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Saúde07/08/2018 | 08h00Atualizada em 07/08/2018 | 18h32

Pronto desde 2015, Hospital de Guaíba não tem data para abrir

Promessa mais recente era de que pelo menos a maternidade funcionaria no primeiro semestre de 2018, prazo que não foi cumprido

Pronto desde 2015, Hospital de Guaíba não tem data para abrir Tadeu Vilani/Agencia RBS
Não há previsão para a abertura do local Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Em meio a promessas não cumpridas, falta de recursos e em uma estrutura praticamente pronta, o Hospital de Guaíba resume-se a corredores vazios, poeira, aparelhos encaixotados e cheiro de salas fechadas. O Diário Gaúcho acompanha a situação do local desde julho de 2015. A mais recente promessa, feita em julho do ano passado, era de que pelos menos a maternidade seria aberta no primeiro semestre de 2018. Não foi. Agora, a prefeitura admite: não há previsão para que o hospital abra as portas.

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O prédio tem capacidade de 72 leitos hospitalares, bloco cirúrgico e ala de internação. Atualmente, o setor de radiologia, na área frontal, é o único em funcionamento.

Assim, os moradores de Guaíba e região seguem sem um hospital que seja 100% SUS, e as gestantes precisam percorrer mais de 30 quilômetros até alguma maternidade em Porto Alegre para terem os seus filhos pelo sistema público. A população conta com dez postos de saúde e uma unidade de Pronto-Atendimento. A prefeitura explica que o pronto-atendimento recebe também pacientes das cidades da redondeza, por isso há uma urgência para a abertura do hospital. 

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 GUAÍBA - RS / BR 02.08.2018 O Hospital de Guaíba está pronto desde 2015 mas nunca foi entregue à população. No ano passado, a promessa era que no primeiro semestre deste ano seria entregue pelo menos a maternidade e no segundo, o restante do hospital. Atualmente, não há previsão de entrega para nem um nem outro.FOTÓGRAFO: TADEU VILANI AGÊNCIARBS Editoria DG
Equipamentos em caixas fechadasFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Falta de recursos
Para, pelo menos, a maternidade abrir, é necessária uma reforma do prédio, com exigências feitas pela Vigilância Sanitária, ainda em 2015. Na época, foram 58 modificações identificadas, como colocação de torneiras automáticas nos sanitários e reconstrução da área de esgoto. As reformas custariam em torno de R$ 3 milhões. O valor já investido pela prefeitura e Estado para a construção da estrutura soma R$ 5,1 milhões.

O secretário da saúde de Guaíba, Jocir Panazzolo, enfatiza que a prefeitura não tem como custear os gastos. Nem para as adequações, tampouco para manter o hospital depois de aberto. 

– A prefeitura não tem recursos próprios. Estamos em tratativa com o Estado para fazer uma contratualização, para que assumam parte dos custos – diz Jocir.

Para manter a maternidade aberta precisariam ser desembolsados R$ 400 mil mensais. Já para hospital completo, a necessidade seria de mais de R$ 1,6 milhão mensais.

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) afirmou que ocorreram duas reuniões com a gestão de Guaíba, na qual ficou combinado que o município enviará um plano operativo com o perfil do estabelecimento e procedimentos que serão oferecidos ao SUS. A SES aguarda o retorno da documentação.

 GUAÍBA - RS / BR 02.08.2018 O Hospital de Guaíba está pronto desde 2015 mas nunca foi entregue à população. No ano passado, a promessa era que no primeiro semestre deste ano seria entregue pelo menos a maternidade e no segundo, o restante do hospital. Atualmente, não há previsão de entrega para nem um nem outro.FOTÓGRAFO: TADEU VILANI AGÊNCIARBS Editoria DG
Leitos apenas na promessaFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Maternidade faz falta
Guaíba não tem uma maternidade que atenda pelo sistema público desde 2009, quando a Justiça fechou a única que havia na cidade, no Nossa Senhora do Livramento. Cruzar a ponte para dar à luz em Porto Alegre é a realidade das mulheres que são atendidas pelo SUS. A maternidade do Hospital de Guaíba seria um alívio.

A demora para a marcação das consultas do pré-natal pelo SUS fez Tamyris Silveira de Souza, 23 anos, optar por fazer o acompanhamento pelo sistema privado. Porém, vai ganhar a filha pelo sistema público, ou seja, precisará ir até Porto Alegre. A previsão é de que Helena nasça em outubro.

– Corro o risco de ter minha filha na metade do caminho. Ou, de ter as contrações, chegar lá, a bebê não nascer e me mandarem de volta para casa, e eu ficar em um vai e vem – aponta Tamyris.

Uma adolescente de 15 anos precisou percorrer os mais de 30km até Porto Alegre em meio à greve dos caminhoneiros, em maio. 

– Faltou gasolina e tivemos que ficar duas horas na fila do posto de gasolina para abastecer. Cheguei no hospital já ganhando meu filho – recorda.


 
 
 
 
 
 
 
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