Comunidade luta por escola ameaçada pela falta d'água em Viamão - Notícias

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Educação09/11/2018 | 08h30Atualizada em 09/11/2018 | 08h30

Comunidade luta por escola ameaçada pela falta d'água em Viamão

Instituição não tem água potável disponível. Caminhão-pipa da prefeitura, que estava estragado, voltou a funcionar

Comunidade luta por escola ameaçada pela falta d'água em Viamão Tadeu Vilani/Agencia RBS
Solange (E) e Retiele lutam pela escola Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

A comunidade do bairro Itapuã, em Viamão, luta pela continuidade do funcionamento da Escola Municipal de Ensino Fundamental Podalirio Oliveira Fraga, localizada na Estrada do Gravatá. Na segunda-feira desta semana, pais e familiares de alunos ficaram assustados com a informação de que os 26 alunos teriam, a partir do dia seguinte, que estudar em outra instituição, a Escola Municipal Felisberto da Costa Nunes, a 12 quilômetros da Podalirio. O motivo: a falta de um caminhão-pipa da prefeitura, já que a escola não tem água potável disponível. 

Na terça-feira, grande parte dos alunos não teve aulas, pois não se dirigiu à nova escola. Na manhã de ontem, a prefeitura voltou atrás e reabriu o local, com o argumento de que teria arrumado o veículo.  

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A escola, que existe há 56 anos, não recebe água encanada e depende de um caminhão da prefeitura para matar a sede dos alunos, de duas professoras e de três funcionárias. Para a limpeza e banheiro, o local tem um poço artesiano, mas a água não é recomendada para ser bebida. Mãe de Débora Kenne Monteiro, estudante do 5º ano do colégio, a dona de casa Retiele Toleto, 28 anos, está aflita com a situação:

– A gente acredita que querem fechar a nossa escola. Não é a primeira vez que tentam encontrar um motivo, e agora usaram a água, que é um argumento forte. Uma escola sem água não pode funcionar. Mas a gente pode se unir, comprar água e as aulas continuarem.

 VIAMÃO,  RS, BRASIL, 08/11/2018 - Alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Podalirio Oliveira Fraga são transferidos para Escola Municipal de Ensino Fundamental Felisberto Da Costa Nunes, devido falta de água encanada e caminhão pipa.(FOTOGRAFO: TADEU VILANI / AGENCIA RBS)
Escola tem 26 alunosFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Cidadãos

Em 2019, Débora precisa ir para outra instituição, já que a escola vai até o 5° ano do Ensino Fundamental. Mesmo com a mudança, a mãe luta pelo local onde a filha aprendeu a ler e a escrever:

– Estamos tristes, eu não queria que minha filha saísse dessa escola. Eu amo esse colégio e não vou desistir dele e deixar fechar. Eu tenho o maior orgulho dessas crianças, que aprenderam muito mais do que conteúdo, aprenderam a ser cidadãos aqui.

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A dona de casa e presidente do Círculo de Pais e Mestres (CPM) Solange Santos Machado, 36 anos, também defende a permanência da escola, onde estuda sua filha de nove anos. 

– Não tem cabimento fazer essa transferência no final do ano letivo – considera.  

Procurada pela reportagem, a prefeitura de Viamão não se manifestou sobre o assunto até o fechamento desta edição. 

Lembra da banda de lata?

PORTO ALEGRE, RS, BRASIL, 05/09/2014: Ensaio geral para o desfile de 7 de Setembro da banda marcial com instrumentos de lata formada por 24 alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Podalírio Oliveira Fraga, em Itapuã, zona rural de Viamão. Os estudantes ganharam uniformes para a banda, que desfilará pela primeira vez. (Foto: Mateus Bruxel / Agência RBS)
Turminha da bandaFoto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

A Podalírio é unanimidade entre os pais ouvidos pela reportagem pela qualidade do atendimento oferecido às crianças. 

Entre as atividades desenvolvidas pela escola estão a feira de ciências, a horta, o cultivo de chás e a banda de lata – uma banda marcial que usa resíduos recicláveis no lugar de instrumentos, mostrada em reportagem pelo Diário Gaúcho em 2014, com grande repercussão. 

–  Minha filha ama a banda de lata. Ela chega em casa toda animada me contando dos ensaios e das apresentações – conta Retiele.

Corsan analisa viabilidade de rede

Na Estrada do Gravatá, que tem 5,6 quilômetros de extensão, mais de 30 famílias não possuem água encanada em casa. Segundo o perito criminal aposentado João Alberto Weingaertner, 71 anos, o encanamento da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) está a 1,5 quilômetros da escola e a 100 metros da primeira casa da estrada. João, que mora há 40 anos na frente da escola, luta pelos moradores. O perito mostra, ainda, um abaixo-assinado feito pela comunidade. No total, são 26 assinaturas.

– A gente está tentando colocar água encanada aqui há muito tempo. Não adianta fazer poço artesiano, porque a água é salobra ou está muito no fundo. Meu poço tem 46 metros e a água é rala – conta o morador.

A Corsan, em nota, explica que "a referida escola fica em área rural, portanto, não atendida pela Corsan". Um pedido da prefeitura, para que seja levada água da Companhia até a escola, está "em análise de viabilidade". 

 
 
 
 
 
 
 
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