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Ponto de leitura27/12/2018 | 07h00Atualizada em 27/12/2018 | 12h52

Grupo transforma parada de ônibus em biblioteca, em Cachoeirinha

Projeto criado por moradores da cidade adotou a Parada 58, que ganhou uma estante com livros que são levados e trazidos por quem passa pelo local

Grupo transforma parada de ônibus em biblioteca, em Cachoeirinha Robinson Estrásulas / Agência RBS/Agência RBS
Da esquerda para direita: Valdeni, Eliza, Kelvin, Rodrigo e Joelson. Eliza, Kelvin e Rodrigo criaram o projeto Foto: Robinson Estrásulas / Agência RBS / Agência RBS

Em Cachoeirinha, quem espera o ônibus na parada 58, no sentido Cachoeirinha/Porto Alegre, não tem motivo para ficar no celular enquanto o coletivo não vem. Isso porque este ponto, em especial, é diferente de outras paradas espalhadas pela cidade da Região Metropolitana. 

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Além da cobertura metálica e dos bancos, o ponto de ônibus conta com um estante recheada de livros. Todos gratuitamente à disposição dos passageiros. A ação faz parte do projeto Leitura Urbana, criado por três moradores de Cachoeirinha. A iniciativa entrou em funcionamento há cerca de dois meses e está fazendo sucesso.

— Nossa principal intenção é incentivar a leitura. Hoje, a gente sente que as pessoas leem cada vez menos livros, as vezes, por falta de oportunidade. Nós queremos oportunizar isso para todos que passam por ali — conta o auxiliar administrativo Rodrigo Quadros da Silva, 32 anos, idealizador do Leitura Urbana.

Inspiração

O jovem se inspirou em outra ponto de ônibus com livros para criar o Leitura Urbana. Segundo ele, no início do ano, ao passar pela Parada 51, também em Cachoeirinha, notou a existência da estante com livros instalada no local. Depois disso, procurou a pessoa responsável pela ideia e se informou sobre como reproduzi-la. O procedimento é simples, basta apresentar um projeto à prefeitura. O pedido foi feito por Rodrigo em fevereiro. A resposta demorou um pouco, veio em setembro. 

— Publiquei uma mensagem nas redes sociais pedindo ajuda de interessados em abraçar a ideia. Foi aí que apareceram o Kelvin e a Eliza — diz Rodrigo, se referindo ao corretor de imóveis Kelvin Garcez, 26 anos, e à autônoma Eliza de Souza Fortes, 29 anos, parceiros na empreitada do Leitura Urbana. 

— Toda ação que incentiva a cultura eu acho válida demais. Então, quando vi a publicação do Rodrigo, topei participar do projeto na hora — recorda Kelvin.

Na visão de Eliza, a intenção do projeto é fazer as pessoas terem acesso aos livros físicos, já que a informação está muito acessível, por meio dos smartphones:

— Quem gosta de ler um livro, sabe que é diferente de olhar algo no celular. É uma sensação única, e o objetivo é transmitir essa sensação para quem está esperando o ônibus.

Livros e revistas são disponibilizados no localFoto: Robinson Estrásulas / Agência RBS

Quem ajuda, aprova a ideia

Além de usar os livros da parada, a analista contábil Josie Viana, 33 anos, é um exemplo de quem abraçou a ideia. Depois de conhecer o projeto por meio das redes sociais, ela resolveu angariar livros para abastecer a biblioteca da parada. Recentemente, doou 30 exemplares para o projeto. 

— É sensacional esta ideia. Melhor ainda ver que tem gente fazendo as coisas acontecerem, sem esperar pelo poder público, tomando  atitudes por iniciativa própria — elogia Josie. 

Rodrigo explica que qualquer pessoa pode retirar ou abastecer a estante de livros instalada na Parada 58. E para quem quiser doar algum exemplar, mas não puder ir até o ponto de ônibus, basta entrar em contato com o projeto por meio da página do Leitura Urbana no Facebook. Também é possível falar com Rodrigo, Kelvin ou Eliza pelos telefones (51) 99329-0000, (51) 99130-4555 ou (51) 99875-1567.

Pioneira da ideia

O projeto de Rodrigo e dos amigos foi inspirado em outra parada de Cachoerinha, a 51. Lá, há um ano uma iniciativa parecida dissemina livros entre quem aguarda a chegada do ônibus. A ideia foi colocada em prática por Sônia Zanchetta, moradora de Cachoeirinha e conhecida com seu envolvimento com a literatura. 

Há mais de 20 anos, faz parte da comissão executiva que organiza a Feira do Livro de Porto Alegre. A Parada da Leitura, nome dado ao ponto adotado por Sônia, faz parte do projeto Quitanda da Leitura, que tem objetivo fazer os livros rodarem de mão em mão.

— Eu quero que todo mundo possa pegar ou deixar um livro ali. Os livros são companheiros que devem circular entre os leitores, não ficarem somente em uma estante — conta Sônia.

Apoio

O prefeito de Cachoeirinha, Mike Breier, explica que os projetos de Rodrigo e Sônia estão em acordo com seu plano de governo, que tem como um dos objetivos fazer do município um lugar com mais leitores. 

— No próximo ano, queremos ampliar o número de paradas com livros — revela o prefeito.

Segundo o chefe do executivo municipal, quem quiser adotar alguma parada pode procurar a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo ou o Gabinete do Prefeito. O contato pode ser feito pelo telefone da prefeitura no (51) 3470-6707. Também é possível mandar mensagem pela página do Facebook da administração.

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