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Mudanças06/02/2019 | 07h00Atualizada em 06/02/2019 | 07h00

Dois meses após operação do MP, como está a situação da saúde pública em Canoas

Prefeitura afirma que balanço é positivo. Pacientes também começam a sentir melhora.

Dois meses após operação do MP, como está a situação da saúde pública em Canoas Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
No dia da visita da reportagem, atendimento funcionava normalmente Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Se o sistema de Saúde de Canoas fosse um paciente, seria possível dizer que ele melhorou nos últimos dois meses: saiu do coma induzido e respira sem a ajuda de aparelhos. Em 6 de dezembro de 2018, uma operação do Ministério Público Estadual (MP-RS) prendeu dirigentes do Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp), que administrava diversas unidades de saúde da cidade. 

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A ação, em conjunto com a falta de repasses por parte do governo do Estado, piorou a situação da saúde pública na cidade, que já vinha passando por uma crise. Quem precisou buscar atendimento nesse período encontrou problemas. Em alguns momentos, todos os atendimentos eletivos foram suspensos, e somente casos urgentes eram atendidos.

Com a saída do Gamp da gestão do hospitais Universitário (HU) e de Pronto Socorro (HPSC), além de duas Upas e três Caps, a prefeitura assumiu os locais. Equipes de consultoria dos hospitais Sírio Libanês, de São Paulo, e Moinhos de Vento, da Capital, foram chamadas. Cerca de 20 profissionais dessas instituições trabalham nas unidades onde o Gamp atuava. A função deles é auxiliar os setores de logística, compras e recursos humanos. 

– Eles também ajudaram com o edital para contratar a empresa que vai ficar no lugar do Gamp – diz o prefeito de Canoas, Luiz Carlos Busato.

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Conforme ele, o edital está sendo revisado e deve ser lançado em março. Até setembro, uma nova empresa deve estar no comando das instituições. Quanto ao receio da população de um “novo Gamp” surgir, Busato garante que as exigências do edital não permitirão essa possibilidade:

– A consultoria está sendo importante para termos a certeza de que uma empresa responsável assumirá os nossos hospitais.

Dois meses

Desde a operação do MP, a prefeitura já aplicou cerca de R$ 40 milhões na saúde, realocados de outras áreas. Isso ocorre pois o Estado segue sem enviar repasses à cidade. Segundo o prefeito, o governo estadual já deixou de pagar cerca de R$ 50 milhões entre setembro de 2018 e janeiro deste ano.

– Chegará uma hora em que precisaremos limitar o atendimento externo, por exemplo – explica o prefeito, referindo-se aos 156 municípios que têm hospitais de Canoas como referência.

Os trabalhos são concentrados em três pontos: pagamento de funcionários, regulação do estoque de remédios e de insumos, como alimentos e materiais.

– Ainda não pagamos as dívidas do Gamp com outras empresas. Todos os contratos estão passando por auditoria – finaliza o prefeito Busato.

Estado: dívida será renegociada

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS), conforme determinado por decreto, esta sendo feito um levantamento do que precisa ser pago aos municípios, hospitais e demais credores. Em nota, o órgão explicou que este pagamento será negociado com as entidades futuramente.

Agora, o foco são os pagamentos referentes a janeiro, que “já estão em análise na Junta de Conciliação Orçamentária e Financeira (Juncof) da Secretaria da Fazenda”, garante a SES-RS.

Pacientes já percebem mudanças

Quem vem de longe para ser atendido em Canoas sente a melhora no serviço. O motorista Idenir Farias, 32 anos, luta para conseguir uma cirurgia no fêmur, fraturado há quatros anos. Ele está afastado do trabalho.

Em setembro, chegou a iniciar os procedimentos pré-operatórios. Porém, a crise no Gamp fez tudo ir por água abaixo. Ontem, foi a primeira vez em que ele retornou ao HU desde 2018. 

– Agora, fui encaminhado para um traumatologista. O atendimento está melhor. Enfim, acho que vou conseguir a cirurgia – explicou Idenir, que viajou 290 quilômetros, de Putinga, para chegar a Canoas. A esposa, Suzete Silva Decol, 32 anos, o acompanhava.

Idenir voltou a ter esperanças de realizar cirurgiaFoto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS

Questões pontuais

No Pronto Socorro de Canoas, o pintor José Arno, 59 anos, também sentiu os efeitos da saída do Gamp. Há três semanas, sua sobrinha, de 18 anos, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Na madruga de ontem, seu filho, Giovanni Bruno Farias, 26 anos, precisou recorrer à emergência do HPSC.

– Minha sobrinha está sendo bem atendida na UTI. E meu filho já fez todos os exames e está aguardando os resultados – garantiu José.

A cuidadora Joana Darc de Paiva, 66 anos, apontou apenas uma questão: problemas no fornecimento das de roupas de cama dos leitos hospitalares, que não são trocados com a frequência necessária. Ela acompanha a internação de Geni Goulart da Silva, 73 anos.

O prefeito de Canoas explica que o setor de lavanderia sofre com a falta de pessoal – principal problema ainda presente nos locais que eram geridos pelo Gamp. Mas Busato garante que são questões pontuais e que a prefeitura está trabalhando para resolvê-los.

 
 
 
 
 
 
 
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