clientes, quando os valores da conta fogem muito do valor normalmente pago, pedir o parcelamento da fatura. Quando o impedimento da medição é causado pelo cliente, fica a cargo da distribuidora oferecer ou não o parcelamento. Se a medição por média for feita por problemas causados pela concessionária — como uma demora para trocar um relógio de luz estragado, por exemplo — essa divisão deve ser feita em duas vezes o número de meses em que o consumo foi calculado pela média. Por exemplo, se a conta foi medida por média durante três meses e, no quarto, foi lida no medidor e teve um salto no preço, a fatura poderá ser parcelada em seis vezes.

Se a concessionária não permitir o parcelamento do valor, o que fazer?
— É preciso entrar em contato com o Procon da sua cidade. 

Se o medidor de luz for trocado no meu bairro, a conta vai subir?
— A CEEE explica que não é o medidor que faz a luz subir. O que pode ocorrer é uma correção pelos meses em que o preço foi calculado pela média de consumo. Esse acréscimo não é especificado nas contas, diferentemente do que havia sido informado pela CEEE. Então, não é possível saber quanto do valor da fatura representa o acréscimo das medições por média. 

Como falar com... 

... a CEEE
— Pelo site da CEEE, telefone 0800- 721- 2333 e agências físicas (endereços disponíveis no site).  

... a RGE
— Pelo site da companhia, telefone 0800- 707- 7272 e agências físicas (endereços disponíveis no site, na seção Informações ao Consumidor).

... o Procon
— Quem mora na Capital deve procurar o Procon municipal ( Rua dos Andradas, 686, Centro). O telefone é (51) 3289-1774. Em cidades onde não há agência própria, o contato deve ser feito com o Procon estadual. O telefone é (51) 3287- 6200, e o endereço, Rua 7 de Setembro, 723, Centro. 

Fontes: Marvin Ramgrab, assistente da Direção de Distribuição da CEEE, e Maria Elizabeth, diretoraexecutiva do Procon- RS

*Produção: Alberi Neto e Eduarda Endler 

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