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ESPORTE E NATUREZA01/09/2018 | 08h00Atualizada em 01/09/2018 | 08h00

Mergulhador que se atira em causas nobres

Leandro Raí fabrica pranchas usando garrafas plásticas que recolhe no Guaíba. Com elas, dá aula de stand up paddle para crianças.

Mergulhador que se atira em causas nobres Júlio Cordeiro/Agencia RBS
Leandro Raí usa cerca de 120 garrafas pet por prancha Foto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS

Ele é mergulhador profissional. Dá aulas até, e com homologação da Marinha do Brasil e da Confederação de Atividades Subaquática e Comitê Olímpico Brasileiro.

Mas são mergulhos em causas sociais e ambientais que mais orgulham o cidadão chamado Leandro Raí. Já pensou em algo que divirta a criançada, ensine esportes e ajude a natureza? Pois este gaúcho de 40 anos faz mais do que pensar. Ele põe em prática. E não foi um esforço de um final de semana. Raí se dedica a um projeto há uma década. 

Se antes de começar a ler este texto você espiou as fotos desta reportagem, já começou a ter uma ideia do que ele faz. O esporte é o stand up paddle (SUP) _ basicamente, ficar em cima de uma prancha e remar _, normalmente praticado por quem consegue pagar mais do que R$ 3,5 mil por uma prancha. Inspirado numa iniciativa do surfista profissional Jairo Lummertz e seu projeto da Prancha Ecológica, Raí começou a fabricar "plataformas" tendo garrafas pet como matéria-prima. Ao fim de uma semana de intenso trabalho, tem um produto pronto gastando cerca de R$ 300. Orgulha-se em repetir:

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_ Faço do lixo um luxo.

E não faz isso para vender. Usa pranchas para dar aulas de stand up paddle a crianças ribeirinhas das ilhas e da zona sul de Porto Alegre _ Raí tem como base a Raia 1, uma escola/loja especializada em cursos de windsurf, kitesurf e SUP. Calcula já ter dado aulas gratuitas para quase 200 crianças:

Leandro Raí dá aula de stand up paddle com prancha feita de garrafas pet. Na foto, um aluno no Guaíba.
Garrafas são recolhidas nas águas do GuaíbaFoto: Arquivo pessoal / Leandro Raí

_ No verão, reúno a gurizada em cima destas pranchas ecológicas, com todos os equipamentos de segurança. Graças a parceiros, consigo até dar lanche para eles. É uma alegria sem igual!

O tamanho padrão beira os 2,2 metros de comprimento, com até 120 garrafas. De onde vem tanto plástico?

_ Infelizmente, recolho a maioria aqui no Guaíba. Sempre que treino, volto com dezenas na bagagem. Faço este trabalho também para tentar conscientizar as pessoas sobre o descarte irregular de lixo.

Seus mergulhos em causas sociais já ganharam eco em nomes famosos do surfe mundial. Profissionais de renome mundial como os campeões Kelly Slater (EUA) e Gabriel Medina (Brasil) experimentaram a engenhoca e costumam divulgar ações misturando esporte e ecologia.

_ Estou começando a bolar pranchas de surfe também _ conta Raí.


Entre aventuras e recordes

Além de ações sociais, Leandro Raí é movido a desafios pessoais. Tamanha é sua convicção na qualidade da prancha de pet, que ele já bolou uma aventura:

_ Vou dar uma volta inteira no Guaíba em cima de um stand up paddle de garrafas plásticas. A prática é mais demorada, mas tem a mesma segurança.

Para esta empreitada, Raí fará uma prancha maior e mais robusta, para suportar uma carga em cima, como alimentos e água. A estratégia está definida:

_ Vou selecionar só garrafas de 3,3 litros. São maiores, garantirão mais estabilidade.

Mas aventura radical mesmo Raí fez no ano passado, como parte também de uma promessa por ter superado uma doença grave aos 16 anos. Contornou toda a Lagoa dos Patos. Foram 

1,1 mil km em cima de uma prancha profissional. Entre Porto Alegre e a parte mais sul, levou 18 dias. Na volta, foram 56 dias.

_ Demorei muito mais porque rompi tendões do ombro direito.

A epopeia vai virar filme, com base em milhares de fotos e vídeos que fez no trajeto, no qual dormia em barraca às margens da lagoa.

Passo a passo

Como Raí faz a prancha ecológica:

/// Reúne 90 e 120 garrafas pet de 2 litros.

/// Tira os rótulos, lava e deixa secar.

/// Lixa bem para facilitar a colagem.

/// Enche as garrafas com ar usando uma bomba de encher pneu de bicicleta.

/// Conecta uma garrafa na outra, formando sete módulos, com cerca de 2m cada.

/// Une os módulos com cola expansiva. Na parte de baixo, conecta canos de PVC, que ajudam na aerodinâmica.

/// Cola na parte de cima um pedaço quadrado de E.V.A, que servirá para colocar os pés.

/// Custo estimado: R$ 200 a R$ 300 (preço da cola, das lixas, dos canos e do E.V.A).

/// Contato de Raí: ecolifeaventura@gmail.com

 
 
 
 
 
 
 
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