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Seu Problema é Nosso10/09/2019 | 11h04Atualizada em 10/09/2019 | 11h04

Moradora de Canoas sofre com falta de medicamento

A empregada doméstica Bruna Barboza Maciel, 30 anos, precisa do Dapsona 100mg para continuar tratamento de leucemia

Moradora de Canoas sofre com falta de medicamento Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Bruna mostra o formulário para a retirada do produto Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Já faz dois meses que a empregada doméstica Bruna Barboza Maciel, 30 anos, moradora de Canoas, não consegue dormir tranquila. O motivo é a falta do medicamento Dapsona 100mg na farmácia municipal, fornecido pelo Estado. 

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Com leucemia mieloide aguda — tipo de câncer que afeta as células sanguíneas e a medula óssea, com rápida capacidade de expansão —, Bruna precisa tomar um comprimido do remédio por dia. 

Ele serve para o que se chama de profilaxia, um tratamento preventivo contra infecções oportunistas – que aparecem quando o sistema imunológico está debilitado — e é importante porque pessoas com diagnóstico de leucemia têm mais chances de contrair essas doenças “menores”, mas que, diante do quadro de saúde do paciente, podem vir a ser fatais. 

“Em falta” 

Com a indicação médica feita pela equipe do Hospital Santa Rita, em Porto Alegre, onde Bruna faz o tratamento, ela deu entrada no pedido para retirar o medicamento, fornecido pelo Estado, na farmácia de sua cidade, Canoas, no final de junho. Em 10 de julho, ela deveria ter recebido a primeira remessa do remédio e seguir retirando no dia 10 de cada mês. Porém, isso nunca aconteceu. 

— Desde então, eu ligo quase todos os dias, e a resposta é sempre a mesma: “está em falta”.Fico muito preocupada, porque isso faz parte da manutenção do meu tratamento — conta Bruna, que passou por quatro internações hospitalares durante os primeiros seis meses de quimioterapia. 

Sem saída 

Sem conseguir o remédio pelo Estado, Bruna não tem alternativas. Isso porque o Dapsona 100mg é um medicamento com venda comercial proibida, ou seja, só pode ser adquirido sob mediação do SUS. Diante do problema, ela teme por sua saúde: 

— Como minha leucemia é aguda, isso quer dizer que, em até dois anos, ela pode voltar a qualquer momento, mesmo que eu melhore, porque meu organismo está debilitado. Por isso, esses tratamentos complementares são tão importantes. A pior parte já passou e, agora, preciso desse remédio para garantir que vou ficar bem. 

Regularização nos próximos dias 

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), apenas seis municípios gaúchos têm pacientes cadastrados para receber o medicamento Dapsona 100mg. A SES informou que os lotes foram entregues pelo fornecedor, e “os municípios serão reabastecidos conforme roteiros”. Segundo a pasta, a entrega já foi regularizada no fi m da semana passada em três dessas cidades, devendo as outras três também receberem os lotes dentro de alguns dias. 

Contudo, a Secretaria não informou quais são esses municípios nem qual é a situação atual de Canoas — onde Bruna retira o remédio — diante desse quadro. 

Questionada sobre o motivo da falta do medicamento há, pelo menos, dois meses, a pasta não prestou esclarecimentos. 

Produção: Camila Bengo 

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