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Solidariedade23/11/2018 | 09h00Atualizada em 23/11/2018 | 09h00

Manicure ajuda imigrantes haitianos a conseguirem emprego em Porto Alegre

Nos últimos quatro anos, tempo em que está envolvida nesta jornada, Isaura acredita ter ajudado mais de 40 imigrantes a conquistarem postos no mercado de trabalho

Manicure ajuda imigrantes haitianos a conseguirem emprego em Porto Alegre Omar Freitas / Agência RBS/Agência RBS
Jean conseguiu trabalho em posto de gasolina por intermédio de Isaura Foto: Omar Freitas / Agência RBS / Agência RBS

Encontrar com a manicure Isaura Regina de Oliveira, 43 anos, é encontrar com um poço de felicidade. Ela fala com voz alta e um sorriso estampado no rosto. E com muitos abraços e carinhos trata quem estiver por perto. Assim, como se autodenomina, Isaura virou uma "ONG de uma pessoa só". 

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Moradora do bairro São João, em Porto Alegre, ela mantém uma "rede de ajuda" para imigrantes haitianos. Nos últimos quatro anos, tempo em que está envolvida nesta jornada, acredita ter ajudado mais de 40 imigrantes. O auxílio é na busca por empregos. Mas o trabalho realizado pela manicure vai além disso. A relação de confiança entre Isaura e os imigrantes faz com ela também frequente festas e eventos da comunidade haitiana na Capital. 

A relação é tão próxima que ela está aprendendo até o idioma do país, o créole. No celular, ela mostra o diálogo com um dos imigrantes que está tentando ajudar. A conversa é toda na língua haitiana.

— Estou muito feliz por já conseguir compreender as frases. Também já escrevo e falo bastante créole — comemora Isaura.

Ajuda

Jean Brisard Charles, 40 anos, é um dos imigrantes que faz parte lista de pessoas que a manicure já ajudou. Frentista em um posto de gasolina na Terceira Perimetral há 10 meses, ele tem conseguido ajudar a família no Haiti graças ao emprego conquistado por intermédio de Isaura. No país de origem, Jean deixou a mãe, esposa e dois filhos pequenos, de 4 e 8 anos. Mesmo dando aulas de francês e animando festas como DJ, o frentista não conseguia ter uma renda suficiente para manter a família. Por isso, há cinco anos, veio para o Brasil.

— Agora, consigo até enviar dinheiro para ajudar minha família. Com cerca de R$ 200, eles conseguem se sustentar por quase um mês — explica Jean.

Além de ajuda, Isaura mantém relação de amizade com os imigrantesFoto: Omar Freitas / Agência RBS

Morando em uma pensão na Avenida Farrapos, na Zona Norte, o frentista pretende voltar ao Haiti para visitar os familiares no ano que vem. Já está economizando dinheiro para isso. Desde que veio para o Brasil, o contato com a família é feito somente por celular: 

— Quero muito ver meus filhos, eu falo com eles mais de cinco vezes por dia. Por isso, espero que consiga ir no ano que vem.

Vendo de perto todo o trabalho feito por Isaura, Jean brinca que a amiga deveria criar uma agência de empregos.

— Ela faz tudo isso sem nos cobrar nada em troca, é uma pessoa muito boa. Se quisesse, podia até criar uma agência de empregos só para haitianos, ia se dar bem — brinca o frentista.

Luta

Mesmo com muitas histórias de conquistas para dividir, Isaura revela que o trabalho é árduo. Como virou referência entre os imigrantes, ela acumula currículos de haitianos que estão na luta por trabalho. A manicure conta que, atualmente, tem 42 perfis de trabalhadores aguardando por vagas.

— Eu aceito todas as propostas de trabalho dignas. Eu tenho gente para os mais variados tipos de serviços. É gente que quer e precisa trabalhar — diz Isaura.

De auxiliar a florista de talento

Shelo conquistou espaço em uma floricultura do bairro Moinhos de VentoFoto: Omar Freitas / Agência RBS

Outra vida mudada por Isaura é a do jovem Shelo Mede, 22 anos. Quem o vê circulando com comportamento tímido e falando poucas palavras nem imagina sua habilidade com as flores. Morando no Brasil há quase três anos, Shelo conseguiu trabalho em uma floricultura no bairro Moinhos de Ventos. O serviço foi conquistado com a ajuda da manicure.

— Essa vaga era para o Jean, mas ele acabou indo para o posto de gasolina. Então, procurou o Shelo para contar do trabalho com as flores. É uma rede que vai sendo fortalecida dentro dela mesma. Eu sou apenas uma parte desse todo — conta Isaura. 

Na loja, Shelo começou ajudando em tudo, como auxiliar dos floristas. Entretanto, com o passar do tempo desenvolveu também habilidade para a lida com as plantas. Hoje ele também faz parte da equipe que monta os arranjos e buquês. Os colegas de trabalho elogiam o talento do rapaz no manejo com as flores. Para ele, o reconhecimento é o suficiente para esbanjar um sorriso. 

— Fico muito feliz de ter conseguido me estabelecer aqui — comemora o jovem.

Enquanto mostra um dos buquês que fez, Shelo conta que no Haiti, deixou os pais e sete irmãos, duas mulheres e cinco homens.

Quer ajudar?

— Tem alguma vaga de emprego disponível e gostaria de ajudar um dos imigrantes da rede de Isaura? Entre em contato pelo telefone (51) 98322-5827.

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