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Seu problema é nosso 17/07/2018 | 10h18Atualizada em 17/07/2018 | 10h18

Falta de médico em posto de saúde da Zona Norte prejudica pacientes, em Porto Alegre

Dos dois clínicos gerais que atendiam na UBS, um pediu demissão - segundo informações repassadas a usuários - e a outra médica estaria de férias

Falta de médico em posto de saúde da Zona Norte prejudica pacientes, em Porto Alegre Arquivo Pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
Tereza, Idelma e Marilene são pacientes da UBS Santo Agostinho Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

A família da pensionista Marilene Alvares de Medeiros, 59 anos, está sofrendo com a falta de médicos na Unidade Básica de Saúde (UBS) Santo Agostinho há pelo menos dois meses. A unidade, que fica na Zona Norte de Porto Alegre, no bairro Rubem Berta, contava com o atendimento de dois clínicos gerais. 

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Entretanto, um deles pediu demissão — segundo informações repassadas a usuários. E a outra profissional que trabalha no local estaria de férias. 

— Nós não temos onde pegar receita dos medicamentos que precisamos, não sabemos mais o que fazer — relata Marilene. 

Encaminhamento 

Segundo a pensionista, os profissionais do posto afirmaram aos pacientes que não seriam atendidos em outra unidade, pois a responsável pelo atendimento é a UBS Santo Agostinho. Além disso, não estaria sendo feito encaminhamento para outros locais. 

— Minha mãe e minha tia precisam dos remédios, e eles não oferecem uma alternativa. Nós tentamos ir em outra UBS, que não é longe daqui, mas não fomos atendidas — conta. 

A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não confirmou a informação. Segundo a SMS, os pacientes referenciados na unidade do bairro Rubem Berta, no caso de falta de médico, podem ser atendidos nas UBSs Ramos e Santa Rosa. 

Doenças 

Tereza retira 10 medicamentos no local Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG

A mãe de Marilene, Tereza da Rosa Alvares, 85 anos, faz uso de 10 medicamentos retirados na UBS: diovan HCT, euthyrox, esomeprazol magnésico trihidratado, patz, neutrofer, somalgin cardio, glifage, rosuvastatina cálcica, anlodipino e atenolol. 

— A mãe tem diabetes, osteoporose e problemas cardíacos. Os remédios estão acabando e não temos previsão de conseguir uma consulta para pedir a receita — diz Marilene. 

Assim como Tereza, a irmã dela, Idelma da Rosa Barreto, 83 anos, utiliza oito medicamentos retirados na unidade: torval, valsartana, hidroclorotiazida, neovite, succinato de metoprolol, rosuvastatina cálcica, glifage e somalgin cardio. Os remédios são usados para tratar diabetes e epilepsia, entre outros problemas de saúde. 

Marilene também precisa da UBS para retirar os medicamentos carbamazepina, fluoxetina, gilenya e omeprazol. Os remédios são necessários para tratar esclerose múltipla, fibromialgia e lupus, doenças que afetam a moradora da Zona Norte. 

— Meu tratamento, em maior parte, é feito no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), pois recebo pelo Estado. Mas também pego remédios na UBS, e eles estão acabando — afirma Marilene.

Com o estoque de remédios perto de acabar, Marilene, a tia e a mãe estão assustadas. 

— Nós necessitamos de receitas controladas todos os meses. Estou desesperada, porque não nos passam para outro posto, nem resolvem aqui — conta. 

Idelma faz uso de oito substâncias que são distribuídas no postoFoto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG

Profissional deve retornar hoje, diz SMS 

A SMS confirmou que, dos dois profissionais que atendiam na UBS Santo Agostinho, um pediu demissão, e a outra está em férias. A secretaria informou que o período em que o local ficou sem atendimento com clínico geral foi de 15 dias. 

Mas garantiu que os pacientes referenciados ali "foram acolhidos pela enfermagem e, caso necessário atendimento, eram encaminhados para unidades próximas". A SMS também informou que a profissional que estava em férias deve retornar hoje ao serviços naquele posto. 

A SMS declarou ainda que a prioridade é repor médicos em unidades que estão sem profissionais definitivamente. Por exemplo, em um posto onde o único médico que atende pediu demissão. Em caso de falta de profissional por outras razões, como férias ou licenças, a opção é encaminhar os pacientes para as unidades mais próximas. 

*Produção: Eduarda Endler

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