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Piquetchê do DG14/10/2019 | 05h00Atualizada em 14/10/2019 | 05h00

Fotografia e tradicionalismo: a rotina dos colecionadores de memórias

Especializados em cobertura de eventos tradicionalistas, fotógrafos contam como é desenvolver trabalho pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina

Enquanto dançarinos se preparam para mais uma apresentação, concentrados sob o olhar atento do público, há alguém focado em registrar o gesto, o detalhe e as expressões que ficarão eternizadas. Especializados em um nicho de mercado até pouco conhecido, fotógrafos de eventos tradicionalistas ajudam centenas de pessoas, acostumadas a serem vistas pelo público, a se enxergarem.

O trabalho dos fotógrafos de eventos tradicionalistas. Na imagem, Deivis Bueno, do Estampa da Tradição.
Deivis Bueno há oito anos se descobriu na profissãoFoto: Isadora Neumann / Agência RBS

Dentro da cobertura de eventos artísticos, Deivis Fogaça Bueno, 42 anos, e a esposa, Virgínia Alves de Souza, 38 anos, encontram trabalho e realização. Tudo começou com os três filhos pequenos.

— Em 2011, comecei fotografando meus filhos nas apresentações de CTG e senti falta de fotos profissionais. Passei a registrar e não parei mais. Depois, fui a um rodeio de Gravataí (onde residem) e fotografei. O pessoal gostou, e eu segui — conta Deivis.

O fotógrafo fechou a empresa de telentrega que mantinha na Capital para, então, se dedicar ao novo projeto, o Estampa da Tradição. Além de ser contratado para registrar CTGs que o chamam, passou a fechar parcerias com organizadores de eventos: fotografa, imprime o material e vende.  

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Vale a pena

A participação ocorre ainda em outros Estados, como Santa Catarina e Paraná. Dos 52 finais de semana do ano, 30 são dedicados exclusivamente para a cobertura de eventos tradicionalistas. A demanda é grande, e o trabalho, cansativo – mas compensador. Deivis conta que chega a ficar de 12 a 16 horas fotografando os grandes festivais. O reconhecimento o tornou fotógrafo oficial de encontros como Enart, Festimirim, Juvenart, FestXiru e Premiart. 

— Eu trabalho tentando imprimir o que vejo, como quando comecei, clicando os meus filhos. Somado a tudo isso, estudo a mecânica das danças, conheço grande parte delas —explica. 

O resultado chega pelo carinho de clientes.

— Fui homenageado por um CTG de Novo Hamburgo onde, em uma das danças, as meninas seguravam uma plaquinha com a frase “Deivis, faz uma foto minha”. Há uns dias, fomos acompanhar um grupo pré-mirim, em Campo Bom, e tinha um menino vestido exatamente como me visto, com os equipamentos, fotografando. Chorei que nem criança — recorda o profissional.

Ofício e realização

Fotógrafos especialistas em cobertura de eventos tradicionalistas. Na foto, a fotógrafa Lidiane Hein na sua primeira exposição.
Lidiane na sua primeira exposiçãoFoto: Tiago Pereira / Divulgação

Formada pela Ulbra, a fotógrafa Lidiane Hein, 28 anos, também resolveu dedicar-se à cobertura de atividades tradicionalistas no Estado e em Santa Catarina. O interesse foi despertado em 2015, quando entrou no CTG Brasão do Rio Grande, em Canoas, e foi acompanhá-lo no Festival Gaúcho de Danças (Fegadan). Como ainda não estava preparada para dançar, resolveu clicar a apresentação.

— Já estava quase me formando em fotografia, fiz as fotos e uma delas saiu na capa de um jornal local (Lidiane mora em Canoas). Percebi que existia uma carência nessa área — diz.

Ela também cobre bailes à moda antiga, faz ensaios de casamento, gestante e crianças com a temática tradicionalista. Durante os quatro anos de atuação, guarda com saudosismo o dia em que o trabalho a propiciou conhecer uma das mais importantes figuras da cultura gaúcha: Paixão Côrtes. 

— Estava participando de uma palestra sobre indumentária gaúcha com a esposa do Paixão, a Marina, quando, no fim do evento, sem ninguém saber, ele apareceu. Foi emocionante —recorda.

E fala com orgulho da primeira exposição na Casa de Cultura Mario Quintana, realizada em 2018, sobre o tema Tropeirismo Biriva:

— Em um lugar tão importante como a Casa da Cultura, foi algo que realmente me marcou.

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