Com 99 mortes por atropelamento desde 2010, RS-040 vira alvo de protestos - Notícias

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Viamão16/03/2019 | 07h00Atualizada em 16/03/2019 | 07h00

Com 99 mortes por atropelamento desde 2010, RS-040 vira alvo de protestos

Moradores de Águas Claras formaram grupo para pedir melhorias na sinalização e fiscalização da rodovia. No dia 8 de março, duas crianças e um jovem, que morreu, foram atropelados na pista

Com 99 mortes por atropelamento desde 2010, RS-040 vira alvo de protestos Ronaldo Bernardi / Agência RBS/Agência RBS
Moradores criaram grupo que organizou protesto marcado para este sábado (16) Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS / Agência RBS

Uma sequência de acidentes na RS-040 foi o estopim para que a comunidade do distrito de Águas Claras, em Viamão,  criasse um movimento que deve reunir cerca de 200 pessoas em um protesto nas margens da rodovia, neste sábado, às 16h. 

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A projeção é de membros do grupo "Quanto vale uma vida?", criado por moradores da localidade, para pedir intervenções dos órgãos competentes na região. Os pedidos são direcionados à Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER-RS) e também à prefeitura de Viamão. A EGR administra o trecho da RS-040 entre Viamão e Pinhal. O Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) acompanhará a manifestação.

Os acidentes que causaram a indignação de quem mora na região foram dois atropelamentos ocorridos no dia 8 de março. Guilherme Trindade Gonçalves, 18 anos, morreu quando retornava da casa do melhor amigo, Nicolas Rodrigues, 19 anos. Segundo Nicolas, a dupla foi jogar bola no ginásio Gigante das Águas Claras, às margens da RS-040. Guilherme tinha jogos marcados das 20h à meia-noite. Nicolas chegou por volta das 22h. Depois das partidas, Guilherme foi jantar na casa de Nicolas, onde iria dormir. 

Porém, o garoto ficou preocupado por não conseguir avisar à mãe aonde estava e por não ter levado roupas, já que trabalharia cedo no dia seguinte. Resolveu ir embora caminhando pelo acostamento da RS-040, como é costume dos moradores da região, mas nunca chegou em casa. Foi atropelado e morreu sem ter recebido socorro do motorista, que teria fugido. 

— Fomos na Brigada Militar logo que amanheceu. Disseram que ainda era cedo para dar como desaparecido. Então, eu e o irmão do Guilherme começamos a procurar nas margens da rodovia. Encontramos o corpo no início da tarde de sábado. A perícia demorou para chegar. Quando o corpo foi levado, já eram quase oito da noite — recorda Nicolas.

A fatalidade não foi a primeira do dia. Na tarde da mesma sexta-feira, dois alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Apolinário Alves dos Santos, também em Águas Claras, já haviam sido atropelados em outra ocorrência. Enquanto atravessam a via, um menino e uma menina foram atingidos por um veículo que não parou na faixa de pedestres. Os dois seguem internados aguardando por cirurgia. 

Sem uma passarela na região, moradores se arriscam na travessiaFoto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS

Susto

A mãe de umas das crianças vítimas do acidente falou com a reportagem. Como trabalha no cultivo de hortaliças, Rosimar Tavares de Oliveira, 43, paga uma creche para o filho após o horário escolar. Assim, quando o turno normal termina, monitoras buscam várias crianças na escola Apolinário e as levam até a outra instituição. As escolas ficam em lados opostos da rodovia. 

— É comum essa travessia das crianças feita pelas monitoras. O problema principal aqui é a falta de conscientização dos motoristas de pararem na faixa para que as crianças possam atravessar — avalia Valquíria Dias, diretora do escola Apolinário Alves dos Santos.

Para Rosimar, o atropelamento do filho Rafael de Oliveira Richeski, sete anos, foi um susto. O menino quebrou o fêmur e também teve fratura em um dos ossos da face, conforme relata a mãe. Atualmente, ele está internado no Hospital de Pronto Socorro (HPS), na Capital. Segundo Rosimar, o menino aguarda uma vaga em algum hospital que possa fazer a cirurgia que necessita.

— Ele ainda está com muita dor, chora constantemente por isso. Foi um susto muito grande, mas é a consequência da falta de fiscalização dos órgãos competentes e também da consciência dos motoristas que passam na região — desabafa a mãe.

Números altos

A RS-040 é considerada uma das mais perigosas do Estado para os pedestres. Entre 2010 e 2018, a rodovia registrou 99 mortes por atropelamento, segundo o Detran-RS. E, segundo dados parciais da EGR, em 2019, até o mês passado, já foram registrados cinco atropelamentos na via (não foram especificados se com ou sem mortes).

Entretanto, mesmo com estes números assustadores, os membros do "Quanto vale uma vida?" reclamam que as demandas mais relevantes para a comunidade seguem sem ser atendidas. 

— Precisamos de mais lombadas eletrônicas, radares de velocidade e tachões nos acostamentos. Os motoristas se confundem muito e acham que aqui nessa região ainda é pista dupla, mas não, é pista simples. Assim, acabam circulando pelo acostamento e causando estes acidentes — explica o comerciante Eduardo Viegas Moura, 37 anos, um dos líderes do grupo organizado pela comunidade.

Moradores da região tem o costume de caminhar no acostamento da pistaFoto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS

EGR estuda mudanças

Responsável pela administração do trecho da RS-040 que passa por Águas Claras, a EGR informou, em nota, que o reforço na sinalização nos locais que a comunidade demanda está sendo estudado. Conforme a empresa pública, do km 24 ao km 28 serão reforçadas a sinalização horizontal e vertical nos pontos de travessia de pedestres. 

Outro ponto, alvo de reclamação, é na altura da parada 82. A EGR garante que será reforçada a delimitação do final da faixa adicional naquele ponto. Segundo o órgão, o local "é um ponto que pode estar confundindo motoristas e causando acidentes". Isso porque quem passa por ali, segundo os moradores, não nota que a pista dupla termina e segue andando no acostamento, que está no mesmo nível da pista de rodagem. A EGR ainda alerta para a importância de os motoristas "respeitaram a sinalização, obedecendo aos limites de velocidade, proibição de ultrapassagem, etc".

Em nota, o Daer informou que há cinco expedientes tramitando no órgão para "realização de estudos a fim de verificar e buscar soluções para a ERS-040". O foco do departamento é km 26, no distrito de Águas Claras. Porém, o Daer alega que, por enquanto, não há prazos para que as ações ocorram. 

Sem retorno

A reportagem questionou a prefeitura de Viamão sobre a falta de iluminação na RS-040 — a EGR alegou que a iluminação pública é de responsabilidade da administração da cidade. Porém, até o fechamento da reportagem, a assessoria de comunicação não havia respondido.

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