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Seu Problema é Nosso08/03/2019 | 09h50Atualizada em 08/03/2019 | 09h50

Atraso na entrega de dieta enteral preocupa famílias

Desde janeiro, pacientes dependentes das fórmulas nutricionais estão sem o fornecimento realizado pelo Estado

Atraso na entrega de dieta enteral preocupa famílias Fernando Gomes/Agencia RBS
Família de Maria José está comprando alimento Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

O atraso na entrega da dieta enteral — alimento destinado a pessoas que não conseguem se alimentar normalmente pela boca — angustia familiares de pacientes que fazem uso contínuo das fórmulas nutricionais. O produto, fornecido pelo Estado, não está sendo recebido desde o início de janeiro. A alternativa para as famílias é comprar a dieta, que custa entre R$ 22 e R$ 32 a caixa com um litro. 

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Depois de mostrar a situação da pensionista Glaci da Silva Barreto, 84 anos, moradora de Canoas, na edição do dia 27 de fevereiro, que aguardava havia um mês pela entrega da dieta, outros leitores procuraram a reportagem do Diário Gaúcho para relatar os atrasos. Na mesma semana da publicação, a Secretaria Estadual da Saúde entregou a fórmula para Glaci. 

Compras 

Um dos leitores atingidos pelo atraso na distribuição é o cabeleireiro Paulo Roberto Silva, 51 anos, morador do bairro Sarandi, na Capital

— Minha mãe faz uso do alimento desde outubro de 2018. Minha família e eu procuramos dar as melhores condições para ela e, por isso, não deixamos faltar, estamos comprando as caixas todos os dias. Minha preocupação é com aquelas pessoas que não possuem condições — lamenta Paulo, filho da aposentada Maria José Rosa, 88 anos, que deveria receber 36 litros da dieta Isosource 1.5 por mês. 

A dona de casa Vera Soares de Oliveira, 52 anos, também passa pelo mesmo problema com sua mãe. A idosa Maria de Lourdes Soares de Oliveira, 86 anos, sofre da doença de Parkinson e depende exclusivamente da dieta desde outubro de 2015. Sem condições para comprar o produto, Vera conta que pede ajuda em rádios e doações a conhecidos. 

— Sempre que ligo para lá (farmácia do Estado), dizem que está sem estoque ou que as caixas (do alimento) já estão a caminho. Me disseram, inclusive, que a entrega estava na minha rua. Esperei e ninguém apareceu — conta a dona de casa. 

 PORTO ALEGRE-RS- BRASIL- 07/03/2019- A falta do alimento fornecido pelo Estado preocupa familiares de pacientes que dependem excluvisamente do produto. Maria de Lourdes Soares de Oliveira necessita do alimento enteral.  FOTO FERNANDO GOMES/ DIARIO GAUCHO.
Maria de Lourdes depende de doaçõesFoto: Fernando Gomes / Agencia RBS

“Informações são desencontradas”, diz filha de paciente

O problema não é recente para a professora aposentada Marly Garnier, 80 anos, diagnosticada com a doença de Alzheimer e diabetes. Ela reside em uma casa geriátrica no bairro Belém Novo junto a outros idosos que também fazem uso da dieta enteral. No ano passado, ela ficou cerca de três meses sem o fornecimento do alimento. 

A filha, a nutricionista aposentada Gisele Garnier, 54 anos, já havia entrado em contato com a reportagem do Diário, em janeiro. Contudo, foi feita a entrega referente ao mês de dezembro, após a reportagem questionar a Secretaria Estadual de Saúde (SES) sobre a situação da aposentada. 

— Voltaram os problemas. A mãe não recebeu a dieta referente a janeiro e fevereiro. Estou ligando todos os dias para a coordenação vinculada à Saúde do Estado, e as informações são desencontradas. Não nos dão nenhuma previsão — conta Gisele. 

Marly deveria ter tido cinco entregas do produto, mas, desde outubro, recebeu apenas duas. Preocupada, Gisele registrou o problema na Ouvidoria do SUS, por meio do protocolo 2988012. Entretanto, a reposta pode demorar até 60 dias. Segundo ela, apenas uma das idosas do residencial geriátrico recebeu a dieta esperada em janeiro. 

— Depois que se passam 45 dias da data prevista para a entrega, nós perdemos as caixas referentes ao mês que está atrasado. Sendo assim, a mãe já perdeu o lote do mês de janeiro. Não é cumulativo — explica Gisele. 

Em Campo Bom, amigas auxiliam 

Em outras cidades, também foi registrado atraso na entrega da dieta. A dona de casa Márcia Lauer, 59 anos, moradora de Campo Bom, dedica sua atenção ao filho Renan Felipe Pereira, 25 anos. O jovem, que nasceu prematuro, sofre crise de convulsões e teve sua situação agravada depois de infecções pulmonares ocasionadas por pneumonias aspirativas. 

Sua condição impede a ingestão de alimentos sólidos e, por isso, Renan depende do alimento hipercalórico via sonda há um ano e meio. 

— Faz dois meses que eu vou buscar na farmácia da prefeitura e me dizem que não chegou. Faço de tudo para poder comprar, pois sei que não pode faltar para ele — conta Márcia. 

Segundo ela, cada caixa custa em média R$ 30, e Renan consome uma caixa por dia: 

— Tive a ajuda de amigas, que conseguiram doações. 

Estado prevê normalização no final de março 

O Diário Gaúcho buscou respostas junto à SES desde a tarde de quarta-feira. Somente no fim da tarde de ontem, a Secretaria respondeu, em parte, aos questionamentos. 

A SES explicou que “concluiu processo licitatório e contratação da empresa vencedora do certame, através de ata de registro de preços, e solicitou processo de compra para reabastecimento das farmácias”. Segundo o Estado, o prazo para que as entregas sejam realizadas é de “15 dias úteis a partir do recebimento do pedido”. 

A previsão de normalização do fornecimento da dieta enteral é a segunda quinzena de março. 

Produção: Caroline Tidra

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